Por Roberto de Mattei
Se há um conceito radicalmente estranho à mentalidade contemporânea, é o de penitência.
O termo e a noção de penitência evocam a ideia de um sofrimento que infligimos
a nós mesmos para expiar culpas próprias ou de outros e para nos unirmos aos
méritos da Paixão redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo. O mundo moderno
rejeita o conceito de penitência porque está imerso no hedonismo e porque
professa o relativismo, que é a negação de qualquer bem pelo qual valha a pena
sacrificar-se, a menos que não seja a procura do prazer.
Só isso pode explicar episódios como o furioso ataque mediático em curso contra
os Franciscanos da Imaculada, cujos conventos são retratados como locais de sevícias,
apenas porque neles se pratica uma vida austera e penitente. Usar o cilício ou
imprimir sobre o próprio peito o monograma do nome de Jesus é considerado uma
barbaridade, enquanto praticar o sadomasoquismo ou tatuar indelevelmente o
próprio corpo é, hoje, considerado um direito inalienável da pessoa.