A reforma litúrgica do Concílio Vaticano II que, através da constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, temos saboreado nestes dias, dedicou também um aspecto à música na liturgia. Todos nós temos a imagem pós-conciliar dos violões e das canções de Bob Dylan, mas lendo as intenções dos padres conciliares não parece que fosse o que eles tinham, muito menos na cabeça.
O concílio colocou o canto gregoriano e o órgão como os exemplos mais exaltados, embora abrindo um pouco a porta a outros instrumentos. Como costuma acontecer, a fenda aberta foi a desculpa para tornar a exceção a regra.
Sacrosanctum Concilum dedica uma secção à música sacra, reconhecendo a importância que teve ao longo dos dois mil anos de história da Igreja e o peso que tem para ajudar a ir ao encontro do mistério e da transcendência.
Dignidade da música sacra
Os Padres conciliares afirmam que a tradição musical da Igreja «constitui um tesouro de valor inestimável, que se destaca entre as outras expressões artísticas», e constitui «uma parte necessária ou integrante da liturgia solene». “Com efeito, o canto sacro foi louvado tanto pela Sagrada Escritura como pelos Santos Padres, os Romanos Pontífices, que, nos últimos tempos, a partir de São Pio X, explicaram com maior precisão a função ministerial da música sacra no serviço divino”. Na verdade, o Papa Sarto dedicou um motu proprio a esta questão.