Muitos certamente já ouviram a famosa frase atribuída ao poeta Charles Pierre Baudelaire: "O maior engano do diabo é nos fazer acreditar que ele não existe". Se acrescentarmos a isso o refrão comum de "não veja o diabo em todo lugar" e o desejo cada vez maior por conforto e complacência, constatamos que a humanidade vive em uma profunda e extremamente prejudicial indiferença à realidade do inferno.
Quem quer que tenha cunhado a frase "não veja o diabo em todo lugar" duvido muito que tivesse argumentos sólidos para sustentar sua afirmação. São Pedro ensinou algo diametralmente oposto e nos exortou: "Sejam sóbrios e vigilantes. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando alguém para devorar". Lá, no inferno, o sono não existe. Até o fim dos tempos, demônios vagam por este mundo, tentando incessantemente conquistar pessoas para levá-las ao inferno, onde haverá choro e ranger de dentes. As tentações diárias nos lembram da existência dos anjos caídos: eles estão aí, nos tentando, nos perturbando, sugerindo coisas malignas, buscando nos desviar do caminho certo. São Paulo, em sua carta aos Efésios, falou dos poderes malignos que se movem no ar e indicou que travamos uma luta diária e constante contra eles: “Pois a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas e contra as forças espirituais do mal nas regiões celestes”. Em outras palavras, minha luta não é para derrubar minha próxima, uma mulher de carne e osso, mas para lutar para que os demônios não me derrubem. Como se pode ver, o poder angelical do mal também se utiliza das forças mundanas que habitam as trevas. O mundo de hoje, não tenho receio de dizer, transformou-se como nunca antes em uma anarquia de pecados, em larga escala e dos mais variados tipos, oferecidos a nós com a aprovação tácita da sociedade conformista. A queda é tão fácil, a luta tão árdua.