quinta-feira, 4 de abril de 2013

História da Igreja Católica (Final)

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32. Mani

Mani ou Manes nasceu na Pérsia em torno do ano 215. Seu pai era da seita judaico-cristã dos alexeítas. Segundo seus seguidores, aos 24 anos começou a ensinar uma doutrina dualista: existem dois princípios, um bom e outro mal, que travam um combate eterno e se personificam em Deus e no demônio. O demônio é um ser divino em pé de igualdade com Deus (influência do Zoroastrismo). Da tradição indiana, Mani aproveitou o dogma da reencarnação ou transmigração das almas. Jesus Cristo era Deus, um mensageiro da luz, a força divina que veio auxiliar o homem na luta contra o mal.
Seus discípulos seguiam uma disciplina rígida. Proclamavam-se "eleitos" e "santos". O maniqueísmo se espalhou logo, com a proteção do rei Sapor II, e chegou ao Império Romano em meados do século III. O imperador Diocleciano teve de tomar providências para inibir sua propagação.
Mani morreu no ano 270, na Pérsia, depois de julgado como herege pelo clero zoroastriano. Segundo alguns acabou seus dias na prisão, segundo outros foi crucificado e esfolado, tendo sua pele posta como ornamento em um templo iraniano.
Onde chegou, o maniqueísmo foi perseguido. Nos últimos anos do século III, começou a se tornar um perigo para a Igreja.

33. O algoz se curva diante da cruz

Quando a perseguição de Diocleciano chega ao seu apogeu acontece algo inesperado. No dia primeiro de março de 305 os dois Augustos, Diocleciano e Maximiano, renunciam ao seu posto, deixando seus lugares para os dois Césares, Galério e Constâncio Cloro.
Constâncio Cloro, senhor do Ocidente, era muito tolerante. Quando assumiu o poder, "as regiões situadas além da Ilíria, ou seja, a Itália inteira, a Sicília, a Gália e todos os países do Ocidente, a Espanha, a Mauritânia e a África, depois de terem sofrido a violência da guerra durante os primeiros anos da perseguição, prontamente obtiveram da graça divina o benefício da paz" (Eusébio de Cesaréia).
O Oriente, no entanto, teve de enfrentar a ira do César Maximino Daia, instigado por Galério. Em 306 foi publicado um edito que obrigava todos os súditos a sacrificarem aos deuses. No Egito a perseguição foi tão terrível que muitos cristãos, para fugir da desonra, cometeram suicídio. Os que não morriam eram submetidos a grandes vexações: as mulheres eram entregues à prostituição, os homens condenados a trabalhos forçados nas pedreiras e nas minas.
Maxêncio, em Roma, é tolerante. Licínio, que governa as províncias do Danúbio, também não persegue os cristãos. Constantino, filho de Constâncio, não tem a menor intenção de atacar a Igreja de Jesus.
Aos poucos o sistema da tetrarquia irá se arruinando. Lutas pelo poder, legiões revoltadas, batalhas... Os mesmos males que afligiram o Império no século anterior ressurgirão com vigor. A Igreja atravessará uma tempestade e tanto, dependendo da índole do Augusto que estiver no poder. Freqüentemente a tolerância trocará de lugar com a perseguição. No período que vai do ano 305 até o ano 324, não haverá paz no Império.
Em 311, Galério, levado por uma terrível doença e por remorsos, assina um edito, rubricado por Licínio e Constantino, encerrando a perseguição no Oriente: primeiro grande triunfo do testemunho dos mártires e prenúncio de novos tempos para a Igreja.
Maximino Daia, a contragosto, liberta os prisioneiros cristãos. Quando Galério morrer, poderá descarregar novamente sua fúria. Medidas discriminatórias, panfletos cheios de calúnias, confissões forjadas, todos os meios serão por ele utilizados para destruir a Igreja. Mas o tempo mostrará a inutilidade de seus esforços.

