[bibliacatolica]
5 janeiro 2013
Sentado
em uma simples cadeira de carvalho, São Pedro presidia as reuniões da
primitiva Igreja. Ao longo dos séculos, essa preciosa relíquia foi
crescendo em valor e significado.
Entretanto, poucos séculos depois, de todas as partes do mundo
acorreriam a essa cidade imperadores, reis, príncipes, potentados e,
sobretudo, multidões incontáveis de fiéis para oscular os pés de uma
imagem de bronze desse varão até então desconhecido e quase desprezado
pela Roma pagã. Pois fora a ele que o próprio Deus dissera: “Tudo o que
ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra
será desligado nos céus” (Mt 16,19).
Sim, era o Apóstolo Pedro que retornava à Capital do Império para ali estabelecer o governo supremo da Santa Igreja.
“Saudai Prisca e Áquila”
Provavelmente o acompanhavam alguns cristãos, entre os quais Áquila e
sua esposa Prisca, batizados por ele poucos anos antes. Na Epístola aos
Romanos, São Paulo faz a este casal a seguinte referência altamente
elogiosa: “Saudai Prisca e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus;
pela minha vida eles expuseram as suas cabeças. E isso lhes agradeço,
não só eu, mas também todas as igrejas dos gentios. Saudai também a
comunidade que se reúne em sua casa” (Rom 16,3-5).
Irrigada pelo sangue dos primeiros mártires, a evangelização deitava
fundas raízes nas almas e se difundia rapidamente por todo o orbe. Mas
não existiam ainda edifícios sagrados para a celebração do culto divino,
de modo que esta se fazia em residências particulares.
Assim, Áquila e Prisca tiveram o privilégio incomparável de acolher
em seu lar a comunidade cristã. Ali São Pedro pregava, instruía,
celebrava a Eucaristia. Dessa modesta casa governava ele a Igreja, por
toda parte florescente, apesar dos obstáculos levantados pelos inimigos
da Luz.
Era uma cadeira simples, de carvalho
Tomada de enlevo e veneração pelo Príncipe dos Apóstolos, Prisca
reservou para uso exclusivo dele a melhor cadeira da casa. Nela
sentava-se o Santo para presidir as reuniões da comunidade.
Após a morte do Apóstolo, essa cadeira tornou-se objeto de especial
veneração dos cristãos, como preciosa evocação do seu ensinamento.
Passaram logo a denominá-la de “cátedra”, termo grego que designa a
cadeira alta dos professores, símbolo do magistério.
Era primitivamente uma peça bem simples, de carvalho. No correr do
tempo, algumas partes deterioradas foram restauradas ou reforçadas com
madeira de acácia. Por fim, foi ornada com alto-relevos de marfim,
representando diferentes temas profanos.
Um altar-relicário
Há testemunhos e documentos suficientes para acompanhar sua história desde fins do século II até nossos dias.
Tertuliano e São Cipriano atestam que em seu tempo (fim do séc. II e início do séc. III) essa cátedra era conservada em Roma como símbolo da Primazia dos Bispos da urbe imperial.
Tertuliano e São Cipriano atestam que em seu tempo (fim do séc. II e início do séc. III) essa cátedra era conservada em Roma como símbolo da Primazia dos Bispos da urbe imperial.
Por volta do século IV, colocada no batistério da Basílica de São
Pedro, era exposta à veneração dos fiéis nos dias 18 de janeiro e 22 de
fevereiro. Durante toda a Idade Média ela foi conservada na Basílica do
Vaticano, sendo usada para a entronização do Soberano Pontífice.
Em 1657 o Papa Alexandre VII encomendou ao escultor e arquiteto
Bernini um monumento para exaltar tão preciosa relíquia. Empenhando todo
o seu gênio, construiu ele o magnífico Altar da Cátedra de São Pedro,
considerado por muitos sua obra-prima.
Nesse altar cheio de simbolismo, o mármore da Aquitânia e o jaspe da
Sicília, sobre os quais se apóia o monumento, representam a solidez e a
nobreza dos fundamentos da Igreja. As quatro gigantescas estátuas que
sustentam a cátedra – representando Santo Ambrósio, Santo Agostinho,
Santo Atanásio e São João Crisóstomo, Padres da Igreja Latina e da Grega
– recordam a universalidade da Igreja e a coerência entre o ensinamento
dos teólogos e a doutrina dos Apóstolos.No centro do altar foi colocada
em 1666 a cátedra de bronze dourado dentro da qual se encerra, como num
relicário, a bimilenar cadeira de São Pedro.
Símbolo da Infalibilidade papal
Afirmaram os Padres do IV Concílio de Constantinopla (ano 859): “A
Religião católica sempre se conservou inviolável na Sé Apostólica (…)
Nós esperamos conseguir manter-nos unidos a esta Sé Apostólica sobre a
qual repousa a verdadeira e perfeita solidez da Religião cristã”.
Nessa mesma época o Papa São Nicolau I pôde com inteira razão
sustentar que “nos concílios não se reconheceu como válido e com força
de lei senão aquilo que foi ratificado pela Sede de São Pedro, não tendo
sido tomado em consideração aquilo que ela recusou”.
Em uma de suas cartas, São Bernardo usa a expressão “Santa Sé
Apostólica” para se referir à pessoa do Papa e afirma que a
infalibilidade é privilégio “da Sé Apostólica”.
Após a solene definição do dogma da Infalibilidade papal no Concílio
Vaticano I, todos os católicos, eclesiásticos ou leigos, são unânimes em
proclamar que o Papa é e sempre será isento de erro em matéria de fé e
de moral, de acordo com as palavras de Jesus ao Príncipe dos Apóstolos:
“Eu roguei por ti a fim de que não desfaleças; e tu, por tua vez,
confirma teus irmãos” (Lc 22,32).
A Cátedra de Pedro é, o mais eloqüente símbolo dessa Infalibilidade,
do Papado, da pessoa do Papa e da própria Santa Igreja de Cristo. Mais
ainda, pois na Exortação Apostólica Pastores Gregis, Sua Santidade João
Paulo II afirma que nela se encontra “o princípio perpétuo e visível,
bem como o fundamento da unidade da fé e da comunhão”.
Por este motivo, para ela se volta nossa entusiástica admiração de modo especial no dia de sua Festa litúrgica, 22 de fevereiro.
Fonte: Victor Hugo Toniolo; Revista Arautos do Evangelho, Fev/2005, n. 38, p. 32 e 33
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