sexta-feira, 13 de maio de 2011

CONFISSÕES DE SANTO AGOSTINHO - Parte 31

CAPÍTULO X
Que fazia Deus antes da criação


  Com certeza ainda estão cheios do erro do velho homem os que nos dizem: “Que fazia Deus antes de criar o céu e a terra?” – Se estava ocioso, se nada fazia, porque não continuou a se abster sempre de qualquer ação? Se em Deus apareceu um movimento novo, uma vontade nova de dar o ser ao que ainda não tinhacriado, como falar de uma verdadeira eternidade se nela nasce uma vontade que não existia antes?
Mas a  vontade de Deus não é uma criatura, ela é anterior a toda criatura; nenhuma criação seria possível se a vontade do Criador não a precedesse. A vontade, portanto, pertence à própria substância de Deus. Logo, se na substância de Deus nasce algo que antes não existia, não se pode mais com verdade chamá-la eterna. E se, desde toda eternidade, Deus quis a existência da criatura, por que a criatura também não é eterna?

CAPÍTULO XI
Tempo e eternidade


  Os que assim falam não te compreendem ainda, ó Sabedoria de Deus, luz das inteligências; não compreendem ainda como é criado o que é criado por ti e em ti. Esforçam-se por saborear as coisas eternas, mas seu espírito voa ainda sobre as realidades passadas e futuras. Quem poderá deter esse pensamento, quem o fixará por um momento, para que tenha um rápido vislumbre do esplendor da eternidade  imutável, e a compare com os tempos impermanentes, para perceber que qualquer comparação é impossível? Então veria que a sucessão dos tempos não é feita senão de uma seqüência infindável de instantes, que não podem
ser simultâneos; que, pelo contrário, na eternidade, nada é sucessivo, tudo é presente, enquanto o tempo não pode ser de todo presente. Veria que todo o passado é repelido pelo futuro, que todo futuro segue o passado, que tanto o passado como o futuro tiram seu ser e seu curso daquele que é sempre presente. Quem poderá deter a inteligência do homem para que pare e veja como a eternidade imóvel, que não é futura nem passada, determina o futuro e o passado? Acaso poderá realizar isso minha mão? Ou esta minha língua, com a palavra, poderia realizar tal obra? 

CAPÍTULO XII
Deus antes da criação


  Eis minha resposta à questão: “Que fazia Deus antes de criar o céu e a terra?” – não responderei jocosamente como alguém para contornar a dificuldade do problema: “Preparava o inferno para os que perscrutam esses mistérios profundos”. – Uma coisa é compreender e outra é brincar. Não, essa não será minha resposta. Prefiro dizer: “Não sei” – pois de fato não sei, que ridicularizar quem faz pergunta tão profunda, ou louvar quem responde com sofismas. 
  Mas eu digo que tu, meu Deus, és o Criador de toda criatura; e, se por céu e terra se entende toda criatura, não temo afirmar: “Antes que Deus criasse o céu e a terra, nada fazia. De fato, se tivesse feito alguma coisa, o que poderia ser senão uma criatura? Oxalá eu soubesse tudo o que desejo saber, como sei que nenhuma criatura foi criada antes da criação. 

