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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Novos consultores do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso: pluralismo, “Pachamama”, feminismo e agenda sinodal

 Novos consultores do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso: pluralismo, “Pachamama”, feminismo e agenda sinodal 

 

O Boletim da Santa Sé anunciou nesta segunda-feira a nomeação de novos consultores do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso. A declaração, de tom estritamente administrativo, limita-se a listar 19 nomes, encargos e processos. No entanto, a lista inclui perfis que já estavam associados a debates eclesiais muito específicos – por causa de sua atividade pública, suas declarações ou seu quadro teológico – e é por isso que o anúncio levantou questões sobre o tipo de abordagem que deve ser reforçada em um dicastério particularmente sensível, onde a linguagem e os gestos têm consequências pastorais e doutrinárias. O portal en.news destacou diversos perfis para suas posições públicas e seu peso simbólico dentro do debate eclesial.

Entre os consultores nomeados estão, entre outros, Emilce Cuda (Comissão Pontifícia para a América Latina), Mónica Santamarina (União Mundial das Organizações de Mulheres Católicas), Irmã Mary Teresa Barron (Superiora Geral das Missionárias de Nossa Senhora dos Apóstolos), Ana María Bidegain (ICMICA–MIIC Pax Romana), Catherine Cornille (Boston College) e Sofía Nicolasa Chipana Quispe (Comunidade de Mulheres Sábias e Teólogas de Abya Yala), bem como sacerdotes e acadêmicos de diferentes países.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Leão XIV proclama “o diálogo como modo de vida” diante de representantes de todas as religiões do mundo

Vaticano marca 60o aniversário da Declaração “Nostra Aetate” sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs do Vaticano II

Leão XIV proclama “o diálogo como um modo de vida” diante de representantes de todas as religiões 

 

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Das pontes de diálogo ao sincretismo: o Vaticano saúda os hindus no feriado de Diwali.

 

 

Em 11 de outubro, o Boletim da Santa Sé publicou uma mensagem do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso por ocasião do festival hindu de Diwali, que será celebrado em 20 de outubro. Sob o tema “Hindus e Cristãos: Construindo a Paz no Mundo por meio do Diálogo e da Colaboração no Espírito da Nostra Aetate”, o texto felicita as comunidades hindus e insiste na necessidade de fortalecer o diálogo e a colaboração inter-religiosos como caminho para a paz mundial. 

Assinada pelo Cardeal George Jacob Koovakad e por Monsenhor Indunil Janakaratne Kodithuwakku Kankanamalage, a mensagem comemora o 60º aniversário da Nostra Aetate e cita tanto este documento quanto o Documento sobre a Fraternidade Humana (Abu Dhabi, 2019). Significativamente, também inclui palavras recentes do Papa Leão XIV, que apelou à “construção de pontes por meio do diálogo e do encontro”. 

O tom é o de uma diplomacia religiosa que busca pontos em comum com o hinduísmo, destacando valores como paz, fraternidade e justiça. Mas o que surpreende — e preocupa — é o que não é dito: ao longo da mensagem, o nome de Jesus Cristo não aparece, nem é proclamado seu papel como único Salvador. Uma festa ligada a mitos pagãos é celebrada e apresentada como símbolo da "vitória da luz sobre as trevas", sem mencionar que o verdadeiro triunfo da Luz sobre as trevas ocorreu na Encarnação, na Cruz e na Ressurreição do Senhor. 

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Leão XIV reivindica o ecumenismo e o diálogo inter-religioso

Em um discurso proferido esta manhã no Salão Clementina do Palácio Apostólico, o Papa Leão XIV se dirigiu às delegações ecumênicas e inter-religiosas presentes em Roma por ocasião do início de seu ministério como Bispo de Roma e Sucessor de Pedro. Em suas palavras, o Santo Padre reiterou sua disposição de continuar o caminho do diálogo entre as denominações cristãs e as religiões do mundo, destacando o legado do Papa Francisco no campo da fraternidade universal.

