terça-feira, 21 de março de 2023

Pílula anticoncepcional: um “veneno” para as mulheres

Neste texto sobre os malefícios dos anticoncepcionais, uma coisa fica bem clara: a pílula não trata doença alguma. Na verdade, a ginecologia é a única área da medicina em que uma só medicação é prescrita para quase toda a gama de suas doenças.

 


Por Dra. Joana Campolina

Fonte - padrepauloricardo

 

O texto a seguir, de autoria da Dra. Joana Campolina, elenca os malefícios dos anticoncepcionais, deixando claro para as mulheres: eles não tratam doença ginecológica alguma. Esta publicação é inédita e foi escrita em formato de perguntas e respostas para facilitar a leitura e a compreensão. No final, a médica deixa uma extensa bibliografia para consulta e aprofundamento.

A Dra. Joana Campolina é ginecologista formada pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP); possui título de especialista pela FEBRASGO e formação em NaPro TECHNOLOGY pelo Saint Paul VI Institute e pela Creighton University (Creighton Medical Consultant).

1. O que é o anticoncepcional?

A pílula anticoncepcional é um hormônio (ou uma combinação de hormônios) feminino sintético, ou seja, produzido em laboratório e diferente daqueles que o corpo da mulher produz.

Em circunstâncias habituais, a fertilidade feminina é comandada por uma cascata de hormônios que vão atuando em conjunto e harmonicamente, cada qual a seu tempo, para que todas as etapas do ciclo feminino ocorram em sincronia: o crescimento do folículo ovariano, a sua ruptura para a liberação do óvulo, o movimento das tubas para captar esse gameta, a produção do muco fértil (que guia os espermatozoides até o óvulo) e o crescimento do endométrio (a camada interna do útero, que recebe o embrião como um terreno fértil, para proporcionar seu desenvolvimento). Esses hormônios não são estáveis e constantes durante o ciclo todo, mas sua produção é altamente variável: aumentam e diminuem, e é essa variação que faz a fertilidade feminina funcionar.

Quando a mulher usa a pílula anticoncepcional, seu corpo fica inundado de hormônios femininos sintéticos, numa dose alta e constante. Isso engana seu sistema nervoso central, que, ao perceber um excesso dessas substâncias circulantes no sangue, desliga sua cascata de hormônios naturais e toda essa sinfonia da fertilidade é desligada. 

A pílula anticoncepcional impede a gestação de diversas formas: com os hormônios naturais desligados, a ovulação é inibida e o muco cervical não é produzido adequadamente, o que dificulta o encontro dos gametas. No entanto, a pílula pode ter também um efeito pós-concepcional. Sabe-se que podem ocorrer escapes ovulatórios e, consequentemente, a fecundação e a formação do embrião, uma nova vida com material genético próprio e único. Esse embrião, concebido na tuba uterina, chega ao interior do útero após sete dias da concepção e encontra um endométrio modificado pela pílula, incapaz de recebê-lo para a implantação. O que deveria ser um terreno fértil para o desenvolvimento do bebê em seus primeiros dias, torna-se um terreno hostil à sua sobrevivência. Esse é o chamado aborto oculto, efeito descrito na própria bula destas medicações, mas infelizmente muitas vezes não informado às mulheres [cf. referências i, ii, iii e iv].

O conhecimento desse efeito abortivo é de fundamental importância, pois tem sérias implicações morais, mesmo para um suposto “tratamento clínico” de patologias ginecológicas [cf. v e vi].

2. Como a pílula pode afetar a saúde da mulher?

Os efeitos negativos da pílula anticoncepcional são decorrentes tanto do excesso de hormônios sintéticos em seu organismo, como também da inibição de seus hormônios naturais e de sua fertilidade. Alguns desses efeitos já foram bem documentados em pesquisas científicas:

a) Aumento do risco cardiovascular: a pílula anticoncepcional aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio, de acidente vascular cerebral e trombose. Uma pesquisa recente mostrou que o risco de infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral isquêmico foi 60% maior em mulheres usando contraceptivos orais [v]. Há também evidências de alterações na pressão arterial associadas às mudanças no organismo provocadas pelos diferentes tipos de contraceptivos hormonais [vii].

b) Aumento do risco de trombose: estima-se que o risco de trombose seja de três a seis vezes maior entre as usuárias de contraceptivos orais, quando comparado a mulheres que não os utilizam [viii, ix]. Acreditava-se que tal efeito colateral estaria relacionado às altas doses hormonais dos anticoncepcionais de primeira geração. Porém, alguns estudos mostraram um risco aumentado mesmo para contraceptivos de baixas dosagens e de terceira geração [xxiv, xxv].

c) Aumento do risco de cânceres, principalmente os de mama, fígado e colo uterino: o câncer cervical é causado por certos tipos de vírus, chamados papilomavírus humano (HPV). O uso de anticoncepcional parece acelerar a evolução de infecção persistente por HPV para câncer cervical [x, xxvi].