CAPÍTULO XIII
O tempo antes da criação 


  Se algum espírito leviano, vagando por tempos imaginários anteriores à criação, se admirar que o Deus Todo-Poderoso, tu, que criaste e conservas todas as coisas, ó autor do céu e da terra, tenha-te mantido inativo até o dia da criação, por séculos sem conta, que esse desperte e tome consciência do erra que gera sua admiração. Como, pois, poderiam transcorrer os séculos se tu, criador, ainda não os tinha criado? E poderia o tempo fluir se não existisse? E como poderiam os séculos passar, se jamais houvessem existido? Portanto, como és o criador de todos os tempos – se é que houve algum tempo antes da criação do céu e da terra – como se pode afirmar que ficaste ocioso? Pois também criaste esse mesmo tempo, e este não poderia passar antes que o criasses. 
  Se porém, antes do céu e da terra não havia tempo algum, porque perguntam o que fazias então? Não poderia haver então se não existia o tempo. 
  Não é no tempo que és anterior ao tempo: de outro modo não precederias a todos os tempos. Precedes porém a todo o passado na altura de tua eternidade sempre presente; dominas todo o futuro porque está porvir e que, quando chegar, já será passado. Contudo, tu és sempre o mesmo, e teus anos não passam jamais. Teus anos não vão nem vêm; mas os nossos vão e vêm, para que todos possam existir. Teus anos existem simultaneamente, pois não fluem; não passam, não são expulsos pelos que vêm, porque não passam. Os nossos, ao contrário, só existirão todos quando não mais existirem. Teus anos são como um só dia, e teu dia não é uma repetição cotidiana, é um perpétuo hoje, porque teu hoje não cede o lugar ao amanhã e nem sucede ao ontem. Teu hoje é a eternidade. Por isso geraste um filho coeterno, a quem disseste: “Hoje te gerei” – Todos os tempos são obra tua, e tu existes antes de todos os tempos; é pois inconcebível que tenha existido tempo quando o tempo ainda não existia. 

CAPÍTULO XIV
Que é o tempo?


  Não houve, pois, tempo algum em que nada fizesses, pois fizeste o próprio tempo. E nenhum tempo pode ser coeterno contigo, pois és imutável; se, o tempo também o fosse, não seria tempo. Que é pois o tempo? Quem poderia explicá-lo de maneira breve e fácil? Quem pode concebê-lo, mesmo no pensamento, com bastante clareza para exprimir a idéia com palavras? E no entanto, haverá noção mais familiar e mais conhecida usada em nossas conversações? Quando falamos dele, certamente compreendemos o que dizemos; o mesmo acontece quando ouvimos alguém falar do tempo. Que é, pois, o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; mas se quiser explicar a quem indaga, já não sei. Contudo, afirmo com certeza e sei que, se nada passasse, não haveria tempo passado; que se não houvesse os acontecimentos, não haveria
tempo futuro; e que se nada existisse agora, não haveria tempo presente. Como então podem existir esses dois tempos, o passado e o futuro, se o passado já não existe e se o futuro ainda não chegou? Quanto ao presente, se continuasse sempre presente e não passasse ao pretérito, não seria tempo, mas eternidade. Portanto, se o presente, para ser tempo, deve tornar-se passado, como podemos afirmar que existe, se sua razão de ser é aquela pela qual deixará de existir? Por isso, o que nos permite afirmar que o tempo existe é a sua tendência para não existir. 

