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Resposta — Quis manter os elogios do missivista, embora não me veja obrigado a concordar com eles, porque revelam a triste situação em que se encontra hoje a Santa Igreja. Infelizmente muitos sacerdotes se deixaram influenciar pela teologia progressista, e com isso os fiéis, com certa freqüência, têm dificuldade de encontrar quem lhes ofereça a doutrina católica tradicional. Quando encontram alguém, e que possa fazê-lo, por vezes exultam. Antes que a peste do progressismo tivesse invadido os meios católicos, os fiéis encontravam normalmente sacerdotes que os orientavam com segurança nas vias sacrossantas da fé católica.
Feita esta observação inicial, passo a responder, na medida de minhas possibilidades, as perguntas do consulente.
A coragem do bom ladrão na cruz
Se os protestantes, como diz o missivista, vêem na atitude do bom ladrão apenas um ato de fé, a sola fide — que para eles é a condição necessária e suficiente para a salvação — dão uma nova demonstração de sua vesguice habitual na interpretação das Sagradas Escrituras. Basta ler, atento ao contexto, a descrição que São Lucas faz da cena (cap. 23, vv. 35-43):
O mau ladrão repercutia o que diziam os príncipes dos sacerdotes, com o povo, escarnecendo de Jesus: “Salvou os outros, salve-se a si mesmo, se é o Cristo, o escolhido de Deus” (Lc 23, 35). Interesseiro, porque pensava apenas em salvar a própria vida, o mau ladrão participa dos insultos do populacho e repete: “Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo e a nós” (v. 39).
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Portanto, o ato de comiseração do bom ladrão não se resume a um ato de arrependimento e de fé. É, ao mesmo tempo, um ato de justiça, de caridade e de coragem heróica — as boas obras de que fala São Tiago — que mereceu a resposta de Jesus: “Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso” (v. 43).
Querer ver nisso a sola fide é realmente uma tremenda vesguice, que caracteriza os infelizes discípulos de Lutero, como dissemos de início.
A intercessão do rico Epulão era inócua
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Não é portanto qualquer intercessão que é atendida por Deus. A doutrina da Igreja ensina que, nesta Terra, a intercessão de uns pelos outros perante Deus é válida, como também o é a intercessão dos Santos no Céu por nós na Terra. E ainda a nossa intercessão em favor das almas que estão no Purgatório, porque a comunicação de graças entre o Céu, o Purgatório e a Terra é possível. Mas entre Lázaro e Epulão havia um abismo intransponível — como salienta o evangelho de São Lucas — de modo que a intercessão do rico no inferno, em favor de seus irmãos na Terra, era impossível e inócua.
A parábola do rico Epulão não é pois argumento válido para negar a doutrina da intercessão, como a Igreja nos ensina no dogma da Comunhão dos Santos.
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