Leão XIV reivindica o ecumenismo e o diálogo inter-religioso

Que as tradições religiosas trabalhem juntas pela paz, pela justiça e pelo bem comum.

 

Durante o seu discurso, Leão XIV expressou a sua gratidão pela presença e proximidade dos representantes de outras Igrejas, Comunidades eclesiais e religiões, aos quais saudou fraternalmente. Em particular, ele lembrou com carinho do Patriarca Ecumênico Bartolomeu, do Patriarca Teófilo III e de Mar Awa III, Patriarca da Igreja Assíria do Oriente.

Francisco, o papa dos Fratelli tutti

O Papa destacou o impulso dado por seu antecessor, Francisco, à fraternidade universal, lembrando que ele foi "o Papa da Fratelli tutti".

«O Papa da Fratelli Tutti promoveu tanto o caminho ecumênico como o diálogo inter-religioso, e o fez sobretudo cultivando as relações interpessoais, de modo que, sem diminuir os vínculos eclesiais, o aspecto humano do encontro fosse sempre valorizado. Que Deus nos ajude a valorizar seu testemunho!

Ele também reconheceu o progresso feito nesta área desde João XXIII até o presente.

sábado, 8 de março de 2025

Ramadã: muçulmanos e cristãos juntos num mundo em busca de esperança

"Este ano, quando nossas duas tradições espirituais se unem para celebrar o Ramadã e a Quaresma, temos uma oportunidade única de mostrar ao mundo que a fé transforma as pessoas e a sociedade, e que é uma força motriz para a unidade e a reconciliação", recorda a mensagem do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso para o mês do Ramadã.

Um momento de oração nestes dias de Ramadã em Jerusalém
Um momento de oração nestes dias de Ramadã em Jerusalém  (AFP or licensors)

 

Por Mariangela Jaguraba

 

"Cristãos e muçulmanos: o que esperamos nos tornar juntos" é o título da mensagem do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso enviada aos irmãos e irmãs muçulmanos por ocasião do mês do Ramadã e Id al-Fitr, divulgada nesta sexta-feira (07/03).

O texto, assinado pelo prefeito do organismo vaticano, cardeal George Jacob Koovakad, e pelo secretário mons. Indunil Kodithuwakku Janakaratne Kankanamalage, recorda que "este ano, o Ramadã coincide em grande parte com a Quaresma, que para os cristãos é um período de jejum, oração e conversão a Cristo".

“Essa proximidade no calendário espiritual nos oferece uma oportunidade única de caminhar lado a lado, cristãos e muçulmanos, num percurso comum de purificação, oração e caridade.”

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Acordo desonesto

O comentário do papa de que "Todas as religiões são um caminho para Deus" foi outro exemplo em que ele disse algo que parece caridoso — e provavelmente tinha a intenção de ser caridoso — mas, no final, não é. 

https://crisismagazine.com/wp-content/uploads/2024/09/GettyImages-2171675934.jpg 

 

Por Robert B. Greving

 

Na semana passada, tive um sério desentendimento com um colega professor que também é um bom amigo. Mais tarde naquela noite, vi onde errei: não apresentei meu lado claramente. Vi meu amigo no dia seguinte e me expliquei com a certeza de que isso esclareceria nossas diferenças. Ele apenas olhou para mim e disse: "Ah, não. Eu sabia exatamente o que você queria dizer. Só discordo de você." Abençoado é o homem com tais amigos. 

Isso traz à tona as recentes observações do Papa Francisco em um encontro inter-religioso em Singapura, quando ele disse: “Todas as religiões são um caminho para Deus”. Ele acrescentou mais alface à salada quando disse mais tarde: 

Se você começar a lutar, “minha religião é mais importante que a sua, a minha é verdadeira e a sua não”, aonde isso nos levará? Só existe um Deus, e cada um de nós tem uma linguagem para chegar a Deus. Alguns são xeques, muçulmanos, hindus, cristãos, e são caminhos diferentes [para Deus].

