Matteo Bruni: "Os contatos entre a Fraternidade São Pio X e a Santa Sé continuam, com o objetivo de evitar rupturas ou abordagens unilaterais às questões que surgiram."
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| Matteo Bruni |
O porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, confirmou que os contatos com a Fraternidade São Pio X (FSSPX) continuam após o anúncio do Superior Geral, Padre David Pagliarani, de que a Fraternidade procederá à consagração de novos bispos em 1º de julho.
A Santa Sé procura "evitar rupturas ou abordagens unilaterais" numa questão que reabre a delicada discussão sobre as relações com este grupo tradicionalista, surgido da cisão liderada pelo Arcebispo Marcel Lefebvre em 1988.
A Santa Sé mantém a porta aberta.
Em declarações divulgadas pela jornalista Diane Montagna na rede social X, Matteo Bruni, porta-voz do Vaticano, enfatizou que "os contatos entre a Fraternidade São Pio X e a Santa Sé continuam, com o objetivo de evitar rupturas ou abordagens unilaterais às questões que surgiram". Bruni recusou-se a comentar mais, limitando-se a responder às perguntas de vários jornalistas.
A brevidade da declaração do Vaticano contrasta fortemente com a força do anúncio feito neste domingo pelo padre David Pagliarani, Superior Geral da FSSPX, durante uma cerimônia de investidura de batina realizada no Seminário Internacional São Cura d'Ars em Flavigny-sur-Ozerain, França. Pagliarani anunciou publicamente sua decisão de confiar aos bispos da Fraternidade a tarefa de realizar novas consagrações episcopais em 1º de julho, Festa do Preciosíssimo Sangue de Cristo.
Pedidos não atendidos e uma "grave necessidade pastoral"
Segundo o comunicado oficial divulgado pela FSSPX, o Padre Pagliarani solicitou uma audiência com o Papa em agosto passado para explicar-lhe, de forma filial, a situação atual da congregação. Em uma segunda carta dirigida à Santa Sé, ele afirmou explicitamente a necessidade de garantir a continuidade do ministério episcopal na Fraternidade, cujos bispos "têm percorrido o mundo há quase quarenta anos" para conferir os sacramentos da Ordem e da Confirmação aos fiéis vinculados à tradição litúrgica pré-Vaticano II.
A decisão foi tomada, segundo o comunicado, "após muita reflexão e oração" e depois de recebermos nos últimos dias "uma carta que não atende de forma alguma às nossas solicitações". O Superior Geral contou com o apoio unânime do seu Conselho e acredita que existe um "estado objetivo de grave necessidade" que justifica esta decisão.
Um gesto que evoca o cisma de 1988.
O anúncio inevitavelmente reaviva a memória das consagrações episcopais realizadas pelo Arcebispo Marcel Lefebvre em 1988 sem mandato papal, o que levou à excomunhão automática do prelado francês e dos quatro bispos ordenados na época. Esse ato marcou a ruptura formal entre a FSSPX e Roma, uma ferida que Bento XVI tentou cicatrizar em 2009, revogando as excomunhões, embora sem alcançar a plena regularização canônica do grupo tradicionalista.
Desde então, os contatos intermitentes entre as duas partes têm continuado. O Papa Francisco chegou a conceder aos padres da Fraternidade a faculdade de ouvir confissões e celebrar casamentos válidos, num gesto de abertura que não culminou num acordo definitivo sobre o estatuto jurídico da organização.
Mais esclarecimentos e cautela do Vaticano
A Fraternidade São Pio X (FSSPX) anunciou que o Padre Pagliarani fornecerá "mais explicações sobre a situação atual e sua decisão" nos próximos dias. Enquanto isso, o Vaticano mantém uma postura cautelosa, evitando declarações que possam endurecer posições ou fechar definitivamente a porta para o entendimento.
Fonte - infocatolica

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