De fato, ao suceder uma época a outra, vemos que as opiniões dos homens se sucedem excluindo-se umas às outras e que muitas vezes os erros se dissipam logo ao nascer, como a névoa ao despontar o sol. A Igreja sempre se opôs a estes erros; muitas vezes até os condenou com a maior severidade. Agora, porém, a esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade. Julga satisfazer melhor às necessidades de hoje mostrando a validez da sua doutrina do que renovando condenações.
João XXIII, discurso de abertura do Concílio Vaticano II.
Disse-me [o arcebispo de Dublin] que o Direito Penal eclesiástico funcionou até o final dos anos cinqüenta; certamente, não era completo — era possível criticá-lo em muito –, mas era aplicado em todos os casos. A partir da metade dos anos sessenta, simplesmente já não era mais aplicado. Dominava a convicção de que a Igreja não deve ser uma Igreja de direito, mas uma Igreja de amor; que não deveria punir. Excluia-se, desta forma, o entendimento de que a punição pode ser um ato de amor. Naquela época, mesmo pessoas muito capazes sofreram um estranho obscurecimento do pensamento.
Bento XVI, Luz do Mundo, livro-entrevista com Peter Seewald.
Nenhum comentário:
Postar um comentário