CAPÍTULO XV
Tempo longo, tempo breve


  No entanto, dizemos que o tempo é longo ou breve, o que só podemos dizer do passado e do futuro. Chamamos longo, digamos, os cem anos passados, e longo também os cem anos posteriores ao presente; um passado curto para nós, seriam os dez dias anteriores a hoje, e breve futuro, os dez dias seguintes. Mas como pode ser longo ou curto o que não existe? O passado não existe mais e o futuro não existe ainda. Por isso não deveríamos dizer “o passado é longo” – mas o passado “foi longo” – e o futuro “será longo”. 
  Senhor, que és a minha luz, tua verdade não escarnecerá também nisso o homem? Esse tempo passado, foi longo quando já havia passado ou quando ainda estava presente? Porque ele só podia ser longo enquanto existia alguma coisa que pudesse ser longa. Mas uma vez passado, não existia mais: donde se conclui que não podia ser longo, porque já deixara de existir. Não digamos, portanto: “O tempo passado foi longo” – pois não encontraremos nada que pudesse ter sido longo; uma vez passado não existe mais. Mas digamos: “O tempo presente foi longo” – porque só era longo enquanto presente. Ainda não havia passado, ainda não havia deixado de existir, e por isso era susceptível de ser longo. Mas logo que passou, deixou de ser longo, porque cessou de existir. 
  Mas vejamos, ó alma humana, se o tempo presente pode ser longo, porque foi-te dada a prerrogativa de perceber e medir os momentos. Que me respondes? Por acaso cem anos presentes são um tempo longo? Consideremos antes se cem anos podem ser presentes. Se for o primeiro ano que corre, está presente; mas os outros noventa e nove ainda são futuros, e portanto ainda não existem. Se estamos no segundo ano, já temos um ano passado, o segundo presente e todos os outros no futuro. Desse período de cem anos, seja qual for o ano que supomos presente, todos os que o precederam serão passados, e todos os que estão por vir, futuros. Portanto, os cem anos não podem estar simultaneamente presentes.
  Vejamos agora se, pelo menos, o ano em curso é presente. Se estamos no primeiro mês, os outros são futuros. Como acima, se estamos no segundo, o primeiro será passado, e os demais, futuros. Assim o ano que corre não está todo presente; e como não está todo presente, não é portanto verdade dizer-se que o ano esteja presente. Um ano compõe-se de doze meses, e seja qual for o mês considerado, será o único em curso. Mas o mês em curso não é presente, mas somente o dia. Vale o que dissemos antes: se estamos no primeiro dia, todos os outros são futuros; se estamos no último, todos os outros são passados; se estamos entre um desses dois dias, esse dia está entre os dias passados e os futuros. 
  Eis, portanto, esse tempo presente, o único que julgávamos poder chamar de longo, reduzido ao espaço de um só dia. Mas, examinemos esse único dia, porque nem mesmo ele é todo presente. Compõe-se de dia e noite, num total de vinte e quatro horas; relativamente à primeira hora, todas as outras são futuras; em relação à última hora, todas as outras são passadas; cada hora intermediaria tem atrás de si horas passadas e diante de si horas futuras. Mas também essa única hora é composta de fugitivos instantes; tudo o que dela correu é
passado, e tudo o que ainda lhe resta é futuro. 
  Se pudermos conceber um lapso de tempo que não possa ser subdividido em frações, por menores que sejam, só essa fração poderá ser chamada de presente, mas sua passagem do futuro para o passado seria tão rápida, que não teria nenhuma duração. Se a tivesse, dividir-se-ia em passado e futuro, mas o presente não em duração alguma.
  Qual seria pois, o tempo que podemos chamar de longo? Seria acaso o futuro? mas nós não dizemos que o futuro é longo, porque ainda não existe, e por isso não pode ser longo. Dizemos: “Será longo”. E quando se dará? Se atualmente ele ainda está no porvir, não pode ser longo: não existindo ainda, não pode ser longo. Mas somente poderá ser longo na hora em que emergir do futuro, que ainda não existe, em que começar a ser e a se tornar presente, de modo que possa ser longo. Nesse caso o presente nos clama, pelo que acima dissemos, que ele não pode ser longo. 

CAPÍTULO XVI
A medida do presente


  E, contudo, Senhor, percebemos os intervalos de tempos, os comparamos entre si, e dizemos que uns são mais longos e outros mais breves. Medimos também o quanto uma duração é maior ou menor que outra, e respondemos que esta é o dobro ou o triplo de outra; que aquela é simples, ou que ambas são iguais. Mas é o tempo que passa que medimos quando o percebemos passar. Quanto ao passado, que não existe mais, e o futuro que não existe ainda, quem poderá medi-los, a menos que ouse afirmar que o nada pode ser medido? Assim, quando o tempo passa, pode ser percebido e medido. Porém quando já decorreu, ninguém o pode mentir ou sentir, porque já não existe.