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Francisco assegura que todas as religiões são um caminho para chegar a Deus

No seu último discurso da Viagem Apostólica à Ásia e à Oceânia, o Papa improvisou algumas palavras durante um encontro inter-religioso com os jovens em Singapura.

Francisco assegura que todas as religiões são um caminho para chegar a Deus
Singapura, Encontro Inter-religioso com Jovens, 13 de setembro de 2024

 

Uma jovem sikh, um jovem hindu e uma jovem católica abriram o encontro dos jovens com o Papa falando sobre as suas experiências no diálogo inter-religioso. Três testemunhos aos quais Francisco respondeu deixando de lado o discurso que preparou, como costuma fazer nos encontros com os jovens, para refletir sobre as palavras que mais o tocaram: “críticos de poltrona”, “zona de conforto” e “tecnologia” que , embora deva ser utilizado, não deixa de trazer riscos.

No auditório do Catholic Junior College, repleto de jovens de diversas religiões, teve lugar o último evento da sua visita àquela pequena mas próspera cidade-estado, situada no extremo da península malaia. Tinha um carácter inter-religioso, dado o seu carácter multiétnico e multi-religioso, onde predominava o Budismo com 33% dos seus mais de 5 milhões de habitantes, o Cristianismo com 18% e o Islão com 14%, o Taoísmo com 10%, o Hinduísmo com 5% e, numa proporção menor, outras religiões.

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

O fracasso do diálogo inter-religioso com o Islão

https://crisismagazine.com/wp-content/uploads/2024/08/SFO4684.jpg 

 

Por Pe. Mário Alexis Portella 

 

Na semana passada, na manhã de 7 de agosto, o Papa Francisco, pouco antes da sua audiência geral regular de quarta-feira, recebeu um grupo de representantes da comunidade muçulmana afegã na Itália. Ele abordou a “história complicada e dramática [no Afeganistão], marcada por uma sucessão de guerras e conflitos sangrentos, que tornaram muito difícil para as pessoas levarem vidas pacíficas, livres e seguras”. 

O pontífice continuou dizendo aos homens afegãos – surpreendentemente não havia mulheres no encontro – “para continuarem em [seu] nobre esforço para promover a harmonia religiosa e se esforçarem para superar mal-entendidos entre diferentes religiões, a fim de construir caminhos de confiança, diálogo [inter-religioso] e paz”. 

O diálogo inter-religioso tem sido uma política constante do pontificado do Papa Francisco, mais ainda do que quando o Papa São João Paulo II estava nas rédeas da Igreja. No seu encontro histórico com o Patriarca russo Kirill, em 12 de fevereiro de 2016, em Havana, Cuba, por exemplo, Francisco sublinhou a vitalidade do diálogo inter-religioso “nos nossos tempos perturbadores” e confirmou que “[d]iferenças na compreensão das verdades religiosas não deve impedir que pessoas de diferentes religiões vivam em paz e harmonia.” 

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Nostra aetate: o documento que abriu o caminho para o diálogo com as religiões

No passado discutia-se sobre a interpretação dos textos, hoje são os próprios documentos do Concílio Vaticano II que estão sendo questionados. Recordemos como surgiu a declaração conciliar que marcou a história da Igreja.  

Jerusalém, 26 de maio de 2014: Papa Francisco no Muro das Lamentações com o rabino Abraham Skorka e o imame Omar Abboud
Jerusalém, 26 de maio de 2014: Papa Francisco no Muro das Lamentações com o rabino Abraham Skorka e o imame Omar Abboud

 

POR ANDREA TORNIELLI

 

A declaração conciliar Nostra aetate, aprovada pelos Padres conciliares do Vaticano II e promulgada por Paulo VI em 28 de outubro de 1965, mudou de modo irreversível as relações entre a Igreja Católica e o Judaísmo, na sequência dos passos dados por João XXIII, e também mudou a abordagem do catolicismo em relação às religiões não-cristãs. É considerado um texto fundador para o diálogo com outras confissões religiosas, resultado de um longo trabalho.

