O Papa Francisco deverá abrir a segunda assembleia altamente esperada do Sínodo dos Bispos sobre a família no dia 4 de outubro próximo celebrando uma missa com várias centenas de prelados reunidos na Basílica de São Pedro, onde ele provavelmente proferirá uma homilia.
E qual é a leitura do Evangelho a partir
da qual o pontífice irá refletir naquele dia, segundo informação
fornecida pelo lecionário católico universal? A condenação aparentemente
inequívoca de Jesus sobre o divórcio.
A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 27-08-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.
Esta leitura, observada primeiramente pelo jornalista italiano Sandro Magister
na terça-feira, apresenta uma confluência interessante, já que uma das
problemáticas que os bispos deverão debater são as possíveis mudanças na
prática pastoral da Igreja para com os fiéis divorciados e novamente casados.
Este encontro mundial de bispos, conhecido como Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, ou simplesmente Sínodo, é o segundo de dois que o papa convocou para 2014 e 2015.
O cardeal alemão Walter Kasper introduziu a ideia de flexibilização das restrições para com os divorciados e recasados no Sínodo do ano passado, sugerindo a criação de uma espécie de caminho penitencial que pudesse permitir a eles participar da Sagrada Comunhão após um período de arrependimento do primeiro casamento.
Essa ideia, apoiada por uma série de
outros representantes cardinalícios, encontrou forte resistência por
parte daqueles que se preocupam em não deixar cair o ensinamento
católico sobre a indissolubilidade do matrimônio.
A edição do Sínodo deste ano realizar-se-á entre os dias 4 e 25 de outubro. Será aberta com uma missa no dia 4, que é o dia em que igualmente se celebra a festa de São Francisco de Assis,
santo do século XIII. A homilia do papa será, portanto, analisada por
muitos observadores como um possível sinal para aquilo que ele – o Papa Francisco – espera dos debates entre os prelados.
A leitura do Evangelho segundo o Lecionário de 4 de outubro é tirada de uma passagem em Marcos. Nela, Jesus é testado por alguns fariseus que lhe perguntam se é lícito a um marido se divorciar de sua mulher.
“Portanto, o que Deus uniu, o homem não
deve separar”. Jesus é citado respondendo: “O homem que se divorciar de
sua mulher e se casar com outra, cometerá adultério contra a primeira
mulher. E se a mulher se divorciar do seu marido e se casar com outro
homem, ela cometerá adultério”.
Alguns poderão querer debater o significado deste texto evangélico. Ainda que Marcos seja amplamente considerado como o primeiro dos quatro Evangelhos a ter sido concluído, é comum pensar que ele foi escrito muitas décadas após a morte de Jesus.
Sandro Magister, que escreveu sobre esta leitura bíblica num blog da revista italiana l’Espresso, acha que o seu significado é bem claro.
A primeira pessoa a falar no Sínodo, escreveu ele, “será o Espírito Santo, com a voz – na verdade, o rugir – do Evangelho de Marcos”.
E continuou: “Os que defendem a Comunhão aos divorciados e recasados
(que na verdade é uma brecha para a legitimação do divórcio) terão,
pois, algumas dificuldades em ignorar estas palavras bastante claras, e
mesmo inconfundíveis, de Jesus, que são, do ponto de vista deles, tão
impiedosas para os ‘duros de coração’”.
“Para refrescar a memória de todos – tocando de novo no primeiro dia do Sínodo, em todas as igrejas do mundo – haverá o rugido do leão evangélico”, disse Magister, fazendo referência à representação animal típica deste autor evangélico.
Nenhum comentário:
Postar um comentário