sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O inglês pouco conciliar do novo Missal faz o clero inglês divergir.

A nova tradução inglesa do Missal — entrará em vigor, por desejo do Papa, no próximo mês de setembro – divide em dois o coração da Igreja Católica de língua inglesa. São as almas mais liberais que acusam o Vaticano de ter desejado uma tradução partidária, um texto fiel aos desejos da igreja mais tradicionalista. Vox Clara, o comitê que supervisionou o trabalho de tradução, é acusado de ter favorecido uma redação muito dissonante do texto usado após o Vaticano II, uma tradução que segue “de modo servilmente literal” o texto latino, com uma sintaxe “intrincada” e expressões “elitistas” dificilmente compreensíveis aos fiéis.
A caixa de ressonância dos protestos são as diversas mídias católicas. Entre elas, a revista The Tablet,  que em sua última edição publicou a carta do beneditino Antony Ruff endereçada aos bispos dos Estados Unidos. Ruff, da abadia de São João, em Collegeville, Minnesota, foi até recentemente chefe da divisão de música para a tradução do Missal. Na carta, ele anuncia sua retirada de todo empenho para a promoção do Missal, porque “estou convencido de que os bispos querem um orador que saiba colocar o novo Missal sob uma luz positiva, mas isso iria requerer de mim afirmações que não compartilho”. Além do de Ruff, há outros pareceres negativos: um padre de Collegeville perguntou recentemente ao seu bispo o que ele achava da tradução. Resposta: “Creio pessoalmente que será um desastre”. Escreve The Tablet: “Para o cristão católico é necessária a obediência aos seus bispos, mas quando os membros da Igreja são constrangidos a aceitar o que não querem, é necessário que saibamos ao menos que tudo isso vem de um lugar repleto do Espírito Santo”.  Como se nesse lugar não fosse necessário que ao menos estivessem cheios do Espírito Santo “os nossos superiores”. Apenas “uma liderança deste tipo pode nos permitir crescer e mudar com o desconforto. Na sua ausência, a obediência dos cristãos poderia se degenerar em direção a um estado de imaturidade e de irresponsabilidade”.
Há alguns meses, o Comitê Vox Clara foi recebido pelo Papa. Pouco depois foi divulgado um comunicado expressando “satisfação pelo acolhimento que a conclusão da nova tradução do Missal recebeu em todo o mundo de língua inglesa”. Ainda, segundo o Catholic Herald, as autoridades da Igreja na Inglaterra e País de Gales “não esperam resistência à nova tradução do Missal”. E, de fato, foi o secretário, na qualidade de representante da comissão de liturgia dos bispos, que disse: “Há pessoas que gostam e outras não, e algumas que não estão seguras. Mas, ao fim, estou convencido de que todo o clero seja um grupo de pessoas muito pragmáticas”. Sobre o pragmatismo dos ingleses e da Igreja inglesa todos estão prontos a apostar. Mas, certamente, a batalha sobre o texto está destinada a continuar para além do próximo mês de setembro.

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