domingo, 30 de novembro de 2025

Monsenhor Eleganti: Uma Análise da Homossexualidade e da Crise Eclesial

Bispo Marian Eleganti, bispo emérito de Chur (Suíça)

  

 

O bispo Marian Eleganti, bispo emérito de Chur (Suíça), publicou recentemente uma extensa análise da transformação cultural do Ocidente e da crescente influência das teorias queer e de gênero na compreensão contemporânea da sexualidade, do casamento e da identidade. Desde o início, ele esclarece que não condena pessoas com tendências homossexuais, recordando a distinção estabelecida pelo Magistério entre a dignidade inviolável de cada pessoa e as inclinações que a Igreja considera “objetivamente desordenadas”. O juízo moral, enfatiza, recai sobre o ato, não sobre a pessoa, e o caminho do arrependimento permanece sempre aberto. 

Partindo dessa premissa, Eleganti desenvolve um amplo diagnóstico que situa tanto as mudanças sociais quanto as tensões internas da Igreja em relação à sexualidade. 

A influência intelectual que pavimentou o caminho para a revolução cultural 

O bispo explica que, para compreender a atual mudança antropológica, é necessário observar as correntes filosóficas que a precederam. A redefinição do casamento, da família e do gênero — afirma ele — não surgiu espontaneamente: é o resultado de décadas de reflexão que questionaram a natureza humana e seu significado. 

Nesse contexto, Eleganti menciona a Escola de Frankfurt, cuja “teoria crítica” abriu caminho para pensadores pós-modernos como Foucault, Derrida e Judith Butler. Embora os primeiros não fossem homossexuais, suas ideias influenciaram diretamente autores posteriores ligados à teoria queer. Essa corrente, aponta o bispo, promove uma visão da sexualidade dissociada da natureza e definida pela autodeterminação absoluta, em oposição à antropologia cristã. 

Eleganti lista diversos teóricos queer — Foucault, Butler, Sedgwick, Preciado — para mostrar como suas vidas, experiências e concepções de sexualidade influenciaram sua produção filosófica. Portanto, ele insiste que não basta estudar suas teorias; é necessário compreender o contexto vivido (“Sitz im Leben”) a partir do qual escreveram.

Uma Agenda Política que Busca Transformar a Natureza Humana 

Após a análise filosófica, ele destaca que essas ideias não permaneceram confinadas às salas de aula universitárias, mas se tornaram políticas públicas concretas, citando em particular o projeto europeu “União para a Igualdade 2026-2030”. Esse programa, afirma ele, visa introduzir a ideologia de gênero nos estados-membros por meio de financiamento de ONGs, campanhas públicas e programas educacionais desde a infância. 

O objetivo, segundo o prelado, é claro: redefinir o casamento, a família e a identidade sexual, desconsiderando a diferença natural entre homem e mulher. Isso inclui promover a cirurgia de redesignação sexual, equiparar todas as formas de união e marginalizar a família tradicional composta por pai, mãe e filhos. 

A Igreja, Permeada por Conceitos Alheios à Sua Tradição 

Eleganti lamenta que parte do pensamento eclesial contemporâneo tenha adotado categorias ideológicas externas — como “minorias”, “inclusão” ou “direitos” — sem o devido discernimento. Esses conceitos, explica ele, derivam do marxismo cultural e não podem ser aplicados à Igreja, cujo critério fundamental não é a igualdade legal, mas a verdade da ordem sacramental e moral. 

O bispo insiste que a Igreja exclui apenas o pecado e o erro, não os pecadores, e que as limitações de acesso ao sacerdócio não são discriminatórias, mas sim derivadas da natureza do sacramento da Ordem. 

Antropologia Cristã: O Corpo Tem uma Linguagem 

Em continuidade com o Magistério, Eleganti explica que a complementaridade sexual entre homem e mulher constitui o fundamento natural e bíblico do matrimônio. O corpo, diz ele, “fala uma linguagem clara”: somente na união entre homem e mulher o ato de se tornarem “uma só carne” e de darem origem a uma nova vida pode ser plenamente vivenciado.

Portanto, ele afirma que a prática homossexual contradiz essa linguagem natural e que a homossexualidade, devido à sua presença minoritária na população, não pode se tornar um critério normativo para a sociedade, o que inevitavelmente gera tensões ao tentar equiparar todas as formas de convivência. 

Da mesma forma, Eleganti alerta que reduzir a sexualidade ao prazer ou à técnica destrói a dimensão espiritual do amor, prejudicando tanto heterossexuais quanto homossexuais. 

O “elefante na sala”: homossexualidade no clero e abuso 

Neste ponto, o bispo adentra o cerne mais controverso de sua análise: a alta prevalência de tendências homossexuais entre alguns membros do clero e sua relação com o abuso. Embora enfatize que a homossexualidade não implica automaticamente a prática de crimes, ele aponta que as estatísticas revelam um fato inegável: cerca de 80% das vítimas registradas nos relatórios John Jay (EUA, 2004), MHG (Alemanha, 2018) e CIASE (França, 2021) eram adolescentes ou jovens do sexo masculino. 

Este fato, afirma ele, demonstra uma tendência objetiva na escolha das vítimas e exige uma reflexão séria sobre a presença de clérigos com inclinações homossexuais e suas dificuldades relacionadas ao celibato, à doutrina e à maturidade emocional. 

Eleganti critica ainda o fato de a crise dos abusos estar encoberta pela categoria de “pedofilia”, quando a maioria dos casos corresponde à efebofilia. Essa mudança conceitual — denuncia ele — tem servido como uma “cortina de fumaça” que evita nomear a homossexualidade de muitos abusadores. 

A Falta de Aplicação das Normas da Igreja 

Vale lembrar que o documento do Vaticano Il dono della vocazione sacerdotale (2016) proíbe a admissão ao seminário ou ao sacerdócio de pessoas que praticam a homossexualidade, têm tendências homossexuais profundamente enraizadas ou apoiam a cultura homossexual. No entanto, lamenta que essa instrução não esteja sendo respeitada, citando como exemplo a aceitação do ativismo LGBTQ durante o Ano Santo de 2025.

Dois pesos e duas medidas na mídia e silêncio prolongado 

O relatório também denuncia o fato de a mídia ter aplicado critérios diferentes dependendo do pontificado: enquanto João Paulo II e Bento XVI foram duramente criticados, o Papa Francisco — apesar de ter protegido algumas figuras públicas com problemas — recebeu tratamento leniente devido ao interesse da mídia em normalizar a homossexualidade dentro da Igreja. 

A raiz do problema permanece ignorada 

Apesar de décadas de pesquisas, reformas e declarações de “tolerância zero”, a Igreja ainda evita reconhecer o “elefante na sala”: a alta proporção de clérigos com tendências homossexuais e seu impacto na crise de abusos e na confusão doutrinal. 

Até que esse ponto seja abordado claramente, será impossível tratar honestamente da raiz da crise moral que a Igreja enfrenta.

 

Fonte - infovaticana

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