Todos nós certamente já ouvimos alguma vaga menção ao fogo e à luz em matéria religiosa… Mas qual é, afinal, o simbolismo profundo do fogo? Por que razões o próprio Deus, em várias passagens da Escritura, é comparado a esse elemento da natureza?
Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere
Como leigo no banco da igreja, vira e mexe me pergunto por que os clérigos não pregam mais vezes sobre o sentido simbólico dos ritos, gestos e objetos da Liturgia, para não falar dos textos (especialmente dos Próprios da Missa — para os lugares afortunados em que ainda se utilizam os Próprios). Ora, já que a Liturgia é o objeto mais óbvio e comum de percepção e meditação para todos os presentes, parece útil e adequado pregar de tal modo, que os fiéis alcancem pouco a pouco uma compreensão mais profunda do que estão vendo e fazendo. É verdade que isso pode tornar-se pesado e excessivamente didático; mas, pelo menos, permite abordar o conteúdo de uma dada celebração — não me refiro aqui às leituras, que são o centro de atenção, mas aos outros elementos da Liturgia que se desenvolvem em torno das leituras. Um sinal de que isso é oportuno pode ser visto na incrível quantidade de pregações patrísticas e medievais dedicadas a desvelar o sentido da Liturgia aos fiéis.
Uma boa oportunidade está se aproximando rapidamente: refiro-me à grande Vigília de Páscoa, quando se acende e ilumina com fogo novo o Círio Pascal. Todos nós, é provável, já ouvimos alguma menção em homilias ao fogo e à luz, mas tudo envolto em aparentes generalidades, o que tem a eficácia de clichês. Por que não seguir os passos de S. Tomás de Aquino e meditar o simbolismo profundo do fogo — em concreto, quais são as razões por que Deus mesmo é comparado ao fogo? Em seus comentários à Escritura, o Doutor Angélico comenta várias vezes por que Deus e sua ação são comparados ao fogo.


