Cristo tomou sobre Si o jugo da Lei, cumprindo plenamente a
Lei e morrendo pela Lei e através da Lei. Assim libertou da Lei aqueles que
querem receber d’Ele a vida. Mas eles sabem que só poderão recebê-la se
oferecerem a sua própria vida. Porque os que foram batizados em Cristo foram batizados
na sua morte. Submergiram-se na vida de Cristo, para se tornarem membros do seu
Corpo, destinados a sofrer e morrer com Ele, mas também a ressuscitar com Ele
para a vida eterna, a vida divina.
Para nós, evidentemente, esta vida atingirá a sua plenitude
no Dia do Senhor. Contudo, já desde agora – na carne – participamos da sua vida
se acreditamos; se acreditamos que Cristo morreu por nós para nos dar a sua
vida. É esta fé que nos permite ser uma só realidade com Ele, como os membros
com a cabeça, e nos abre a torrente da sua vida. Assim, esta fé no Crucificado
– a fé viva, que está associada ao vínculo do amor – constitui para nós a
entrada na vida e o princípio da futura glorificação.
Por isso a cruz é o nosso único título de glória: Longe de
mim gloriar-me, senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual o mundo
está crucificado para mim e eu para o mundo. Quem decidiu aderir a Cristo
morreu para o mundo e o mundo para ele. [...]
Contudo a cruz não é um fim em si mesma: ela eleva-nos para
as alturas e revela-nos as realidades superiores. Por isso ela não é somente um
símbolo; ela é a arma poderosa de Cristo; é o cajado de pastor com que o divino
David sai ao encontro do Golias infernal e com o qual bate fortemente à porta do
Céu e a abre. Então brotam as torrentes da luz divina que envolvem todos
aqueles que seguem o Crucificado.
Do livro “A ciência da cruz”
de Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Steins Werke, ed. L. Gelber - R.
Leuven, T. I, Freiburg 1983, pp. 15-16)
Fonte: News.va

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