É
por isso que Deus lhes envia um poder enganador, para que acreditem na
mentira, para que sejam condenados todos aqueles que, longe de crerem na
verdade, se deleitaram com a injustiça (2 Ts 2, 11-12).
Por Pedro Abelló
Em
2006, escrevi um artigo comemorando o sexagésimo sexto aniversário da
tomada de Paris pelas tropas alemãs em 1940. O artigo era intitulado Paris, junho de 1940 e começava assim:
“Alguém
escreveu - e peço desculpas por não me lembrar quem foi - que a maior
vitória do inimigo é que não sabemos que ele existe e que a maior
derrota é a daquele que não sabe que está derrotado. Sempre fiquei
impressionado com a profunda verdade por trás dessas palavras. Pensei
nestes dias, no início de junho, que era o sexagésimo sexto aniversário
daquele 13 de junho de 1940, em que os parisienses saíam apressadamente
de sua cidade para o sul, para Orléans ou outros destinos incertos,
enquanto as colunas alemãs entravam no capital ao norte. Aqueles
milhares de franceses cujo mundo estava afundando naquela manhã
ensolarada, quase de verão, estavam perfeitamente cientes da identidade
de seu inimigo e da magnitude de sua própria derrota, Mas precisamente na
consciência dessa derrota encontraram a determinação de não desistir, a
mesma determinação que permitiu a todos os povos invadidos resistir ao
invasor. A identificação do inimigo e a consciência da derrota: aqui
estão dois fatores-chave para alimentar o espírito de luta, a capacidade
de sacrifício, a generosidade ilimitada, o heroísmo, fatores nos quais a
vitória se baseia em última instância.”