Alguns discípulos não reconheceram Jesus ressuscitado. Isso
aconteceu, por exemplo, com Maria Madalena (João 20,15), com os
discípulos quando estavam pescando (João 21,4) e com os dois discípulos
no caminho de Emaús (Lucas 24,13-35). Fica claro, porém, que a
fisionomia de Jesus era diferente nessas aparições.
Por Prof. Felipe Aquino
Cristo ressuscitou com seu próprio corpo: “Vede as minhas mãos e os
meus pés: sou Eu!” (Lc 24,39). Mas ele não voltou a uma vida terrestre
como antes. O nosso Catecismo explica que o corpo de Jesus ressuscitado
era o mesmo corpo dele:
“Jesus ressuscitado estabelece com seus discípulos relações diretas,
em que estes o apalpam e com Ele comem. Convida-os, com isso, a
reconhecer que Ele não é um espírito, mas sobretudo a constatar que o
corpo ressuscitado com o qual Ele se apresenta a eles é o mesmo que foi
martirizado e crucificado, pois ainda traz as marcas de sua Paixão.
Contudo, este corpo autêntico e real possui, ao mesmo tempo, as
propriedades novas de um corpo glorioso: não está mais situado no espaço
e no tempo, mas pode tornar-se presente a seu modo, onde e quando
quiser, pois sua humanidade não pode mais ficar presa à terra, mas já
pertence exclusivamente ao domínio divino do Pai. Por esta razão também
Jesus ressuscitado é soberanamente livre de aparecer como quiser: sob a
aparência de um jardineiro ou “de outra forma” (Mc 16,12), diferente das
que eram familiares aos discípulos, e isto precisamente para
suscitar-lhes a fé” (n.645).