Apenas um Deus que ama é capaz de permitir a vivência do outro sem interferência
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| Não podemos projetar nossas relações pai e filho à paternidade divina porque Deus vai além de nossa imaginação (Unsplash/ Kelly Sikkema) |
Por Fabiano Veliq*
A história de Jesus no Getsêmani – pouco antes de sua prisão e processo
que culminou na crucificação – relata-nos os momentos difíceis e de
grande angústia encarados por ele sem o auxílio dos que lhe eram
próximos. Como exemplo, basta lembrarmos que os discípulos dormiram
enquanto ele orava; Pedro o negou enquanto era julgado; o povo que o
seguiu durante algum tempo foi voz decisiva ao gritar com clareza
"crucifica-o!".
Nossa condição humana – tantas vezes em extrema
solidão, sem socorro e perspectiva – encontra no que Jesus enfrentou, em
período tão curto e derradeiro, o paradigma para ser pensada. Ele, como
todo homem, sentiu em sua pele a experiência do abandono e a sofreu
como quem "chora gotas de sangue". Em horas como essa, a maioria das
pessoas acaba por se voltar a uma visão infantil, romântica ou mesmo
cristalizada de Deus.
