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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

A REVOLUÇÃO REALIZADA PELA DECLARAÇÃO “NOSTRA AETATE”: “A ANTIGA ALIANÇA NUNCA FOI REVOGADA”

A história dos Papas que visitaram a grande Sinagoga de Roma 

 

Fonte: Sì Sì No No | Tradução: Dominus Est

 

Desde seu primeiro encontro com uma delegação de judeus, em 12 de março de 1979, o Papa João Paulo II cita a declaração conciliar Nostra Aetate, “cujo ensinamento exprime a fé da Igreja” (conforme esclarecerá mais tarde em Caracas, Venezuela, em 27 de janeiro de 1985).

Segundo Nostra Aetate [daqui em diante abreviada por “N.A.”], um vínculo uniria espiritualmente o povo do Novo Testamento com a progenitura de Abraão, que são não só os judeus da Antiga Aliança, mas também aqueles dos dias de hoje.

Com efeito, citando Rom. XI, 28-29, escreve o Padre Jean Stern:  «o Concílio declara a propósito dos judeus [pós-bíblicos] que eles fazem parte de um “povo muito amado de Deus do ponto de vista de eleição, por causa de seu pai, visto que os dons de Deus são irrevogáveis”. Por conseguinte, se a comunidade religiosa hebraica, formada pelo ensinamento rabínico, pertence à descendência [espiritual] de Abraão… o judaísmo [pós-bíblico] constitui uma religião»[1].

terça-feira, 4 de novembro de 2025

“Nenhuma religião possui a verdade”: a reflexão do Cardeal López Romero sobre Nostra Aetate

  

 

No 60º aniversário da declaração conciliar Nostra Aetate, o Cardeal Cristóbal López Romero, Arcebispo de Rabat, falou sobre o diálogo inter-religioso e a verdade do Evangelho. Do Marrocos, o cardeal salesiano afirmou que os cristãos devem “abandonar a falsa dicotomia entre religião verdadeira e religião falsa”, porque – em suas palavras – “nenhuma religião pode se apropriar da verdade; é a verdade que nos possui a todos”. 

Esta declaração, sob o disfarce de abertura, representa uma ruptura com o ensinamento constante do Magistério Católico: Cristo não é “uma” verdade entre outras, mas “a Verdade” (Jo 14,6). E a Igreja, segundo o Concílio Vaticano II, permanece “o único meio de salvação” instituído pelo próprio Cristo. 

domingo, 2 de novembro de 2025

ARTIGO DE OPINIÃO: Carta aberta a Leão XIV por ocasião do 60º aniversário da declaração conciliar Nostra aetate

 

 

Por: Francisco José Vegara Cerezo 
sacerdote de Orihuela-Alicante 

 

Santidade, 

A leitura de sua mensagem na Audiência Geral realizada por ocasião do sexagésimo aniversário da declaração conciliar Nostra Aetate despertou em mim profundas preocupações. Por isso, passo agora a compartilhar, seguindo suas próprias palavras, que destaquei em itálico, as questões e reflexões que surgiram em minha mente. 

No centro de nossa reflexão de hoje, nesta Audiência Geral dedicada ao diálogo inter-religioso, desejo me concentrar nas palavras do Senhor Jesus à mulher samaritana: “Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4,24). 

Pode Deus ser verdadeiramente adorado em religiões que não foram fundadas naquele que é a sua Verdade, nem são guiadas pelo seu Espírito? 

Este encontro revela a essência do autêntico diálogo inter-religioso: uma troca que ocorre quando as pessoas se abrem umas às outras com sinceridade, escuta atenta e enriquecimento mútuo. É um diálogo que nasce da sede: a sede de Deus no coração humano e a sede da humanidade por Deus.  

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Vaticano homenageia hinduísmo e Islã com celebração de dança no aniversário de Nostra Aetate

Durante as danças no Vaticano, uma mulher alternadamente segurava cartazes com um símbolo hindu "Om", uma imagem de um crucifixo e um crescente islâmico e lua.

Imagem em destaque 

 

O Vaticano comemorou nesta terça-feira o 60o aniversário da Nostra Aetate, a Declaração sobre a Relação da Igreja com as Religiões Não-Cristãs, prestando homenagem através da dança ao hinduísmo e ao Islã ao lado do cristianismo.

