
A SOBERBA DE ADÃO E SUA QUEDA
“O homem, não desejou nenhuma natureza má ao comer da árvore proibida, mas cometeu uma ação má ao renunciar ao superior, pois superior a todas as coisas criadas é o Criador, cujo mandado não devia ser descumprido para comer do proibido, ainda que fosse bom, porque renunciando ao superior, se desejava uma coisa boa, mas contra o mandado do Criador. (...) A árvore foi proibida a Adão não porque fosse má, mas porque era bom para o homem estar submetido a Deus. Proibira-o, com efeito, com a finalidade de demonstrar-lhe que a alma racional não tem por natureza ser independente, mas deve estar submetida a Deus e conservar, pela obediência, a ordem da sua salvação e não violá-la pela desobediência. Eis por que a árvore de que proibira comer Ele a chamou de a “árvore da ciência do bem e do mal”[ Gn 2,9], para que, quando o homem o fizesse contra a sua proibição, experimentasse a pena do pecado, e, assim, conhecesse a diferença que há entre o bem da obediência e o mal da desobediência.”
(Santo Agostinho. A Natureza do Bem, editora Sétimo Selo, p. 47.)
“O bem consiste em obedecer a Deus, acreditar nele e observar os seus mandamentos, e isto é vida para o homem; e o mal consiste na desobediência a Deus e isto é a sua morte”.
(S. Ireneu de Lion, Contra as heresias, IV, 39,1)
“Se, desde o começo, o homem se tivesse humilhado e obedecido a Deus guardando o seu mandamento, não teria caído. Depois de sua queda, Deus lhe deu ainda uma ocasião de se arrepender e de obter misericórdia, mas ele ficou de cabeça erguida. Com efeito, Deus veio lhe dizer: Adão, onde estás (Gn 3, 9), isto é, de que glória caíste? E em que vergonha? Depois lhe perguntou: “Por que pecaste? Por que desobedeceste? ”querendo assim que ele dissesse: “Perdoa-me”. Mas onde está este “Perdoa-me?” Não houve humildade nem arrependimento, mas o contrário. O homem replicou: A mulher que tu me deste me enganou (Gn 3, 12). Ele não disse: “Minha mulher”, mas “A mulher que tu me deste”, como se quisesse dizer: “O fardo que me colocaste sobre a cabeça”. É assim, irmãos: quando um homem não se reprova, não acusar nem o próprio Deus. Deus se dirige em seguida à mulher e lhe diz: “Por que não guardaste, também tu o mandamento?”, como se quisesse dizer precisamente: “Tu, pelo menos me dize: “Perdoa-me”, para que tua alma se humilhe e obtenha misericórdia”. Mas ainda aí nada de “Perdoa-me” ! A mulher responde por sua vez: A serpente me enganou (Gn 3,13), como quem quer dizer: “Se ele pecou, qual a minha culpa? “ Que fazeis, infelizes? Fazei pelo menos uma metania[1], reconhecei vossa falta, tende piedade de vossa nudez! Mas nenhum dos dois quis acusar-se, nenhum dos dois demonstrou menor humildade.”
(S. Doroteu de Gaza, Sobre a renúncia, 9)
[1] Na tradição monástica é um gesto no qual o monge inclina-se até o chão, como expressão de respeito por Deus ou por um irmão, ou de arrependimento após uma falta.
“O Senhor Deus disse à mulher: “Porque fizeste isso?” E a mulher respondeu: “A serpente me seduziu e eu comi! (Gn 3,13) Nem a mulher confessa seu pecado, mas o atribiu a outro; desiguais no sexo, iguais na soberba.”
(S.Agostinho, De Genesi ad Litteram, Livro XI, Capítulo XXXV, 48)
(S.Agostinho, De Genesi ad Litteram, Livro XI, Capítulo XXXV, 48)
“Adão mudou do estado em que Deus o formou, mas mudou para pior, por sua iniqüidade.”
(S. Próspero de Aquitânia, Sententiae ex operibus S. Augustini delibatae 226:PL 36, 841)
“Nesse mesmo dia a natureza piorou e viciou-se e, por justíssima separação da árvore da vida, apoderou-se deles a necessidade da morte corporal. Com tal necessidade nascemos todos”
(S. Agostinho, A Cidade de Deus, Tomo II, Livro 13, XXIII)
(S. Agostinho, A Cidade de Deus, Tomo II, Livro 13, XXIII)
“Conseqüentemente, perdeu aquela primeira túnica ou a própria justiça da qual ele caiu; perdeu a vestidura da imortalidade corporal”
(S. Agostinho, Comentário literal ao Gênesis, Livro VI, XXVII, 38)
“Convinha que o pecador fosse vestido com ‘túnicas de pele’ que eram símbolo da mortalidade resultante do pecado, e da sua fragilidade derivada da corrupção da carne.”
(Orígenes, Homi. In Lev. VI, 2; S.C. 286, p. 276/278)
“Comprazida no uso desordenado da própria liberdade e desdenhando servir a Deus, a alma viu-se despojada da primeira sujeição de seu corpo e, por haver livremente abandonado o Senhor superior, não mantinha submisso o servo inferior nem mantinha submissa a si mesma a carne, como teria podido manter sempre, se houvesse permanecido submissa a Deus. A carne começou, então, a desejar contra o espírito” (S. Agostinho, A Cidade de Deus, Tomo II, Livro 13, XIII)
“O sofrimento nesta vida constitui remédio com contra o orgulho, por nos cura da vanglória e da ambição. É por intermédio dele que a força de Deus resplandece nos homens doentes... a dor ensina-nos a distinguir os bens falsos, transitórios, dos verdadeiros, que duram eternamente.”
(S. João Crisóstomo, Consolationes ad Stargir. L.III)
(S. João Crisóstomo, Consolationes ad Stargir. L.III)
http://advhaereses.blogspot.com/2008/02/soberba-foi-o-inicio-da-perdicao.html
Nenhum comentário:
Postar um comentário