| Papa Leão XIV |
Por Gabriel Mesquita
Hoje, na manhã de Roma, o Santo Padre fez o principal discurso diplomático desde sua eleição à Cátedra de São Pedro. Ele já havia feito outros antes (como por exemplo aos políticos franceses, em que ele retomou a importância da Lei Natural), mas o deste dia pronunciado para os embaixadores de todos os países junto a Santa Sé é o mais completo e revelador de sua visão como líder diplomático.
Sinceramente, considero muito mais relevante a atuação do Papa como Vigário de Cristo e Cabeça (visível) da Igreja, porém sabemos que os Papas são vistos muitas vezes como líderes políticos.
Farei o resumo sublinhando os pontos positivos e negativos do discurso, formando assim uma síntese mais completa dele.
Pontos Positivos:
1 - Retorno da Cidade de Deus de Santo Agostinho como obra base para visão católica diante do mundo. Leão XIV poderia ter desenvolvido mais o que está escrito no livro e ter aplicado de forma melhor ao contexto atual. No entanto, gostei particularmente da citação da dimensão escatológica apreendida do Doutor da Graça: "Agostinho salienta que os cristãos são chamados por Deus a viver na cidade terrena com o coração e a mente voltados para a cidade celeste, sua verdadeira pátria. No entanto, o cristão, vivendo na cidade terrena, não está alheio ao mundo político e procura aplicar ao governo civil a ética cristã, inspirada nas Escrituras."
2 - A defesa firme da objeção de consciência diante práticas terríveis como aborto e eutanásia. Em muitos países, o assassinato dos nascituros está tão avançado que já se promovem leis para obrigar os médicos e enfermeiros a realizarem o aborto contra sua vontade, principalmente nos hospitais públicos. Até no Brasil, profissionais de saúde relatam pressões para participarem da execução do que os progressistas chamam de "aborto legal".
3 - Defesa de liberdade de expressão e de consciência no contexto atual do Ocidente. Evidentemente, o Papa não está pregando uma liberdade de expressão absoluta, mas defendendo um direito justo que se está sendo limitado também no Ocidente sem justa causa (Leão XIV usa a expressão Orwelliana para designar o contexto em referência ao livro distópico 1984).
4 - Condenação forte ao aborto também sob mantras globalistas de "direito ao aborto seguro".
5 - Defesa da família "que se manifesta de forma proeminente na união exclusiva e indissolúvel entre a mulher e o homem". Pedido de apoio às famílias e ao aumento de natalidade diante da crise demográfica que atinge quase todo o mundo (inclusive a América Latina). Isso se mostra particularmente importante no atual momento em que praticamente não se formam famílias, mas ajuntamentos frágeis.
6 - Condenação à eutanásia e defesa do fornecimento de cuidados paliativos diante das enfermidades no fim da vida.
7 - Menção a grande e crescente perseguição aos cristãos no mundo. Sabemos, isso seria o normal para todo Papa, porém nos nossos tempos estranhos isso nem sempre acontece.
8 - Condenação à barriga de aluguel
Pontos Negativos:
1 - Visão ilusória e otimista da ONU e do multilateralismo como arautos do Direito Internacional. Sabemos que essa visão irreal dos Papas sobre a ONU remonta a décadas atrás, de forma especial desde Paulo VI (até Bento XVI a via como fonte de resolução de conflito e Paz mundial, embora pedisse a reforma desse organismo internacional). Na verdade, sabemos que não houve até agora nenhuma grande guerra desde o fim da Segunda Guerra Mundial porque as grandes potências (para o bem ou para o mal) possuem ogivas nucleares. A ONU ao longo desses 80 anos não impediu nenhum desses vários conflitos, especialmente os de procuração
2 - Uso de termos modernos (direitos humanos, por exemplo), embora utilizados de forma normal e legítima. Poderiam ser utilizados outros.
Enfim, este é o resumo do discurso de Leão XIV. O julgamento deixo para vocês (e para Deus, obviamente), contudo o considero mais positivo que negativo.
Oremus pro Pontifice Nostro Leone...
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