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A votação irlandesa deve ter efeitos sobre o Sínodo mundial dos bispos. Em Roma, em preparação para o Sínodo, um dia de estudos e o Conselho dos Bispos.
A reportagem é da agência Katholische Presseagentur Österreich, 27-05-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
A atitude em relação aos casais homossexuais, de acordo com o cardeal Walter Kasper,
deve ser um tema do próximo Sínodo mundial dos bispos sobre a família.
Durante o primeiro Sínodo sobre a família, em outubro de 2014, "isso
permaneceu como um tema marginal, mas agora torna-se central", disse
Kasper ao jornal italiano Corriere della Sera.
Sobre essa questão, a Igreja permaneceu em silêncio por muito tempo,
afirma o cardeal curial emérito alemão. No entanto, ele ressaltou que a
identidade cristã do matrimônio não pode se conciliar com a equiparação
com as convivências homossexuais. O Sínodo vai discutir em outubro no Vaticano sobre matrimônio e família por três semanas.
Em relação à votação irlandesa pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo,
ele disse que os Estados democráticos têm o dever de implementar a
vontade do povo. No entanto, o referendo torna mais difícil para a
Igreja a comunicação da sua posição. É evidente que a maioria das
pessoas nos países ocidentais é a favor da equiparação das uniões
sexuais ao matrimônio.
Mas a Igreja não pode mudar a sua rejeição de fundo aos casamentos
entre pessoas do mesmo sexo, porque são contrárias ao Evangelho. O
matrimônio entre homem e mulher continua sendo a única origem para uma
nova vida e para o futuro. "Ao contrário, devemos encontrar uma nova
linguagem", disse Kasper. "Devemos superar a discriminação que tem uma longa tradição na nossa cultura."
São apreciáveis as relações homossexuais estáveis e duradouras, que
contêm "elementos de bem", mas não a equiparação com o matrimônio.
Os efeitos morais de tal passo foram definidos por Kasper
como "enormes". Haveria pesadas consequências para a sociedade. Kasper
indicou, em especial, a problemática da adoção, do bem dos filhos e da
gestação em nome de terceiros.
Nova cultura de diálogo na Igreja
Em uma entrevista ao site romano Vatican Insider, a teóloga francesa Anne-Marie Pelletier, vencedor do Prêmio Ratzinger,
elogiou o fato de que, na Igreja, está se abrindo caminho para uma
cultura de diálogo pré-sinodal mais aberto. Há uma "dinâmica de escuta",
disse a biblista. O magistério eclesial interiorizou o fato de que não
pode expressar as próprias afirmações separadas do pensamento dos fiéis.
A Igreja só continua sendo crível com a disponibilidade de ouvir.
O "alfabeto" da Igreja certamente não pode mudar, mas a linguagem sim, disse Pelletier.
Uma pré-condição, no entanto, é uma atitude diferente em relação ao
mundo que, mesmo sem afetar a fé na mensagem de Jesus, não tema o "risco
do novo". "Se a Igreja, ao término do Sínodo, continuasse afirmando o
sempre disse, seria um fracasso."
Pelletier havia participado em Roma
de um dia de estudo de teólogos e bispos alemães, franceses e suíços em
preparação para o Sínodo. No centro do dia de estudos, organizado pelas
Conferências Episcopais dos três países em vista do Sínodo dos bispos,
havia intervenções sobre matrimônio, família e sexualidade. Portanto, de
acordo com Pelletier, discutiu-se "livre e abertamente" sobre os
desafios postos à Igreja no mundo moderno – dentre outras coisas,
discutiu-se também sobre os divorciados em segunda união e os casais
homossexuais. A jornada de estudo, com cerca de 50 participantes, queria
contribuir, segundo o desejo dos organizadores, com o aprofundamento
dos temas que serão abordados pelo Sínodo.
Presença do papa no Conselho dos Bispos para o Sínodo
Em coincidência com o encontro, o Conselho dos Bispos para o Sínodo, do qual também faz parte o cardeal Christoph Schönborn, discutiu no Vaticano o documento de trabalho que deve constituir a base das discussões de outubro.
O "Instrumentum laboris", depois de uma discussão aprofundada, foi transmitido, junto com algumas propostas de complementação e melhoria, à Secretaria do Sínodo
para a redação final. Ele será traduzido e publicado em poucas semanas,
embora presumivelmente somente depois da esperada encíclica sobre a
ecologia.
O fato de que o próprio Papa Francisco tenha participado das reuniões do Conselho dos Bispos
mostra como é importante para ele o encontro sinodal sobre esse tema
fundamental para o futuro da Igreja e como ele pode ter impacto sobre o
curso futuro do pontificado. Ainda mais depois da realização animada, e
às vezes turbulenta, do Sínodo extraordinário sobre a família de 2014.
O relatório final de 2014 tinha sido uma espécie de compromisso, em
que algumas posições foram formuladas de maneira mais "reticente" e,
para outras, havia sido solicitado um aprofundamento teológico. O modelo
da gradualidade, apresentado por Schönborn, segundo o
qual mesmo em formas de coabitação em contraste com a doutrina católica
podem ser vividos alguns valores da família, não apareceu mais de forma
explícita.
Algumas passagens do texto sobre pontos polêmicos – como o acesso à
comunhão para os divorciados em segunda união ou a atitude para com os
homossexuais – não obtiveram a maioria de dois terços.
Em compensação, o texto, que era o primeiro documento em preparação
para a segunda fase do Sínodo sobre a família, continha uma ampla
descrição da doutrina católica sobre matrimônio e família.
Depois do Sínodo extraordinário, as Igrejas locais tinham enviado, em
resposta a um novo questionário, propostas para a continuação do debate
em Roma. Ao mesmo tempo, cardeais, bispos, teólogos e
leigos comprometidos de todos os ambientes tinham continuado, em planos
diferentes, o debate sobre a relação entre verdade e misericórdia.
O documento de trabalho, que será publicado em breve, deverá dar algumas respostas a respeito.
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