Por Prof. Felipe Aquino
A apologética sempre foi importante em todos os tempos, e hoje também, especialmente pelo surgimento de inúmeras seitas e religiões que arrastam muitas pessoas.
Apologética é uma palavra que vem do
grego, significa “defesa verbal”; é a defesa teológica de uma certa
religião, no sentido de demonstrar a verdade da própria doutrina,
defendendo-a de teses contrárias. Normalmente quando se fala de
apologética, trata-se da defesa fundamentada da religião cristã. Ela
está para a Teologia como a Filosofia está para as Ciências Humanas.
Procura mostrar que a fé católica pode ser aceita e vivida pelos
argumentos da razão. Esta parte da apologética recebeu o nome de
escolástica e foi muito desenvolvida na Idade Média alta.
A apologética desenvolveu-se, sobretudo
no Cristianismo. Ela faz uso dos conceitos teológicos, usando também os
conhecimentos das línguas antigas, da moral, da história, e também das
descobertas da arqueologia, paleontologia e das ciências modernas.
A apologética cristã não é um conjunto de
regras fixas e impessoais, mas a explanação das verdades da fé,
reveladas por Deus sob a direção do Espírito Santo.
Podemos dizer que São Paulo foi um dos
primeiros apologetas da Igreja ao defender o cristianismo; inicialmente
diante dos judeus que o perseguiam em suas viagens apostólica pela
região da Turquia de hoje. Mas também São Paulo foi um grande defensor
da fé cristã junto aos pagãos, não judeus, nessas mesmas viagens,
especialmente em Atenas e Corinto na Grécia, na Macedônia e em Roma. A
teologia católica é baseada fundamentalmente nos quatro Evangelhos e nas
13 Cartas de São Paulo, além das outras Cartas do Novo Testamento,
usando também o Antigo Testamento.
Diante das perseguições dos imperadores
romanos, durante 250 anos, desde Nero (ano 64), até Diocleciano (306),
os primeiros papas da Igreja e os primeiros escritores cristãos,
escreviam livros em defesa da fé católica. Eram as “apologéticas” que os
mártires como Santo Inácio de Antioquia (†107), São Justino (†156), São
Policarpo de Esmirna (†155), Santo Irineu de Lião (†200), além de
outros como Aristides de Atenas (†130), Tertuliano (†220), escreviam
para os imperadores romanos. Eusébio de Cesareia (†340), Santo Atanásio
(†373), Santo Hilário de Poitiers (†367), São Basílio Magno (†369) e
muitos outros Padres da Igreja, da era chamada Patrística, defenderam a
fé cristã.
Nos séculos seguintes foram grande
apologetas os doutores: Santo Agostino (†430), São Jerônimo (†420), São
João Crisóstomo (†407), São João Cassiano (†407), São Leão Magno (†460),
São Pedro Crisólogo (†450) e outros.
Os Padres da Igreja, os gigantes da fé
católica, que defenderam a Igreja contra as inúmeras heresias dos
primeiro séculos, desenvolveram profundamente a apologética na defesa
sistematizada da fé cristã, sua origem, credibilidade, autenticidade e
superioridade em relação às demais religiões e cosmovisões.
Na Patrística, chamam-se apologetas
alguns Padres da Igreja que, sobretudo nos séculos II-V se dedicaram a
escrever apologias ao Cristianismo, usando inclusive a filosofia grega
de Platão, Aristóteles e outros filósofos gregos, que se mostraram
compatíveis com a revelação cristã. Enfrentavam com coragem e lucidez os
filósofos romanos e gregos, pagãos, como o romano Celso, que criticava
severamente o Cristianismo.
O apologeta cristão defende também a
moral de Cristo, e argumenta que, sem valores absolutos, não há razão
para lutar por melhorias na sociedade, ou para condenar os atos de
barbaridade. Mas somente a lei de Deus é perene e não pode ser mudada ao
saber das épocas, das ideologias e dos interesses das pessoas. E essa
constância mostra a sua divindade. Somente Aquele que é perfeito pode
nos dar uma lei perfeita.
Nenhum comentário:
Postar um comentário