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"Depois de anos de busca espiritual, a conversão completa do Pe.
Zabelka de ser um forte defensor da 'teoria da guerra justa' para se
transformar num pacifista total foi anunciada em uma carta de Natal no
ano de 1975", escreve Tony Magliano, jornalista e colunista de temas de justiça social e paz internacionalmente reconhecido, em artigo publicado por Independent Catholic News, 02-08-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.
Eis o artigo.
Há setenta anos, no dia 6 de agosto de 1945, a arma singular mais
destrutiva já lançada sobre os seres humanos e o meio ambiente – a bomba
atômica – foi posta em ação por um bombardeiro B-29 americano sobre a
cidade japonesa de Hiroshima, matando cerca de 80 mil pessoas.
Três dias depois, uma segunda bomba atômica seria lançada sobre Nagasaki, matando cerca de 40 mil.
“Abençoando” as tripulações e suas duas missões estava o Pe. George Zabelka, capelão para o 509º Grupo Composto – o grupo da bomba atômica. Em uma entrevista à revista Sojourners,
o falecido padre explicou: “Se um soldado vier até mim e perguntar se
pode colocar uma bala na cabeça de uma criança, eu direi a ele que não,
de forma alguma. Isso seria mortalmente pecaminoso”.
Mas em 1945, na Ilha de Tinian no Pacífico Sul, onde o grupo da bomba atômica se encontrava, aviões decolavam o tempo todo, disse Zabelka. “Muitos desses aviões iam para o Japão
com o propósito expresso de matar não uma criança ou um civil, mas de
abater centenas de milhares de crianças e civis – e eu não disse nada
(...)”.
“Sim, eu sabia que vidas de civis estavam sendo destruídas (...) No entanto, nunca preguei um único sermão contra a morte de civis
aos homens que estavam cometendo estes crimes. (...) Fizeram uma
lavagem cerebral em mim! Jamais me passou pela cabeça protestar
publicamente contra as consequências destes ataques aéreos maciços”.
“Me disseram que eles [os ataques] eram necessários; assim me
disseram abertamente os militares e, implicitamente, as minhas
lideranças na Igreja. Até onde eu saiba, nenhum cardeal americano ou
bispo se opôs aos ataques aéreos em massa. Silenciar-se em assuntos como
este, especialmente no caso de um organismo público, como o conjunto
dos bispos americanos, é emitir um selo de aprovação. (...)”
“Os cristãos vêm cometendo massacres
uns aos outros, assim como a não cristãos, nos últimos 1.700 anos, em
grande parte porque os seus padres, pastores e bispos simplesmente não
dizem a eles que a violência e o homicídio são práticas incompatíveis
com os ensinamentos de Jesus”.
Depois de anos de busca espiritual, a conversão completa do Pe. Zabelka
de ser um forte defensor da “teoria da guerra justa” para se
transformar num pacifista total foi anunciada em uma carta de Natal no
ano de 1975: “Devo fazer uma declaração que reverte tudo o que pensei
outrora (...) Cheguei à conclusão de que a verdade do Evangelho é que
Jesus não foi violento e que ensinou a não violência como o seu
caminho”.
Zabelka dedicou o resto de sua vida ao ensino, à pregação e ao testemunho do Evangelho da não violência.
Em 1983, ele e um sacerdote jesuíta, o Pe. Jack Morris, organizaram e participaram da “Bethlehem Peace Pilgrimage” (Peregrinação pela Paz de Bethlehem), que começou na base nuclear submarina em Bangor, Washington, e terminou na véspera de Natal do ano de 1984, em Bethlehem, [condado no mesmo estado americano].
Quando Zabelka veio a Maryland, tive a oportunidade de pessoalmente ouvi-lo partilhar a sua história inspiradora de conversão.
Eu recomendo a leitura de toda a entrevista que ele concedeu à Sojourners, acessando-a neste link.
Sugiro também adquirir o excelente DVD “'Fr George Zabelka: The Reluctant Prophet”, produzido pelo Center for Christian Nonviolence, no seguinte link. Ou assisti-lo aqui no YouTube.
Podemos optar por racionalizar e tolerar a violência e a guerra, ou
podemos ajudar a Deus a construir o seu reino de vida e amor.
No Livro de Deuteronômio, o autor estabelece um
ultimato divino para a humanidade: “ (…) Eu lhe propus a vida ou a
morte, a bênção ou a maldição. Escolha, portanto, a vida, para que você e
seus descendentes possam viver, amando a Javé seu Deus, obedecendo-lhe e
apegando-se a ele (…)”.
Que possamos sempre escolher a vida!
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