[domtotal]
O ser humano tem capacidade para ser diferente e retomar um caminho de credibilidade.
Por Dom Paulo Mendes Peixoto*
O mundo está assustado com tanta corrupção. É incalculável a
vulnerabilidade de quem lida com muito dinheiro. As pessoas não medem o
tamanho das consequências provocadas por atitudes desonestas, injustas e
irresponsáveis. Lesam a dignidade das instituições. Quem sofre com isso
são os mais fracos, que dependem das condições mínimas para
sobrevivência e uma vida digna.
Ainda bem que nem tudo está perdido! Há possibilidade de uma
sociedade diferente, de práticas com mais transparência, com a atuação
de pessoas eticamente bem formadas. Os desonestos deveriam ser punidos
com uma medida nas proporções do roubo praticado. A impunidade é a
principal causa do imbróglio que vemos.
As injustiças dos últimos tempos no mundo, organizadas e maquinadas,
afrontam as instituições, as pessoas e o próprio Deus. Elas estão por
todo lado, em todas as classes da cultura moderna, surtindo efeito
cascata, provocando um adágio muito preocupante: "Fazem assim, porque eu
também não posso fazer?"
A Bíblia fala do valor da semente, quando plantada em terra boa. As
consequências dependem da identidade da semente e da terra onde é
plantada. O dinheiro, em si, é bom. A riqueza, também. O problema é a
conduta de quem administra riquezas monetárias, não as destinando para
os fins para os quais são determinados.
No passado, a infidelidade do povo judeu lhe custou o preço do exílio
na Babilônia. O povo foi punido exemplarmente, fazendo-o restaurar e
revitalizar sua identidade, fragilizada pela desorganização e
descumprimento dos preceitos do Senhor. O ser humano tem capacidade para
ser diferente e retomar um caminho de credibilidade e confiança das
pessoas. O Brasil precisa fazer esse processo.
Portanto, agir coerentemente tem sido desafio para muitos de nossos
dirigentes. Faltam princípios básicos para cimentar uma prática de
honestidade em relação ao que é do povo, da coletividade, e não de
suprir interesses particulares. Estamos em momento de esperança diante
da publicidade e da ação da justiça em relação a algumas pessoas que
depredam, de forma injusta, e desviam bens impróprios, prejudicando a
outros. Que realmente sejam punidos.
*Dom Paulo Mendes Peixoto é arcebispo de Uberaba.
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