Em relação ao câncer de mama, um grande estudo realizado na Dinamarca seguiu 1,8 milhões de mulheres em idade reprodutiva por 10,9 anos; 11.517 casos de câncer de mama foram avaliados. Esse estudo mostrou um risco 20% maior de câncer de mama nas usuárias de contraceptivos orais. O risco foi proporcional ao tempo de uso da medicação [xi, xii, xiii, xiv].

d) Alterações metabólicas e nutricionais: estudos levam a crer que, mesmo em baixas dosagens, os contraceptivos orais contribuem para modificar o metabolismo do colesterol e da insulina. Tal desbalanço metabólico pode aumentar o risco cardiovascular, como já descrito. Além disso, altera níveis de micronutrientes, como vitaminas do complexo B, vitamina C, cálcio, magnésio, zinco e cobre [xv, xvi, xvii, xviii, xix].

e) Perda de massa magra e massa óssea: a supressão hormonal, principalmente do estrogênio e da testosterona, predispõe a uma mudança corporal, com diminuição de massa magra e massa óssea, e aumento de tecido adiposo [xviii, xix].

f) Diminuição da libido e prejuízo na relação conjugal: o uso da pílula reduz os níveis de testosterona, que é o hormônio regulador do desejo sexual nas mulheres — e essa redução pode permanecer por até um ano após a interrupção da pílula [xx].

g) Efeitos a longo prazo na fertilidade feminina: um estudo realizado na Inglaterra, com mais de 3 mil mulheres, evidenciou que as usuárias da pílula anticoncepcional demoraram duas vezes mais para alcançar a gestação; e a dificuldade de engravidar foi proporcional ao tempo de uso do contraceptivo [xxi].

h) Aumento na incidência de depressão e suicídio: um grande estudo publicado na Dinamarca em 2016 avaliou mais de 1 milhão de mulheres, e associou o uso do anticoncepcional oral ao desenvolvimento de depressão. Em alguns grupos da pesquisa, o risco de desenvolvimento de depressão chegou a ser 120% maior em relação ao grupo controle [xxi]. Um segundo estudo, também publicado na Dinamarca, em 2017, relacionou o uso do anticoncepcional ao risco de tentativa de suicídio. Cerca de meio milhão de mulheres foram acompanhadas ao longo de 8 anos e verificou-se que tal risco chegou a ser 200% maior nos grupos em que havia o uso da pílula [xxii, xxiii].

3. Mas e quando a pílula é prescrita para “tratamento”?

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a pílula anticoncepcional não é capaz de tratar verdadeiramente nenhuma afecção ginecológica. Seu principal efeito é silenciar os sintomas, ao desligar a fertilidade da mulher. Por causa disso, é comum que ela seja utilizada em quase todas as queixas ginecológicas: cólicas, ciclos irregulares, sangramento em excesso, sangramento de menos, TPM, entre outros.  A ginecologia é a única área da medicina em que uma única medicação é prescrita para quase toda a gama de suas doenças. É extremamente comum que meninas iniciem o uso de anticoncepcional logo após menstruar, por alguma queixa não investigada. E que passem anos de sua vida utilizando essa medicação, pensando que tudo está bem, pois os sintomas melhoraram e o sangramento está regular (sim, pois a mulher que utiliza a pílula não menstrua verdadeiramente: trata-se de um ciclo falso e de um sangramento de escape regular). 

Mas qual o problema dessa situação? A causa real do sintoma não foi investigada nem tratada, apenas mascarada pela pílula. Muitas vezes, a situação pode agravar-se silenciosamente, sem que a mulher perceba, por estar inibida pelo contraceptivo. Sabemos hoje que é fundamental o diagnóstico precoce de algumas patologias ginecológicas, como a endometriose e a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), e muitas vezes esse timing é perdido, devido aos anos de uso do anticoncepcional. Quando a mulher já recebe pílula desde a adolescência, dificilmente vai notar algum sintoma que possa levar ao seu diagnóstico. Além disso, a pílula anticoncepcional também pode agravar determinadas circunstâncias envolvidas na gênese dessas doenças.

Podemos citar como exemplo a SOP. Trata-se de uma doença que envolve todo o organismo e que possui manifestações na fertilidade feminina. Tem causas genéticas, inflamatórias, metabólicas e hormonais. Geralmente está ligada ao excesso de insulina, estrogênio e de hormônios masculinos. Esse desbalanço é causa de uma série de consequências para o corpo da mulher e uma delas é a supressão da ovulação (situação que chamamos de anovulação), o que pode gerar ciclos muito longos, sangramento anormal e até dificuldade para engravidar. 

