Por Raymond Leo Card. Burke
O melhor termo para descrever o estado atual da Igreja é confusão; confusão que, muitas vezes, confina com o erro. A confusão não se limita a uma ou a outra doutrina, ou disciplina ou aspecto da vida da Igreja: diz respeito à própria identidade da Igreja.
A confusão tem a sua origem no desrespeito da verdade, ou na negação da verdade, ou na pretensão de não conhecer a verdade ou na omissão de declarar a verdade que se conhece. No seu confronto com os Escribas e os Fariseus, por ocasião da Festa dos Tabernáculos, Nosso Senhor falou claramente daqueles que promovem a confusão, recusando-se a reconhecer a verdade e a dizer a verdade. A confusão é obra do Maligno, como ensinou o próprio Nosso Senhor quando disse estas palavras aos escribas e aos fariseus: «Porque não entendeis a minha linguagem? Porque não podeis ouvir a minha palavra? Vós tendes por pai o diabo e quereis realizar os desejos do vosso pai. Ele foi assassino desde o princípio, e não esteve pela verdade, porque nele não há verdade. Quando fala mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Por isso, não acreditais em mim, porque vos digo a verdade» (Jo 8, 43-45). A cultura da mentira e a confusão que gera não têm nada a ver com Cristo e com a Sua Esposa, a Igreja. Recordai a admoestação de Nosso Senhor no Sermão da Montanha: «Seja este o vosso modo de falar: Sim, sim; não, não. Tudo o que for além disto procede do espírito do mal» (Mt 5, 37).

