quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O que teria acontecido se São João Batista tivesse falhado?

¿Qué pasaría si San Juan Bautista hubiese fallado?
Batismo do Senhor

  

Por: Yousef Altaji Narbón

 

“Eu lhes digo que, entre os nascidos de mulher, não há ninguém maior do que João…” (Lucas 7:28). 

Com essas palavras da boca do Verbo Eterno de Deus, São João Batista é coroado como o supremo profeta que prepara tudo para a vinda do Messias. O primo do Salvador — no plano terreno — não era um homem qualquer; é Cristo quem o exalta e o coloca como modelo a ser seguido por todos. Nas Sagradas Escrituras, encontramos uma descrição vívida desse profeta como nenhuma outra. Descreve o que ele comia, como se vestia, sua aparência física, seus hábitos e seu apostolado. Isso não pode passar despercebido, pois se a Sabedoria Divina iluminou os autores dos Santos Evangelhos com um conhecimento tão preciso, é porque Deus deseja chamar nossa atenção para essas características dignas de imitação. Essa figura das Sagradas Escrituras tem um impacto poderoso em tão pouco tempo que não escapa ao olhar do cristão devoto. Neste sentido, este grande profeta é conhecido, exerce seu apostolado e é decapitado em poucas páginas; pode-se dizer que tudo acontece muito rapidamente, mas isso não significa que seja supérfluo. A Tradição bimilenar da Santa Madre Igreja cultivou grande devoção e conhecimento a seu respeito, manifestados pela difusão da piedade popular entre os povos da cristandade em relação ao precursor do Salvador desde tempos imemoriais. 

Poderíamos discutir longamente sobre São João Batista, mas retornamos às primeiras palavras aqui citadas, que vêm diretamente de Jesus Cristo, que faz plena justiça à sua pessoa. Conhecemos bem a história da salvação, com todos os eventos que ocorreram antes e depois da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. Agora, há uma questão puramente hipotética que o presente autor tem considerado há algum tempo, como uma oportunidade para aprendizado espiritual e para aumentar o zelo apostólico. A pergunta pode parecer audaciosa, mas é a seguinte: O que teria acontecido se São João Batista tivesse falhado? Vamos então responder a essa pergunta.

Resposta Simples 

Digamos que São João Batista nasce, cresce até a maturidade intelectual e a oportunidade — aquela que Deus, por sua graça, lhe concede — se abre para cumprir sua missão, tão essencial à Redenção. Nesse exato momento, por qualquer motivo, o homem escolhido pelo Altíssimo decide não prosseguir, dedica-se a algo aparentemente piedoso ou abandona o próprio propósito de sua vida. Oh, graças à Santíssima Trindade que isso não aconteceu, pois a mera hipótese é aterradora! Continuando com essa teoria, digamos que ele viva uma vida piedosa, repleta de Deus e sempre buscando fazer justiça. Levando isso em consideração, o que aconteceria? Uma resposta muito simples: Nada, absolutamente nada aconteceria; o plano da Redenção ainda seria cumprido. 

A Infinita Sabedoria Divina poderia ter usado outra pessoa ou outro meio para cumprir a missão confiada. Deus Pai teria respeitado seu livre-arbítrio, mas talvez sua história tivesse sido diferente. É verdade que Deus usa a adversidade, mas isso não significa que seja correto quando uma pessoa abandona o caminho claramente traçado pela Divina Providência. Essa resposta é suficiente para abordar a estrutura teórica apresentada. 

Lições 

Bendito seja o nome do Senhor por nos ter dado um farol de luz e zelo pela casa de Deus como São João Batista! Para alcançarmos o louvor de Deus semelhante ao concedido a São João, devemos imitar o seu exemplo de acordo com os nossos deveres na vida. Para identificar as qualidades dignas de emulação, devemos fazer uma pergunta diametralmente oposta à premissa deste artigo: O que fez São João Batista para cumprir a sua missão? 

A primeira coisa que ele fez foi cumprir a vontade de Deus em sua vida. Ele fez exatamente o que Deus esperava dele para preparar o caminho para o Messias através da sua incansável pregação e apostolado. Com base nisso, emergem as outras características da sua pessoa. A segunda é o seu desprezo pelo respeito humano; o célebre São João Vianney dedica um sermão inteiro à natureza nefasta do respeito humano, que é tão prejudicial que ele o amaldiçoa severamente. A terceira é a sua postura totalmente intransigente em relação à verdade; Este pilar de João Batista é de vital relevância hoje, quando vemos muitas pessoas e grupos sucumbindo a pequenas migalhas, oportunidades aparentes ou à pressão social que os leva a crer que estão sozinhos. Diante das armadilhas dos semeadores da discórdia e daqueles que buscavam comprar sua lealdade, a voz humilde que clamava no deserto permaneceu firme em tudo, mesmo confrontando a autoridade corrompida pelo vício. O quarto pilar é sua austeridade apostólica, que desapega a alma dos apegos cada vez menores necessários para o serviço perfeito à Santíssima Trindade. Esta não é apenas austeridade material, mas também a austeridade de outros tipos de apegos ou confortos, razão pela qual um número considerável de indivíduos chamados ao árduo serviço por Cristo Rei permanece em seus confortos ilusórios. 

O nível de perversidade dos inimigos da Igreja atingiu uma severidade sem precedentes, aliado a uma astúcia muito maior do que em outros tempos. A sutileza do engano, as manobras audaciosas, as pantomimas enganosas destinadas a acalmar os mornos — tudo isso, e muito mais, faz parte das ferramentas do mal usadas para levar os João Batistas de hoje ao fracasso ou ao desânimo em sua missão. Seguir o caminho da vida santificada e frutífera dos Batistas é uma receita fácil para se destacar em santidade nestes tempos de crise. A teoria hipotética aqui discutida serviu como base para reflexão aplicável aos nossos tempos; ela pode nos acompanhar ao longo de nossas vidas, enquanto nos esforçamos para realizar o melhor apostolado possível para servir Àquele cuja correia da sandália não somos dignos de desatar. Peçamos constantemente a sua intercessão para discernir com coragem, prudência e força o curso de ação mais apropriado, para que possamos sempre testemunhar como católicos militantes e fervorosos, zelosos pela casa de Deus.

 

Fonte - infovaticana 


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