Por Luis Dufaur
| Mons. André-Joseph Léonard, primaz da Bélgica explicou por que não está bem amar “esse espírito franciscano beato que celebra sem matizes a beleza do cosmos”. |
Mons. André-Joseph Léonard, arcebispo resignatário de Bruxelas e
primaz da Bélgica, fez ressalvas a uma falsa interpretação do espírito
de São Francisco de Assis e sua relação com a natureza. O prelado falou
em entrevista a Le Vif/L’Express.
O arcebispo se disse “perplexo” com essa ilação de São Francisco com a
natureza, porque “muitos o admiram pelo fato de que ele cantou a beleza
da natureza e pregou aos pássaros difundindo uma concepção muito
otimista da Criação”.
Mons. Léonard diz que o defeito não está em São Francisco, mas
naqueles que tentam manipular sua imagem para passar uma mensagem
ambientalista enganosa e profundamente danosa.
“Na realidade, a vida dos homens e dos animais é trágica. A vida
animal é uma carnificina, um mata-mata. É muito bonito pregar aos
pássaros, mas quando eles veem um verme na terra, eles o devoram. Quando
um gato vê um rato, ele não lhe faz coisas muito simpáticas!”, observou.
O arcebispo continuou atraindo a atenção dos leitores para a realidade deste vale de lágrimas.
Ele agradece a São Francisco por ter louvado em seu cântico o sol, a lua, as estrelas, a água, o fogo, o vento.
“Bendito sejas nosso irmão vento, exclama ele.
“Embora esse vento – prosseguiu o prelado –, quando sopra a 300 quilômetros por hora, não é um irmão muito cômodo. É antes um inimigo.
“Nosso irmão fogo, a gente o aprecia na lareira esquentando a casa, mas não incendiando as florestas. Felizmente São Francisco não abençoou nossos irmãos crocodilos e serpentes!
“Felizmente ele não disse ‘Louvado sejas Tu, Senhor, por todas as tuas criaturas, especialmente pela minha senhora irmã cobra.
Tu a tens dotado de músculos poderosos, de um veneno ativo e de uma
língua afiada que lhe permite afogar e envenenar sua pequena vítima em
questão de minutos!”.
| “‘Bendito sejas nosso irmão vento’, exclama São Francisco. Embora esse vento – comentou D. Léonard –, quando sopra a 300 quilômetros por hora, é um inimigo”. |
Mons. Léonard esclareceu sua atitude diante da natureza dizendo que
ele é um ardoroso defensor dos versículos 18 e seguintes do capítulo
VIII da carta de São Paulo aos Romanos. Ali está dito que a Criação, em
seu estado atual, ‘foi sujeita à vaidade’ e ‘entregue ao cativeiro da
corrupção’.
“Não esqueçamos nunca isso. São Francisco canta a beleza da Criação, embora ela seja terrivelmente cruel. A Criação nos alimenta, mas também nos mata. Ela contém todos os vírus que envenenam nossa vida. Eu não amo esse espírito franciscano beato que celebra sem matizes a beleza do cosmos”, concluiu o douto arcebispo.
Como que confirmando a prudente observação do arcebispo belga,
viralizou na internet a filmagem do ataque de dois tubarões brancos ao
tricampeão mundial de surfe, o australiano Mick Fanning, que estava
disputando uma final na África do Sul.
Na Austrália, o tubarão branco é bem conhecido como especialmente
assassino, a ponto do governo sistematizar sua caça em águas
territoriais.
| Tubarão branco ataca surfista Mick Fannig na África do Sul. “Não esqueçamos nunca que São Francisco canta a beleza da Criação, embora ela seja terrivelmente cruel. A Criação nos alimenta, mas também nos mata”, lembrou o arcebispo. |
Porém, militantes ambientalistas do gênero utópico e irracional
reprovado por Mons. Léonard promovem manifestações para ‘salvar’ esse
feroz habitante do mar.
Mick sobreviveu ao ataque na praia de Jeffrey’s Bay dando fortes
pontapés no nariz dos predadores assassinos que tentavam mordê-lo.
Chegando lanchas de auxílio, os tubarões fugiram sem fazer mal ao
surfista, noticiou o jornal argentino Clarin.
A final foi suspensa e Mick comemorou o feito fazendo um churrasco para amigos e participantes da competição.
Na falsa ideia da relação de São Francisco com a natureza, ao maltratar os tubarões Mick agiu como inimigo da Criação.
Na ótica correta explicada por Mons. Léonard, o surfista agiu em
perfeita consonância com a ordem natural pregada por São Paulo e o
grande Santo de Assis. Inclusive quando contribuiu para ‘aquecer o
planeta’ com um merecido churrasco!
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