Relação única entre o cristianismo e o judaísmo

A parte central do documento refere-se ao judaísmo: “Sondando o mistério da Igreja, este sagrado Concílio recorda o vínculo com que o povo do Novo Testamento está espiritualmente ligado à descendência de Abraão… Sendo assim tão grande o patrimônio espiritual comum aos cristãos e aos judeus, este sagrado Concílio quer fomentar e recomendar entre eles o mútuo conhecimento e estima, os quais se alcançarão sobretudo por meio dos estudos bíblicos e teológicos e com os diálogos fraternos”. Palavras que representam o reconhecimento das raízes judaicas do cristianismo e a relação única que existe entre a fé cristã e o judaísmo, como sublinhou João Paulo II em abril de 1986, quando visitou a Sinagoga em Roma. Um tema sobre o qual Joseph Ratzinger, como teólogo também refletiu, e como Bispo de Roma, refletiu na sua visita à Sinagoga de Roma em janeiro de 2010. Na ocasião lembrou que "a doutrina do Concílio Vaticano II tornou-se para os católicos um ponto firme ao qual fazem referência constante na atitude e nas relações com o povo judeu, marcando uma etapa nova e significativa”. O acontecimento conciliar deu um impulso decisivo no compromisso de se percorrer irrevogavelmente um caminho de diálogo, fraternidade e amizade.

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Por que a China, o país menos religioso do mundo, fica de olho em Francisco?

Francisco, apenas com a sua presença na Mongólia, enviou várias mensagens tanto à atual Rússia como à ainda China comunista no papel: a única instituição que sobrevive, e com a mesma missão que os missionários católicos realizaram nos séculos XVI e XVII (fundamentalmente jesuítas, como Bergoglio), é quem ele representa. Os outros são cinzas e história. É por isso que nenhum dos dois líderes, Vladimir Putin e Xi Jinping, convidaram Francisco para visitar os seus países.

As principais confissões, reunidas às portas da Grande Muralha, para ouvir o líder religioso mais influente do planeta no encontro inter-religioso e ecuménico em Ulaanbaatar no passado domingo. E a China, que conseguiu livrar-se do Dalai Lama no Tibete, olha agora com desconfiança para o Papa de Roma, que no seu tempo escapou por pouco às terríveis incursões mongóis...

Francisco e Xi Jinping
Francisco e Xi Jinping  

 

 Por José Lourenço

 

Assim que começou a sobrevoar o território chinês no seu avião com destino à Mongólia, o Papa Francisco enviou um telegrama ao Presidente Xi, no qual, além de lhe assegurar orações “pelo bem-estar da Nação”, pediu todo o povo da China "bênçãos de unidade e paz". Poucas horas depois, um responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês respondeu ao gesto amigável do Pontífice salientando que o seu país “está disposto a continuar a trabalhar com o Vaticano para se envolver num diálogo construtivo, reforçar a compreensão e a confiança mútuas, e promoverá um processo de melhoria das relações bilaterais". Nesse ponto,em Ulaanbaatar, diante dos quase 1.500 católicos da Mongólia, a menor comunidade nacional de toda a Igreja.

sábado, 2 de setembro de 2023

Papa Francisco: a harmonia e a sinergia entre fiéis de diferentes confissões contribuem para o progresso moral e espiritual

No seu primeiro discurso durante a 43ª Viagem Apostólica ao coração da Ásia, durante o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático, o Papa, inspirado pelo ger, habitação tradicional mongol, destacou os vínculos entre a nação e o Santo Ver e celebrar o papel ativo da pequena comunidade católica.

