Francisco evitou citar o regime comunista norte-coreano.
Ele elogiou os esforços feitos a favor da reconciliação na península.
O Papa Francisco ao lado da presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, nesta quinta-feira (14) em Seul (Foto: Kim Hong-ji/AP)
O Papa Francisco fez nesta quinta-feira (14) em Seul uma apelo às duas
Coreias para que superem as recriminações e interrompam a mobilização de
forças, ao destacar que a paz só poderá ser alcançada com o diálogo e o
perdão.
Diante da presidente sul-coreana, Park Geun-Hye, e de várias
autoridades do país, o pontífice elogiou "os esforços feitos a favor da
reconciliação e da estabilidade na península coreana", o "único caminho
para uma paz duradoura".
O Papa, que falou em inglês pela primeira vez em um evento oficial,
evitou cuidadosamente citar o regime comunista norte-coreano, apesar das
referências às injustiças, perseguições e mobilização de forças que
representaram uma alusão a Pyongyang.
As palavras "comunismo" ou "marxismo" não foram citadas no discurso de Francisco.
"A diplomacia, como arte do possível, se baseia na convicção firme e
perseverante de que se pode alcançar a paz através da escuta tranquila e
do diálogo, mais do que através de recriminações mútuas, críticas
estéreis e mobilização de forças", destacou o pontífice.
China
Francisco chegou na manhã desta quinta à Coreia do Sul para uma visita
de cinco dias. Antes da viagem, o Papa enviou seus "melhores desejos" ao
presidente da China, Xi Jinping, e à população do país em um telegrama
enviado pouco antes de o avião em que viajava sobrevoasse pela primeira
vez a potência asiática.
"Antes de entrar no espaço aéreo chinês, estendo meus melhores desejos a
sua excelência (Xi Jinping) e a seus concidadãos, e invoco bênçãos
divinas de paz e bem-estar a toda a nação", disse o pontífice no
habitual telegrama que envia aos países que sobrevoa, revelou o jornal
oficial chinês "Global Times".
O fato de Pequim aprovar a rota sobre seu espaço aéreo do avião papal
foi interpretado como um sinal de relaxamento das tensas relações entre
China e Vaticano, já que em uma viagem semelhante à Coreia do Sul em
1989 esse roteiro foi negado a João Paulo II.
Existem na China entre oito e 12 milhões de católicos, segundo dados do
Vaticano, divididos entre os pertencentes à Igreja oficial
("Patriótica") - controlada pelo governo comunista - e a clandestina, em
comunhão com Roma e perseguida por Pequim.
O Vaticano e a China não mantêm relações diplomáticas desde 1951,
depois de Pio XII excomungar dois bispos designados pelo governo chinês,
que por sua vez expulsou o núncio apostólico, que se estabeleceu na
ilha de Taiwan.
Para retomar as relações diplomáticas, Pequim exige que o Vaticano
rompa antes com Taiwan e não "interfira" nos assuntos internos chineses.
No entanto, alguns católicos chineses foram até Coreia do Sul para
acompanhar a visita do Papa, embora não tenha havido viagens organizados
por igrejas locais.
Mais cristãos que budistas
Ao contrário do Norte, onde o catolicismo é muito perseguido, no Sul os
cristãos, entre todas as diferentes denominações, são mais numerosos
que os budistas. Os católicos (10,7% da população) integram uma Igreja
dinâmica, influente, mas ameaçada por um certo "aburguesamento" que
Francisco pretende ajudar a dissipar.
A última visita de uma papa a Coreia do Sul havia acontecido em 1989.
O programa do primeiro dia de visita incluiu uma cerimônia na 'Casa
Azul" (sede da presidência), na presença de 800 personalidades do país, e
depois um encontro com 35 bispos.
O pontífice, de 77 anos, também pretende levar uma mensagem aos jovens
de 23 países em uma mini-JMJ (Jornada Mundial da Juventude) do
continente. E deve deixar claro que os católicos chineses estão em seus
pensamentos.
"O Papa Francisco vai dirigir-se a todos os países do continente, com
uma mensagem para o futuro da Ásia", declarou o número dois do Vaticano,
o secretário de Estado Pietro Parolin.
A última viagem de um sumo pontífice ao continente asiático havia sido feita por João Paulo II, que visitou a Índia em 1999.
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