segunda-feira, 1 de junho de 2015

Qual a importância da apologética?

[cancaonova]
Por Prof. Felipe Aquino


A apologética sempre foi importante em todos os tempos, e hoje também, especialmente pelo surgimento de inúmeras seitas e religiões que arrastam muitas pessoas.

Apologética é uma palavra que vem do grego, significa “defesa verbal”; é a defesa teológica de uma certa religião, no sentido de demonstrar a verdade da própria doutrina, defendendo-a de teses contrárias. Normalmente quando se fala de apologética, trata-se da defesa fundamentada da religião cristã. Ela está para a Teologia como a Filosofia está para as Ciências Humanas. Procura mostrar que a fé católica pode ser aceita e vivida pelos argumentos da razão. Esta parte da apologética recebeu o nome de escolástica e foi muito desenvolvida na Idade Média alta.
A apologética desenvolveu-se, sobretudo no Cristianismo. Ela faz uso dos conceitos teológicos, usando também os conhecimentos das línguas antigas, da moral, da história, e também das descobertas da arqueologia, paleontologia e das ciências modernas.
A apologética cristã não é um conjunto de regras fixas e impessoais, mas a explanação das verdades da fé, reveladas por Deus sob a direção do Espírito Santo.
Podemos dizer que São Paulo foi um dos primeiros apologetas da Igreja ao defender o cristianismo; inicialmente diante dos judeus que o perseguiam em suas viagens apostólica pela região da Turquia de hoje. Mas também São Paulo foi um grande defensor da fé cristã junto aos pagãos, não judeus, nessas mesmas viagens, especialmente em Atenas e Corinto na Grécia, na Macedônia e em Roma. A teologia católica é baseada fundamentalmente nos quatro Evangelhos e nas 13 Cartas de São Paulo, além das outras Cartas do Novo Testamento, usando também o Antigo Testamento.
Diante das perseguições dos imperadores romanos, durante 250 anos, desde Nero (ano 64), até Diocleciano (306), os primeiros papas da Igreja e os primeiros escritores cristãos, escreviam livros em defesa da fé católica. Eram as “apologéticas” que os mártires como Santo Inácio de Antioquia (†107), São Justino (†156), São Policarpo de Esmirna (†155), Santo Irineu de Lião (†200), além de outros como Aristides de Atenas (†130), Tertuliano (†220), escreviam para os imperadores romanos. Eusébio de Cesareia (†340), Santo Atanásio (†373), Santo Hilário de Poitiers (†367), São Basílio Magno (†369) e muitos outros Padres da Igreja, da era chamada Patrística, defenderam a fé cristã.
Nos séculos seguintes foram grande apologetas os doutores: Santo Agostino (†430), São Jerônimo (†420), São João Crisóstomo (†407), São João Cassiano (†407), São Leão Magno (†460), São Pedro Crisólogo (†450) e outros.
Os Padres da Igreja, os gigantes da fé católica, que defenderam a Igreja contra as inúmeras heresias dos primeiro séculos, desenvolveram profundamente a apologética na defesa sistematizada da fé cristã, sua origem, credibilidade, autenticidade e superioridade em relação às demais religiões e cosmovisões.
Na Patrística, chamam-se apologetas alguns Padres da Igreja que, sobretudo nos séculos II-V se dedicaram a escrever apologias ao Cristianismo, usando inclusive a filosofia grega de Platão, Aristóteles e outros filósofos gregos, que se mostraram compatíveis com a revelação cristã. Enfrentavam com coragem e lucidez os filósofos romanos e gregos, pagãos, como o romano Celso, que criticava severamente o Cristianismo.
O apologeta cristão defende também a moral de Cristo, e argumenta que, sem valores absolutos, não há razão para lutar por melhorias na sociedade, ou para condenar os atos de barbaridade. Mas somente a lei de Deus é perene e não pode ser mudada ao saber das épocas, das ideologias e dos interesses das pessoas. E essa constância mostra a sua divindade. Somente Aquele que é perfeito pode nos dar uma lei perfeita.

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