 Papa Francisco: a harmonia e a sinergia entre fiéis de diferentes confissões contribuem para o progresso moral e espiritual 

 

A agenda oficial do Papa Francisco na Mongólia começou na manhã deste sábado, 2 de setembro: quando ainda era cedo em Roma, a Praça Sükhbaatar acolheu a cerimónia de boas-vindas do Papa. Posteriormente, o Papa foi recebido pelo Presidente, Ukhnaagiin Khürelsükh, realizou-se a Guarda de Honra, cantaram-se os hinos, homenagearam-se as bandeiras e apresentaram-se as delegações. Francisco reuniu-se em privado com o presidente no Palácio do Governo ou do Estado, assinou o Livro de Honra, foi tirada uma fotografia oficial, conheceu a família do Chefe de Estado e foram trocados presentes.

Foi significativa a mensagem que o Pontífice deixou no Livro de Honra: «Peregrino da paz neste país jovem e antigo, moderno e rico de tradições, tenho a honra de percorrer os caminhos do encontro e da amizade, geradores de esperança. Que o grande céu claro, que abraça a terra mongol, ilumine novos caminhos de fraternidade».

Francisco entregou ao Presidente uma medalha comemorativa desta visita apostólica. É ao mesmo tempo uma medalha de prata, com tiragem de 80 peças, e uma medalha de bronze patinada à mão, cunhada em 1500 peças, impressa por Avs - Alberti Visconti  Senesi Manifattura Metalli. A artista que o criou é Amalia Mistichelli, também autora da medalha da Jornada Mundial da Juventude de Lisboa, que com o seu estilo inconfundível conseguiu reunir, num espaço limitado – aliás, o diâmetro é de 5 centímetros – os monumentos e os elementos mais característicos da Mongólia, formando uma única composição harmônica. As linhas do desenho são sutis e claras e cobrem a superfície decorada com claro-escuro que realça a profundidade do que aparece, criando uma paisagem fantástica. Os destaques da cultura mongol aparecem no verso.

sábado, 6 de novembro de 2021

A casa da família abraâmica: uma receita para diluir a fé

Abrahamic Family House 

 

A Casa da Família Abraâmica está programada para ser inaugurada em Abu Dhabi em 2022. Ela consistirá em três edifícios principais - uma mesquita, uma igreja e uma sinagoga. Um projeto do Comitê Superior da Fraternidade Humana (HCHF), a Casa da Família Abraâmica foi inspirada no Documento de 2019 sobre a Fraternidade Humana assinado pelo Papa Francisco e o Grande Imam Ahmed el-Tayeb. De acordo com o presidente do HCHF, o site “sintetiza a coexistência harmoniosa inter-religiosa e preserva o caráter único de cada religião”.

O principal impulso para harmonizar as três religiões abraâmicas vem do Papa Francisco. Ele há muito defende que várias religiões se unam sob crenças e valores comuns. O problema é que as crenças e valores comuns descritos no Documento sobre a Fraternidade Humana são principalmente valores humanísticos - tolerância, aceitação, fraternidade, compreensão mútua e assim por diante. Deus é mencionado com frequência, mas Ele é um Deus genérico. Ele criou todos os seres humanos igualmente e deseja que vivam juntos em paz e harmonia como irmãos e irmãs.

domingo, 10 de outubro de 2021

Papa Francisco pede 'mais vacinas' em reunião de líderes mundiais em Roma

O 35º Encontro de Diálogo e Oração pela Paz aconteceu esta semana em Roma, lidando com a fraternidade e as mudanças climáticas, e baseado no encontro de 1986, onde o Papa João Paulo II permitiu o 'culto idólatra'.  

Imagem em destaque
O Papa Francisco faz o discurso de encerramento no encontro ecumênico em Roma.

  

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Vaticano, religiões unidas pelo planeta: mudar o rumo para ter futuro

No Vaticano, a assinatura e a oração silenciosa, os discursos do cardeal Parolin, de uma jovem participante da Youth4Climate de Milão e dos 22 representantes das religiões da Terra, desde o Grão Imame Al-Tayyeb ao Patriarca Bartolomeu, do Arcebispo Welby aos líderes judeus e budistas, presentes no evento "Fé e Ciência: rumo à Cop26".


