Dom Pietro Parolin |
10 Set 13
CARACAS, (ACI/EWTN Noticias)-
O novo Secretário de Estado Vaticano nomeado recentemente e atual núncio
apostólico na Venezuela, Dom Pietro Parolin foi entrevistado por Carlos
Zapata do Jornal Católico da Venezuela. O Prelado destacou que a razão
de ser da diplomacia da Santa Sé é a busca da paz.
A seguir o grupo ACI reproduz
a tradução de amplos extratos da entrevista com o Jornal Católico da
Venezuela. Na primeira parte o Arcebispo fala dos esforços de Bento XV,
Pio XII e João Paulo II para conseguir a paz. Um esforço compartilhado pelo Papa Francisco.
É essa a finalidade da diplomacia?
Eu diria também que a razão de ser de uma diplomacia da Santa Sé é a
busca da paz. E se a diplomacia da Santa Sé teve tanto renome e tanta
aceitação em todo o mundo, no passado e no presente, é precisamente
porque está além dos interesses nacionais, que às vezes são interesses
muito particulares. Ela se põe nesta visão do bem comum da humanidade.
E em sua opinião, a propósito do que menciona de João Paulo II e considerando sua aliança com Lech Walesa Quais são os novos muros de Berlim que a Igreja deveria derrubar?
Acho que hoje, obviamente, o muro de Berlim fundamental é conseguir
fazer a paz em meio da diversidade que temos em um mundo pluripolar.
Já não estão os blocos como antes. Isto é uma análise de geopolítica
comum. Há distintos poderes. Surgiram poderes diferentes, com todos os
problemas que estes trazem. Porque nós pensávamos em nossos desejos de
paz e de felicidade, que a queda dos muros tradicionais: o muro de
Berlim e o bloco entre países comunistas e Ocidente, ia trazer paz e
felicidade ao mundo. E não foi assim. Desatou-se todo o problema do
terrorismo.
Então, eu acho que o muro que se deve derrubar é como conseguir que
todas estas diferentes realidades consigam entrar em acordo e trabalhar
juntas para o bem de todos. Colocar juntas as diferenças para que não
sejam divisões, mas que se tornem colaborações em prol de toda a
humanidade.
E qual é o papel que joga neste aspecto a Secretaria de Estado do Vaticano?
A Secretaria de Estado do Vaticano tem que reinventar sua maneira de
presença; porque os cenários são diferentes; temos as grandes atuações
do cardeal Casaroli no tempo dos grandes blocos. Todo o tema da "aus
politik", mas também todo o relacionado com a defesa dos Direitos
Humanos, o tema do Helsinki que na Santa Sé teve um papel muito, muito
importante. Agora me parece que as coisas se complicaram um pouco.
Muda de estilo… Também de finalidade?
Não. O que quero dizer é que se tem que reinventar a forma de
presença, mas o objetivo sempre é o mesmo. E falando dos grandes
desafios, superando este relativismo que é uma praga! Porque eu o veria
dentro do discurso que estava fazendo: de compor as diferenças.
Se não há um piso comum onde se possa pisar; quer dizer, se não há
uma verdade objetiva na que todos nos reconhecemos, já será muito mais
difícil procurar pontos comuns. E este piso comum é a dignidade da
pessoa humana em todas as suas dimensões, onde não se exclui a dimensão
transcendente; não é apenas a dimensão pessoal, social, política,
econômica, mas também a transcendente, pela qual se reconhece que o
homem está feito a imagem e semelhança de Deus, e que Deus é a sua
fonte.
Assim o vê o Santo Padre?
O Papa Francisco insistiu muito sobre isso: esta é a fonte mais
sólida para assegurar o respeito dos Direitos Humanos, o respeito da
dignidade do homem e dos povos em uma pacífica convivência.
Então, o problema é também de relativismo. O relativismo é fonte de
conflito. E para lutar contra o relativismo, assim como para alcançar a
paz, podemos esperar com Pietro Parolin uma ofensiva diplomática mundial
mais férrea?
Esta é uma pergunta complicada. Vi que a Secretaria de Estado foi
impulsionada pelas iniciativas do Papa, que tomou também um movimento
diplomático. Eu sim espero que possamos retomar, porque nós temos esta
grande vantagem respeito a outras Igrejas, a outras religiões: o contar
com uma presença institucional internacional através da diplomacia.
Então, nós temos que aproveitá-la!
Aproveitá-la em que sentido?
De utilizar estes instrumentos. Não deixá-los aí. Mas utilizá-los
bem, como sempre fez a diplomacia vaticana. Sobretudo, em um momento de
emergência. Utilizá-los para conseguir os grandes objetivos do bem da
humanidade. Mas quero destacar especialmente que eu estou à completa
dependência do Papa.
Esperamos uma Igreja, desde esse ponto de vista, mais protagonista?
Sim, neste sentido o esperamos. Sobretudo, aproveitar melhor estes
instrumentos que temos. A rede das Nunciaturas, os contatos que temos
nas organizações internacionais…
Alguns vaticanistas indicaram nas últimas horas que a geopolítica vaticana vai estar agora mais longe dos titulares de imprensa. Você o vê assim?
Você sabe muito bem que por inclinação pessoal eu não queria a
diplomacia dos grandes titulares, mas sim uma diplomacia que seja
efetiva. Nós não buscamos, eu acho, a popularidade. Sinceramente, nenhum
de nós o quer, mas quer o efeito. E temos que tomar em conta o que diz o
Evangelho: que não saiba sua mão esquerda, o que faz a sua mão direita.
Dom Parolin está trabalhando diretamente, ou assessorando –como se disse- este trabalho que se está fazendo para o caso da Síria?
Não, não. Eu ainda não tomei posse. Absolutamente não. Eu tomarei
minhas funções em 15 de outubro e até então exercerei as funções
correspondentes. Além disso, já tenho suficiente dor de cabeça com o meu
trabalho aqui na Venezuela.
Mas, a minha ideia é que além dos detalhes e as coisas concretas aproveitemos estes instrumentos que temos como Igreja Católica. Estabeleceram-se no transcurso da história, e são valiosas ferramentas que servem para ajudar o mundo.
Conhece já o nome do Núncio que tomará cargo na Venezuela?
Honestamente não. E tampouco sabemos quanto tempo passará em que se
realize uma nova nomeação. O que sim lhe posso comentar é que já temos
Encarregado de Negócios para o país. Trata-se de Rüdiger Feulner.
O que se leva da Venezuela?
Muitas lembranças íntimas e inesquecíveis. Queria aproveitar para pedir as suas orações, porque a força da oração
é poderosa. Experimentei-o nestes 4 anos de presença na Venezuela.
Digo-lhes: conservem a fé, revivam esta fé, e façam dela um princípio de
renovação da sociedade, que tanto o necessita.
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