34. Constantino vencedor

Nascido na Sérvia, por volta do ano 280, Constantino estava destinado a mudar o rumo da História. Filho de Constâncio Cloro e de Helena, educado na corte de Diocleciano, depois de passar tempos junto de Galério, o que não o agradava muito, afastou-se quando seu pai o chamou para uma expedição na Inglaterra.
Alma complexa, reunia em si características contraditórias: ora vigoroso e impetuoso, ora desanimado e influenciável. Às vezes cheio de generosidade e clemência, outras violento e sangüinário, impiedosamente cruel. Humilde e orgulhoso, instável, instintivo, supersticioso. Foi de um ser humano assim que a Providência quis se servir para dar a vitória à Igreja.
Depois que Constâncio Cloro morreu, em 306, as legiões o proclamaram Augusto. Galério, no entanto, fez dele apenas um César. Constantino pasou a ser o detentor de todo o poder no Ocidente, provocando a inveja de Maxêncio, filho de Maximiano.
Constantino se casou com Fausta, irmã de Maxêncio. Advertido por sua esposa de que o sogro (Maximiano) armava uma conspiração para matá-lo, deu um jeito de encontrarem o ex-Augusto enforcado em uma prisão.
Em 311, após a morte de Galério, a situação de Roma fica assim: no Oriente, Maximino Daia e Licínio, no Ocidente, Maxêncio e Constantino.
Maxêncio e Constantino não estavam dispostos a dividir o poder.
Maxêncio, o Augusto, declara-se o único soberano legítimo e sucessor dos imperadores. Em 312, Constantino parte para a batalha. 40 mil ao seu lado contra 100 mil de Maxêncio. O filho de Constâncio cruza os Alpes e toma várias cidades italianas. Em 27 de outubro de 312 já avista de longe a Cidade Eterna. Um dia depois, as tropas do seu inimigo atravessam o Tibre pela ponte de Mílvio. O confronto é deflagrado e as tropas de Constantino saem vitoriosas. O exército de Maxêncio foge em debandada, enquanto este último perece no meio da confusão.
Durante a batalha, Constantino adere ao cristianismo. Segundo alguns invocou Jesus Cristo e por isto obteve a vitória. Para Lactâncio, Constantino teve um êxtase no qual recebeu a ordem de colocar sobre o escudo de suas tropas um sinal formado pelas letras gregas X (chi) e P (rô), iniciais de Cristo. De fato, tal monograma foi encontrado em moedas e inscrições constantinianas.
Eusébio de Cesaréia nos refere outra versão. Instantes antes de enfrentar Maxêncio, o imperador apelou para o Deus dos cristãos, que lhe respondeu através de um sinal celeste: uma cruz luminosa acompanhada da frase: "Com este sinal vencerás". Na noite seguinte, Jesus lhe apareceu e pediu que fizesse da cruz uma insígnia, o Labarum.
Desde então os exércitos de Constantino usaram o Labarum como estandarte.
Para alguns, a "conversão" de Constantino foi apenas uma jogada política, uma tentativa de atrair para o Império a força do cristianismo. No entanto, tal tese é muito simplista. Como a maioria das pessoas da sua época, Constantino tinha obsessão pelo sobrenatural e era muito crédulo. Talvez tenha sido movido pelo medo de um fim trágico, que aguardava todos os que se opunham ao cristianismo. De qualquer jeito, nunca saberemos com certeza o que levou o jovem e impetuoso soldado a render-se diante do crucificado. Resta-nos apenas a constatação dos fatos e de suas conseqüências.

35. O Edito de Milão

Entrando vencedor em Roma, Constantino foi bem acolhido pelo povo e pelos mais abastados. Mandou matar um filho de Maxêncio e alguns de seus amigos. Reparou os aquedutos com dinheiro do próprio bolso. Aceitou sem problemas a bajulação e as honras "divinas" dos seus súditos pagãos, autorizando inclusive a construção de um templo e a fabricação de uma estátua a ele dedicados. A transição da tolerância para a intolerância diante do paganismo será lenta.
Mandou fazer nas moedas o monograma X-P e enviou uma carta a Maximino Daia "convidando-o" a suspender a perseguição. No inverno de 312-313, o tesouro contribuiu para que fossem reconstruídos os edifícios de culto e o papa Milcíades obteve de Fausta o palácio de Latrão.
No começo do ano 313 Constantino se encontra com Licínio em Milão (Licínio acabara de se casar com Constança, irmã de Constantino). Durante dois meses eles conversam sobre diversos pontos de suas políticas e, particularmente, sobre como deve ficar a situação do cristianismo. Destas conversações nasce um acordo que hoje conhecemos como o "Edito de Milão".
Não se trata de nenhum documento especial, mas de um conjunto de cartas de Constantino e Licínio que afirmam o princípio da liberdade religiosa e, por conseguinte, dão aos cristãos pleno direito de professar sua fé "sem receio de ser incomodados".
A Igreja, oficialmente reconhecida, passa a ter direitos: seus lugares de culto, destruídos ou confiscados, devem ser restituídos. As propriedades devem retornar para as mãos dos seus donos cristãos. O cristianismo fica em pé de igualdade com o paganismo, uma religião "lícita". Licet esse Christianos.
Logo chegará o momento, porém, em que o paganismo será definitivamente suplantado pelo cristianismo.

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