Por Alessandro Di Bussolo/Mariangela Jaguraba

 

A caneta para assinar o apelo sobre o qual estão trabalhando desde o início do ano, o silêncio para rezar juntos, cada um de acordo com seus próprios credos, mantendo no coração os pobres, os primeiros a serem danificados pelas mudanças climáticas, a voz para reiterar o compromisso de salvar a Terra, nossa Casa comum, e por fim a mão para derramar um copo de terra no vaso de uma jovem oliveira plantada nos Jardins Vaticanos.

A assinatura do apelo, entregue ao presidente da Cop26

Quatro gestos e momentos resumem o evento histórico realizado na manhã de 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, na Sala das Bênçãos, no Vaticano, intitulado "Fé e Ciência: rumo à Cop26", promovido pelas embaixadas do Reino Unido e da Itália junto à Santa Sé, junto com a própria Santa Sé. Os protagonistas foram 22 dos 40 líderes religiosos que prepararam e depois aderiram ao apelo assinado e entregue hoje ao presidente da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas a ser realizada, em Glasgow, na Escócia, de 31 de outubro a 12 de novembro, mas também dois jovens participantes do evento "Youth4Climate" em Milão, que prepararam propostas para a Cop26, os cientistas presidentes das Pontifícias Academias das Ciências e Ciências Sociais.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

O Papa: respeitemos o ser humano, a criação e o Criador. Cop26 ofereça respostas eficazes

O Papa Francisco reuniu cientistas, especialistas e líderes religiosos no Vaticano para o encontro "Fé e Ciência", durante o qual foi assinado um apelo conjunto em vista do evento de Glasgow. O Pontífice entregou aos participantes seu discurso escrito, no qual faz um apelo a adotar comportamentos e ações modelados na 'interdependência' e 'corresponsabilidade' para neutralizar as 'sementes do conflito' que prejudicam o meio ambiente e a pessoa humana.

O Papa Francisco no encontro "Fé e Ciência". Rumo à Cop 26" na Sala das Bênçãos, no Vaticano
O Papa Francisco no encontro "Fé e Ciência." Rumo à Cop 26" na Sala de Bênçãos, no Vaticano.

 

Por Salvatore Cernuzio/Mariangela Jaguraba

 

"Tudo está interligado, tudo no mundo está intimamente conexo": ciência e fé, homem e criação. Portanto, é necessário adotar comportamentos e ações modelados na "interdependência" e "corresponsabilidade" e, sobretudo, no "respeito" recíproco, a fim de combater aquelas "sementes de conflito" tais como ganância, indiferença, ignorância, medo e violência que causam feridas tanto no ser humano quanto no meio ambiente. No dia do primeiro aniversário da Encíclica Fratelli tutti, dedicada à fraternidade humana, o Papa Francisco reúne, esta segunda-feira (04/10), na Sala das Bênçãos, no Vaticano, cientistas, especialistas e líderes religiosos (dentre eles o Grão Imame de al-Azhar, Ahmad al-Tayyeb, e o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I) para o encontro "Fé e Ciência. Rumo à Cop 26". Um evento que - como diz o título – olha para a conferência climática anual da ONU programada para se realizar, em Glasgow, na Escócia, de 31 de outubro a 12 de novembro.

Apelo conjunto

Em meio a música e momentos de silêncio, discursos e debates em vários idiomas, todos os presentes assinaram um apelo conjunto no qual ilustraram vários percursos educacionais e de formação a serem desenvolvidos em favor do cuidado da Casa comum. O Pontífice entregou o documento ao presidente da Cop26, Alok Sharma, e ao ministro das Relações Exteriores italiano, Luigi Di Maio; junto com ele, as três páginas de seu discurso: "Vocês têm a transcrição do que tenho a dizer agora e para não sair fora do tempo necessário para todos falarem, deixo o texto em suas mãos. Vocês podem lê-lo e assim continuamos esta celebração."

