Tradução: Fratres in Unum.com
"Procissão de Corpus Christi" em Linz, Áustria. Para o porta-voz da Santa Sé, Pe. Lombardi, não há razões para pensar em um ato “restritivo” com relação à renovação litúrgica pós-conciliar.
Em agosto de 2009, Andrea Tornielli anunciou em sua coluna em Il Giornale que o Santo Padre havia aprovado a proposta votada pela Plenária do Culto Divino em 14 de março de 2009.
“Os Cardeais e Bispos membros da Congregação votaram quase unanimemente em favor de uma maior sacralidade do rito, da recuperação do senso de culto eucarístico, da retomada da língua Latina na celebração e da reelaboração das partes introdutórias do Missal a fim de pôr fim aos abusos, experimentações desordenadas e inadequada criatividade. Eles também se declararam favoráveis a reafirmar que o modo ordinário de receber a Comunhão conforme as normas não é na mão, mas na boca. Há, é verdade, um indulto que, a pedido dos episcopados [locais], permite a distribuição da hóstia também na palma da mão, mas isso deve permanecer um fato extraordinário”.
Acrescentava Tornielli:
“As ‘propositiones’ votadas pelos Cardeais e Bispos na plenária de março prevêem um retorno ao sentido de sagrado e de adoração, mas também um redescobrimento das celebrações em latim nas dioceses, ao menos nas solenidades principais, assim como a publicação de Missais bilíngües – um pedido feito a seu tempo por Paulo VI – com o texto em latim primeiro”.
Dois dias depois do artigo de Tornielli, chega o desmentido do Pe. Ciro Benedettini, vice-diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé. Benedittini esclarece particularmente que “no momento não existem propostas institucionais relativas a uma mudança dos livros litúrgicos atualmente em uso”. O desmentido foi considerado um “não desmentido” da reforma da reforma, mas efetivamente o tumulto que seguiu aquela antecipação do Giornale no Sacri Palazzi fez com que o projeto de Cañizares fosse abortado.
Hoje, após quase dois anos, lá vamos nós de novo!
Tornielli publicou, na manhã do dia 9 de fevereiro, um interessantíssimo artigo em que fala sobre um Motu Proprio papal dedicado à reorganização da Congregação para o Culto Divino com “a função de promover uma liturgia mais fiel às intenções originárias do Concílio Vaticano II, com menos espaços para mudanças arbitrárias e a fim de recuperar uma dimensão de maior sacralidade”.
Tornielli acrescenta, recordando sua entrevista com Cañizares em dezembro passado, que “a Congregação para o Culto Divino – que alguns gostariam de rebatizar como da sagrada liturgia ou da divina liturgia – deverá pois ocupar deste novo movimento litúrgico, inclusive com a inauguração de uma nova seção do dicastério dedicada à arte e à música sacra”.
Eu também quis falar no Fides et Forma sobre esta notícia… mas estava quase certo que chegaria o desmentido. Não porque Andrea Tornielli não tenha dito a verdade, mas porque o Cardeal Bertone certamente teria bombardeado Pe. Lombardi de telefonemas para lhe pedir que negasse o conteúdo do artigo de Tornielli.
Eis, portanto, o desmentido de Lombardi noticiado pela Rádio Vaticano, às 13:41 do mesmo dia:
“Padre Lombardi confirmou que ‹‹ há tempos vem sendo estudado um Motu Proprio para dispor sobre a transferência de uma competência técnico-jurídica — como, por exemplo, a dispensa para o matrimônio rato mas não consumado da Congregação para o Culto Divino para o tribunal da Sagrada Rota [Romana]. Mas – afirmou — não há qualquer fundamento nem motivo para se ver nele uma tentativa de promover um controle de tipo ‘restritivo‘ da parte da Congregação na promoção da renovação litúrgica desejada pelo Concílio Vaticano Segundo ›› ”.
Como de costume, o propósito é intimidatório: seja em relação a Tornielli, como em relação a quem queira promover uma “reforma da reforma”. No artigo de Tornielli não se fala de qualquer “controle restritivo na promoção da renovação litúrgica”. Fala, pelo contrário, de “mudanças arbitrárias” da liturgia e, dessa forma, dos abusos litúrgicos. Assim, Padre Lombardi intencionalmente interpreta pro domo sua (ou de quem trabalha na terza loggia [ndr: terceiro andar do Palácio Apostólico, onde fica a Secretaria de Estado) um trecho do artigo de Tornielli e naturalmente vai mais além, deixando entrever o medo de uma “Igreja punitiva" no âmbito litúrgico. Pelo contrário -- 50 anos depois da renovação litúrgica do Concílio” (mais de Bugnini e Lercaro que do Concílio!), Padre Lombardi tem a coragem de nos repropor a usual ladainha sobre a “promoção”desta bendita renovação litúrgica!
Pergunta: onde o Padre Lombardi viveu nestes últimos 50 anos? Não percebeu nada? Não lhe parece que a Igreja esteja desde então muito renovada liturgicamente? E não lhe parece que desde então muitos altares foram destruídos e muitas igrejas desfiguradas em nome da “promoção” da renovação litúrgica do Concílio? Muito novo para ser velho, ultrapassado, mofado, insuportavelmente retórico e francamente repetitivo?
Nenhum comentário:
Postar um comentário