Uma gravação da comemoração, realizada no Paul VI Hall, mostra mulheres vestidas com trajes de estilo tradicional dançando a música do Oriente Oriental e Médio. Durante as danças, uma mulher alternadamente levantou sinais com um símbolo hindu “Om”, uma imagem de um crucifixo e um crescente islâmico e lua, como se sugerisse que todas as religiões estão em pé de igualdade.

Todo o evento, incluindo o discurso final do Papa Leão XIV, foi permeado pelo valor do diálogo e da “amizade” entre as religiões, em vez do tradicional mandato cristão de “ir e fazer discípulos de todas as nações”, isto é, convertê-los à verdadeira fé.

Leão XIV proclama “o diálogo como modo de vida” diante de representantes de todas as religiões do mundo

Vaticano marca 60o aniversário da Declaração “Nostra Aetate” sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs do Vaticano II

Leão XIV proclama “o diálogo como um modo de vida” diante de representantes de todas as religiões 

 

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Leão XIV na audiência geral: “O espírito da Nostra aetate continua a iluminar o caminho da Igreja”

Na audiência geral realizada na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV dedicou sua catequese ao 60º aniversário da declaração conciliar Nostra aetate, um documento fundamental do Concílio Vaticano II sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs.

Papa Leão XIV

 

O Pontífice sublinhou que o autêntico diálogo inter-religioso não significa confusão doutrinal, mas uma busca sincera da verdade e da abertura recíproca da fé, no reconhecimento da dignidade humana comum.

“Deus é espírito, e aqueles que O adoram devem adorá-Lo em espírito e em verdade”, recordou o Papa, citando o Evangelho de São João (4,24), quando compara o diálogo com a mulher samaritana com a vocação do cristão para vencer barreiras culturais e religiosas.

O legado de Nostra aetate e a ligação com o judaísmo

Leão XIV evocou as origens da declaração conciliar, assinada em 28 de outubro de 1965, quando a Igreja — sob o impulso de São João XXIII — procurou renovar o diálogo com o mundo judaico.

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Nostra aetate: o documento que abriu o caminho para o diálogo com as religiões

No passado discutia-se sobre a interpretação dos textos, hoje são os próprios documentos do Concílio Vaticano II que estão sendo questionados. Recordemos como surgiu a declaração conciliar que marcou a história da Igreja.  

Jerusalém, 26 de maio de 2014: Papa Francisco no Muro das Lamentações com o rabino Abraham Skorka e o imame Omar Abboud
Jerusalém, 26 de maio de 2014: Papa Francisco no Muro das Lamentações com o rabino Abraham Skorka e o imame Omar Abboud

 

POR ANDREA TORNIELLI

 

A declaração conciliar Nostra aetate, aprovada pelos Padres conciliares do Vaticano II e promulgada por Paulo VI em 28 de outubro de 1965, mudou de modo irreversível as relações entre a Igreja Católica e o Judaísmo, na sequência dos passos dados por João XXIII, e também mudou a abordagem do catolicismo em relação às religiões não-cristãs. É considerado um texto fundador para o diálogo com outras confissões religiosas, resultado de um longo trabalho.

Relação única entre o cristianismo e o judaísmo

A parte central do documento refere-se ao judaísmo: “Sondando o mistério da Igreja, este sagrado Concílio recorda o vínculo com que o povo do Novo Testamento está espiritualmente ligado à descendência de Abraão… Sendo assim tão grande o patrimônio espiritual comum aos cristãos e aos judeus, este sagrado Concílio quer fomentar e recomendar entre eles o mútuo conhecimento e estima, os quais se alcançarão sobretudo por meio dos estudos bíblicos e teológicos e com os diálogos fraternos”. Palavras que representam o reconhecimento das raízes judaicas do cristianismo e a relação única que existe entre a fé cristã e o judaísmo, como sublinhou João Paulo II em abril de 1986, quando visitou a Sinagoga em Roma. Um tema sobre o qual Joseph Ratzinger, como teólogo também refletiu, e como Bispo de Roma, refletiu na sua visita à Sinagoga de Roma em janeiro de 2010. Na ocasião lembrou que "a doutrina do Concílio Vaticano II tornou-se para os católicos um ponto firme ao qual fazem referência constante na atitude e nas relações com o povo judeu, marcando uma etapa nova e significativa”. O acontecimento conciliar deu um impulso decisivo no compromisso de se percorrer irrevogavelmente um caminho de diálogo, fraternidade e amizade.

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