CAPÍTULO XVII
O passado e o presente


  Pai, apenas pergunto, não estou afirmando; meu Deus, ajuda-me, dirige-me. Quem ousaria afirmar que não existe três tempos, como aprendemos na infância e como ensinamos às crianças, o passado, o presente e o futuro? será que só o presente existe, porque os demais, o passado e o futuro, não existem? Ou será que eles também existem, e então o presente provém de algum lugar oculto, quando de futuro se torna presente, e também se retira para outro esconderijo, quando de presente se torna passado? E os que predisseram o futuro, onde o viram, se ele ainda não existe? É impossível ver-se o que não existe. E os que narram o passado diriam mentiras se não vissem os acontecimentos com o espírito. Ora, se esse passado não tivesse existência alguma, seria absolutamente impossível vê-lo. Por conseguinte, o futuro e o passado também existem.

CAPÍTULO XVIII
As previsões


  Permite-me, Senhor, que eu leve adiante minhas investigações, tu que és minha esperança; faze que minha tentativa não seja perturbada. Se o futuro e o passado existem, quero saber onde estão. Se ainda não posso compreender, sei todavia que, onde quer que estejam, não existem nem como futuro, nem como passado, mas apenas como presente. Se também ali estiver enquanto futuro, então ainda não existirá; se o passado aí estiver como passado, já não estará lá. Portanto, no lugar e no modo que estiverem, só podem existir como presentes. Quando relatamos acontecimentos verídicos do passado, o que vêm à nossa memória não são os fatos em si, que já deixaram de existir, mas as palavras que exprimem as imagens dos fatos, que, através de nossos sentidos, gravaram em nosso espírito suas pegadas. Minha infância, por exemplo, que não existe
mais, pertence a um passado que também desapareceu; mas quando eu a evoco e passo a relatá-la, vejo suas imagens no presente, imagens que ainda estão na minha memória. E a predição do futuro, meu Deus, seguiria um processo análogo? Os fatos que ainda não existem, serão representados antecipadamente em nosso espírito como imagens já existentes? Eu o ignoro. O que sei é que habitualmente premeditamos nossas ações futuras, e que essa premeditação pertence ao presente, enquanto esta começará a existir, pois então não será mais futura, mas presente.
  Seja qual for a natureza desse misterioso pressentimento do futuro, o certo é que apenas se pode ver aquilo que existe. Ora, o que já existe não é futuro, mas presente. Quando se diz que se vê o futuro, o que se vê não são os fatos futuros em si, que ainda não existem porque são futuros, mas suas causas ou talvez sinais prognósticos, causas e sinais que já existem. Estes não são pois futuros, mas presentes para os que as vêem, e é graças aos vaticínios que o futuro é concebido pelo espírito e profetizado. Esses conceitos já existem, e os que predizem o futuro vêem-nos presentes em si mesmos. 
  Gostaria de apelar para um exemplo tomado entre os muitos possíveis. Vejo a aurora, e prognostico o nascimento do sol. O que vejo é presente, o que anuncio é futuro. Não o sol, que já existe, mas seu surgimento, que ainda não ocorreu. Contudo, se eu não tivesse uma imagem mental desse surgimento, como agora quando falo dele, ser-me-ia impossível a previsão. Mas essa aurora que vejo não é o nascimento do sol, embora o preceda; nem o é tampouco a imagem que trago em meu espírito. As duas coisas estão presentes, eu as vejo, e assim posso predizer o que vai acontecer. O futuro, portanto, ainda não existe; se ainda não existe, não existe no agora; e se não existe não pode ser visto de modo algum, mas pode ser prognosticado pelos sinais presentes, que já existem e podem ser vistos. 

CAPÍTULO XIX
Oração 


  Mas tu, que és soberano sobre tuas criaturas, de que modo ensinas às almas os fator porvir, como revelas aos teus profetas? De que modo ensinas o futuro, tu, para quem o futuro não existe? Ou antes, como ensinas os sinais presentes dos fatos futuros? Pois, o que ainda não existe não pode ser ensinado. O teu modo misterioso de agir está muito acima de minha inteligência, sobrepuja minhas forças. Por mim mesmo eu não o poderia alcançar, mas podê-lo-ei por ti, quando me concederes, ó doce Luz dos olhos de minha alma! 

