-Um calor extraordinário.
-Como, um calor? Não estamos na
floresta, em plena neve? A neve está sob os nossos pés, estamos cobertos dela e
ela continua caindo... De que calor se trata?
-Um calor semelhante ao de um banho de
vapor.
-E o cheiro é como no banho?
-Oh, não! Nada sobre a terra se pode
comparar a esse perfume. No tempo em que a minha mãe vivia, ainda gostava de
dançar e quando eu ia a um baile, ela me aspergia perfumes que comprava nas
melhores lojas de Kasan e pagava muito caro. O seu odor não é comparável a
estes aromas.
O padre Serafim sorriu.
-Eu sei, meu amigo, tanto quanto vós, e
é de propósito que vos interrogo. É bem verdade, nenhum perfume terreno pode
ser comparado ao bom odor que respiramos neste momento, o bom odor do Espírito
Santo. O que pode, sobre a terra, ser-lhe comparado? Dissestes, ainda há pouco,
que fazia calor, como no banho. Mas olhai, a neve que nos cobre, a vós e a mim,
não se derrete, assim como a que está aos nossos pés. O calor não está no ar,
mas no nosso interior. É este calor que o Espírito Santo nos faz pedir na
oração: "Que teu Espírito Santo nos aqueça". Este calor permitia aos
eremitas, homens e mulheres, não temerem o frio do inverno, envolvidos, como
estavam, como que num manto de peles, numa veste tecida pelo Espírito Santo.