Mas as alterações ovarianas e a anovulação são apenas sintomas de uma síndrome maior. A SOP não é uma doença dos ovários, mas uma doença sistêmica (isto é, de todo o organismo) que se manifesta nos ovários. E usar uma pílula anticoncepcional não tratará verdadeiramente essa síndrome: apenas fará com que esta mulher sangre mensalmente. Mas todas as suas repercussões metabólicas e inflamatórias continuarão existindo. E pior: podem ser agravadas pela pílula, já que ela piora a resistência insulínica, piora o padrão metabólico, altera a composição corporal (diminuindo massa magra e aumentando percentual de gordura corporal) e piora a inflamação crônica subclínica (aumentando a permeabilidade intestinal e a absorção de toxinas).

A longo prazo, essas alterações não tratadas podem acabar evoluindo para quadros mais graves, como diabetes ou uma doença cardiovascular. Por isso, o tratamento da SOP não pode se resumir apenas em fazer a mulher sangrar mensalmente; é preciso corrigir verdadeiramente todas as repercussões sistêmicas da síndrome e restabelecer a função hormonal da mulher (ao invés de inibi-la!). O retorno da ovulação e da fertilidade será consequência do organismo funcionando em harmonia. Tratar a mulher dessa forma proporciona um cuidado integral de sua saúde, livrando-a dos riscos do anticoncepcional e restabelecendo sua fertilidade.

4. O que fazer, então, quando meu ginecologista prescreve a pílula?

Seja protagonista no cuidado de sua saúde, buscando informações atualizadas, estudando sobre seus sintomas e diagnósticos. Isso também significa buscar uma vida saudável, com dieta equilibrada, exercícios físicos regulares, um sono restaurador e diminuição do estresse. Muitas vezes só o cuidado com o estilo de vida já é suficiente para resolver vários quadros de saúde.

Procure também médicos compromissados em tratar verdadeiramente a saúde e a fertilidade, de preferência ginecologistas que trabalhem com métodos naturais (como o Método de Ovulação Billings, o Creighton Model System e a NaPro TECHNOLOGY).

Referências

  1. Nicholas Tonti-Filippini. “The Pill: Abortifacient or Contraceptive? A Literature Review”. The Linacre Quarterly, v. 62, n. 1, p. 5–28, 1995.
  2. Stephen G. Somkuti; Jinghai Sun; Charles W. Yowell; et al. “The effect of oral contraceptive pills on markers of endometrial receptivity”. Fertility and Sterility, v. 65, n. 3, p. 484–488, 1996.
  3. V. Chowdhury; U. M. Joshi; K. Gopalkrishna; et al. “‘Escape’ ovulation in women due to the missing of low dose combination oral contraceptive pills”. Contraception, v. 22, n. 3, p. 241–247, 1980.
  4. Rebecca Peck; Walter Rella; Julio Tudela; et al. “Does Levonorgestrel Emergency Contraceptive have a Post-Fertilization Effect? A Review of its Mechanism of Action”. The Linacre Quarterly, v. 83, n. 1, p. 35–51, 2016.
  5. David J. Hilger; Kathleen M. Raviele; Teresa A. Hilgers. “Hormonal Contraception and the Informed Consent*”. The Linacre Quarterly, v. 85, n. 4, p. 375–384, 2018.
  6. W. L. Larimore. “Postfertilization Effects of Oral Contraceptives and Their Relationship to Informed Consent”. Archives of Family Medicine, v. 9, n. 2, p. 126–133, 2000.
  7. Cristiane Crisp Martins Ribeiro; Antonieta Keiko Kakuda Shimo; Maria Helena Baena De Moraes Lopes; et al. “Effects of different hormonal contraceptives in women’s blood pressure values”. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 71, n. suppl 3, p. 1453–1459, 2018.
  8. Josiene Evangelista Silva; Kamila Dos Santos Santana; Jucélia Da Silva Nunes; et al. “A relação entre o uso de anticoncepcionais orais e a ocorrência de trombose”. Revista Científica FAEMA, v. 9, n. 1, p. 383, 2018.
  9. F. R. Rosendaal; A. Van Hylckama Vlieg; B. C. Tanis; et al. “Estrogens, progestogens and thrombosis”. Journal of Thrombosis and Haemostasis, v. 1, n. 7, p. 1371–1380, 2003.
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  11. Lina S. Mørch; Charlotte W. Skovlund; Philip C. Hannaford; et al. “Contemporary Hormonal Contraception and the Risk of Breast Cancer”. New England Journal of Medicine, v. 377, n. 23, p. 2228–2239, 2017.
  12. Elisabeth F. Beaber; Diana S. M. Buist; William E. Barlow; et al. “Recent Oral Contraceptive Use by Formulation and Breast Cancer Risk among Women 20 to 49 Years of Age”. Cancer Research, v. 74, n. 15, p. 4078–4089, 2014.
  13. David J. Hunter; Graham A. Colditz; Susan E. Hankinson; et al. “Oral Contraceptive Use and Breast Cancer: A Prospective Study of Young Women”. Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention, v. 19, n. 10, p. 2496–2502, 2010.
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  26. Organização Mundial da Saúde. Planejamento Familiar: um Manual Global para Profissionais e Serviços de Saúde. Genebra: Organização Mundial de Saúde, 2007.           

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