Por Eudaldo Forment
As cicatrizes no corpo de Cristo [1]
No quarto e último artigo da questão sobre as qualidades de Cristo ressuscitado, encontrada no último terço do tratado sobre a "Vida de Cristo" na Summa Theologica, São Tomás examina se ele deve carregar as cicatrizes de sua paixão. Para isso, recordemos que no Evangelho: «o Senhor diz a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e vê as minhas mãos; estende a tua mão e mete-a no meu lado” (Jo 20, 27)» [2].
Ele então afirma que: "era apropriado que na ressurreição a alma de Cristo assumisse o corpo com as cicatrizes". As razões são as seguintes: «Primeiro, para a glória do próprio Cristo. São Beda diz que não foi por não poder curar que guardou as cicatrizes, “mas para levar sempre consigo os sinais do seu triunfo” (Exp. Evang. S. Lucas, Lc 24, 40, l. 6).
Santo Tomás acrescenta ainda que: «por isso mesmo diz Santo Agostinho que: 'talvez naquele reino veremos nos corpos dos mártires as cicatrizes das feridas que receberam pelo nome de Cristo; não haverá neles deformidade, mas dignidade; e brilhará no seu corpo uma certa beleza, não do corpo, mas da virtude'» (Ciud. Dios, XXII, c. 20).