Por José Gastón
É profundamente perturbador e triste que, em nome de uma suposta prudência pastoral, a grandeza da Mãe na obra da Salvação seja publicamente minimizada. Como pode o autor da Nota Doutrinária olhar o Filho nos olhos quando se esquiva de proclamar o papel único daquela que Ele mesmo nos deu como Mãe aos pés da Cruz? Defender a verdade sobre Maria não é uma questão secundária: é honrar a vontade do Redentor e salvaguardar a beleza do plano divino. Toda tentativa de diminuir sua missão ressoa inevitavelmente como uma ferida infligida ao Coração de Cristo, que a quis inseparavelmente unida a Si para a nossa salvação.
Não há aqui uma tentação espiritual muito concreta: a acídia? Essa incapacidade de se alegrar com os dons divinos, descrita pela tradição como tristeza diante da santidade. Quando a grandeza de Maria se torna incômoda, surge uma sutil malícia em relação aos bens celestiais, uma rejeição velada daquilo que Deus escolheu honrar. Há quem, sem o negar abertamente, pareça incomodado com a glória que Deus concedeu a Maria, como se a sua luz eclipsasse Cristo, quando na verdade O reflete e O magnifica. Essa tristeza diante da obra de Deus em Maria não provém do Espírito, mas da resistência humana — ou pior, do inimigo — ao esplendor do plano divino.