CAPÍTULO XX
Conclusão 


  O que agora parece claro e evidente para mim é que nem o futuro, nem o passado existem, e é impróprio dizer que há três tempos: passado, presente e futuro. Talvez fosse mais correto dizer: há três tempos: o presente do passado, o presente do presente e o presente do futuro. E essas três espécies de tempos existem em nossa mente, e não as vejo em outra parte. O presente do passado é a memória; o presente do presente é a percepção direta; o presente do futuro é a esperança.
  Se me é lícito falar assim, vejo e confesso que há três tempos. Diga-se também que são três os tempos: presente, passado e futuro, como abusivamente afirma o costume. Não me importo, nem me oponho, nem critico o modo de falar, desde que fique bem entendido o que se diz, e que não se acredite que o futuro já existe e que o passado ainda existe. Uma linguagem que expresse com termos exatos é incomum: com muita freqüência falamos com impropriedade, mas entende-se o que queremos dizer. 

CAPÍTULO XXI
A medida do tempo


  Disse há pouco que medimos o tempo que passa; de modo que podemos afirmar que um lapso de tempo é o dobro de outro, ou igual, e apontar entre os intervalos de tempo outras relações, mediante esse processo comparativo. Portanto, como eu dizia, medimos o tempo no momento em que passa. E se me perguntarem: Como o sabes? – eu responderia: Sei porque o medimos, e porque é impossível medir o que não existe; ora, o passado e o futuro não existem. Quanto ao presente, como podemos medi-lo, se não tem duração? Portanto, só podemos medi-lo enquanto passa; e quando passou, não o medimos mais, porque não há mais nada a mentir. 
  Mas de onde se origina, por onde passa, para onde vai o tempo quando o medimos? De onde vem senão do futuro? Por onde passa, senão pelo presente? Para onde vai senão para o passado? Nasce pois do que ainda não existe, atravessa o que não tem duração, e corre para o que não existe mais. No entanto, o que é que medimos, senão  o tempo relacionado ao espaço? Quando dizemos de um tempo que é simples, duplo, ou triplo, ou igual, ou quando formulamos qualquer outra relação dessa espécie, nada mais fazemos do que medir espaços de tempo. Em que espaço medimos então o tempo no momento em que passa? No futuro, talvez, donde procede? Mas o que ainda não existe não pode ser medido. Será no presente, por onde ele passa? Mas, como medir o que não tem extensão? Será no passado, para onde caminha? Mas o que não existe mais escapa à qualquer medida. 

CAPÍTULO XXII
O enigma


  Minha alma se inflama no desejo de deslindar este enigma tão complicado! Senhor, meu Deus, meu bom Pai, eu to suplico por Cristo; não queiras tolher a meu desejo a solução de tais problemas, tão familiares mas tão obscuros; permite que eu os penetre, e faze com que a luz de tua misericórdia os ilumine, Senhor! A quem poderia eu consultar sobre isso? A quem confessaria minha ignorância com mais proveito do que a ti, que não se despraz com o forte zelo que me inflama por tuas Escrituras? Concede-me o que amo, pois este amor é um dom teu. Dá-me, ó Pai, esta graça, tu que sabes presentear com boas dádivas a teus filhos. Concede-me essa luz, porque determinei conhecê-las, e meu esforço será rude até que me reveles esses mistérios. Eu to suplico, por Cristo, em nome do Santo dos Santos, que ninguém perturbe minha investigação. Acreditei, e por isso falo. Minha esperança, a esperança pela qual vivo, é contemplar as delícias
do Senhor. Eis que tornaste velhos os meus dias, e eles passam, não sei como. 
  Nós só falamos de tempo, e de tempo, e de tempos e de tempos. Quanto tempo esse homem falou? Quanto tempo demorou para fazê-lo? Há quanto tempo não vejo isto! A duração desta sílaba é o dobro daquela, que é breve. Assim nos expressamos e assim ouvimos, e todos nos compreendem, e nós compreendemos. São palavras claras e de uso corrente, mas encerram mistérios, e compreendê-las requer melhor análise.

(Continua...)

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