Por Rafael Gonçalves
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| Cristo
sendo julgado pelo povo judeu.Como antes fora rejeitado como salvador
em face de um revolucionario chamado Barrabás, Cristo sera novamente
rejeitado na História por um processo revolucionario que buscará fazer
do homem Senhor de si mesmo: não podemos reconhecer isso no movimento
histórico da modernidade com a revolução francesa, a russa e agora a
revolução cultural ? |
A
religião cristã consiste na subordinação de tudo que é humano e frágil
para exaltar tudo que é divino e eterno. Entretanto um novo cristianismo
apareceu depois do Concílio Vaticano II (1962-1965) no interior da
Igreja Católica e tambem dentro do movimento pentecostal de origem
protestante: ambos tendem a exaltar o humano ao ponto de torná-lo
divino: a ultima tentação, a prova final da Igreja será decidir-se
entre um humanismo ou a luta encarniçada contra ele, para a Glória de
Deus. Porém o que vejo é que a maior parte dos cristãos deste triste
século sem Deus já escolheu ficar do lado do humanismo. E não é este
humanismo que entronizará o Homem feito Deus no Lugar do Deus feito
Homem? Este homem divinizado é o que a Tradição Apostólica chama de
Anticristo.
Quando
falo do humano não falo dele tomado abstratamente mas realmente na sua
condição de queda e de pecado. Ignorar essa condição e olhar para o
humano como os iluministas olham, com otimismo, como pensava Rosseau
quando dizia que " o homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe",
trata-se de gnose que consiste em negar o dogma do pecado original e a
consequente depravação do gênero humano e com efeito a necessidade de um
salvador.A gnose tem como um de seus traços a ideia de autosalvação, a
ideia de que o humano pelas próprias forças possa redimir-se do mal
visceral que o atinge. Alguns filósofos e teólogos argumentam que a
encarnação do Verbo Divino foi a realização do último degrau da evolução
humana( Entre eles Kant, Scheleirmacher, Renan, Teilhard de Chardin,
etc). Assim Jesus seria um puro homem que elevou sua consciencia a tal
nível que tornou-se "filho de Deus" não por natureza mas por um processo
evolutivo.
E a encarnação apenas uma metáfora: não foi Deus que se fez
homem mas um homem que se elevou a Deus por colocar sua consciencia
totalmente voltada para ele. A encarnação do Verbo não foi no entanto a
evolução da carne e do humano enquanto tal: Ao tornar-se carne ele
divinizou a natureza humana, elevando-a a participação na vida de
Deus.Deus se fez homem para elevar a si aquilo que em si mesmo [ a
natureza humana ] jamais poderia fazê-lo por si. A salvação da carne e do
humano está aí e se dá assim: não pela sua afirmação mas pela sua
transformação e elevação. O evangelho de São João mais teológico foi
escrito exatamente com esse papel: refutar a heresia gnóstica de
Cerinto que via Jesus apenas como um homem elevado. João visou em seu
Evangelho mostrar que o Verbo é Deus e que esse Deus encarnou-se
historicamente e que pode ser identificado como uma figura humana real:
Jesus. A sobrenaturalidade é a chave para entender o que seja
cristianismo - ela não é uma filosofia naturalista, um discurso sobre a
evolução da consciência humana até Deus na pessoa de Jesus mas a
revelação que Deus tenha se feito homem por uma intervenção miraculosa. O
amor cristão que é sobrenatural é isso : está muito acima do amor
humano, o eros ou a filia, únicas formas que a natureza humana tem de
amar. O amor ágape não nasce de um crescimento natural do eros ou da
filia mas de sua superação resultante de um dom do alto qual seja a
virtude teologal da caridade comunicada pelo batismo.
revelado
o homem do pecado, o filho da perdição, aquele que se opõe e se
levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de
sorte que se assenta no santuário de Deus, apresentando-se como Deus."

O cristianismo não é um humanismo
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