Por Paulo Henrique Américo de Araújo
Lá pelos fins do século XIX, o pintor francês Charles Bertrand d’Entraygues1fez fama internacional com telas figurando quase sempre o mesmo motivo: crianças. Mesmo o observador comum fica encantado ao se deparar com esses quadros repletos de singeleza, doçura e inocência. Vemos aí os pequeninos em atitudes das mais corriqueiras. Nos seus jogos, brincam com bolinhas de gude, piões, bastões, cavalinhos de madeira.
Por outro lado — e aqui vem algo de paradoxal — o artista francês frequentemente pinta coroinhas, isto é, ajudantes de missas, vestidos enquanto tais, fazendo seus jogos e inocentes divertimentos. O contraste é digno de apreço: meninos com batinas vermelhas, solidéus, peregrinetas, sobrepelizes, todo o aparato próprio a um coroinha dos tempos antigos… e assim são representados pelo pintor: brincando, jogando, rindo!