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Nostra aetate: o documento que abriu o caminho para o diálogo com as religiões

No passado discutia-se sobre a interpretação dos textos, hoje são os próprios documentos do Concílio Vaticano II que estão sendo questionados. Recordemos como surgiu a declaração conciliar que marcou a história da Igreja.

Jerusalém, 26 de maio de 2014: Papa Francisco no Muro das Lamentações com o rabino Abraham Skorka e o imame Omar Abboud
Jerusalém, 26 de maio de 2014: Papa Francisco no Muro das Lamentações com o rabino Abraham Skorka e o imame Omar Abboud  (Vatican Media)

 

 

Por ANDREA TORNIELLI

 

A declaração conciliar Nostra aetate, aprovada pelos Padres conciliares do Vaticano II e promulgada por Paulo VI em 28 de outubro de 1965, mudou de modo irreversível as relações entre a Igreja Católica e o Judaísmo, na sequência dos passos dados por João XXIII, e também mudou a abordagem do catolicismo em relação às religiões não-cristãs. É considerado um texto fundador para o diálogo com outras confissões religiosas, resultado de um longo trabalho.

Relação única entre o cristianismo e o judaísmo

A parte central do documento refere-se ao judaísmo: “Sondando o mistério da Igreja, este sagrado Concílio recorda o vínculo com que o povo do Novo Testamento está espiritualmente ligado à descendência de Abraão… Sendo assim tão grande o patrimônio espiritual comum aos cristãos e aos judeus, este sagrado Concílio quer fomentar e recomendar entre eles o mútuo conhecimento e estima, os quais se alcançarão sobretudo por meio dos estudos bíblicos e teológicos e com os diálogos fraternos”. Palavras que representam o reconhecimento das raízes judaicas do cristianismo e a relação única que existe entre a fé cristã e o judaísmo, como sublinhou João Paulo II em abril de 1986, quando visitou a Sinagoga em Roma. Um tema sobre o qual Joseph Ratzinger, como teólogo também refletiu, e como Bispo de Roma, refletiu na sua visita à Sinagoga de Roma em janeiro de 2010. Na ocasião lembrou que "a doutrina do Concílio Vaticano II tornou-se para os católicos um ponto firme ao qual fazem referência constante na atitude e nas relações com o povo judeu, marcando uma etapa nova e significativa”. O acontecimento conciliar deu um impulso decisivo no compromisso de se percorrer irrevogavelmente um caminho de diálogo, fraternidade e amizade”.

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Budistas e cristãos: por uma cultura do cuidado e da solidariedade

Foi divulgada a mensagem dos Cristãos aos Budistas por ocasião da festa do Vesakh que comemora os eventos principais da vida de Buda. Neste ano o tema ligado à pandemia é: "Promovamos a cultura do cuidado e da solidariedade"  

Devotos budistas rezam no Dia do Vesakh na Indonésia

Por Jane Nogara

 

Foi divulgada na manhã desta quarta-feira (26/05) a mensagem do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso aos Budistas por ocasião do Vesakh 2021, festa mais importante para os budistas em que se comemora os eventos principais da vida de Buda. Neste ano o tema da mensagem “Promovamos a cultura do cuidado e da solidariedade” quer evidenciar que a trágica situação mundial, marcada pela pandemia da Covid-19, exorta os seguidores de todas as religiões a colaborarem ao serviço da humanidade comum. Destacando as palavras de Francisco na encíclica Fratelli tutti na qual “reiterou a urgência de uma solidariedade universal que permita à humanidade superar - todos juntos - as difíceis crises pelas quais está ameaçada, porque ‘ninguém se salva sozinho’".

domingo, 17 de maio de 2020

Maçonaria italiana aplaude iniciativas do Vaticano por 'irmandade' inter-religiosa

O Grande Oriente da Itália dedicou um artigo no órgão maçônico Nuovo Hiram para elogiar a iniciativa papal de 'irmandade entre religiões', coincidindo com o dia inter-religioso de jejum e oração chamado de Roma contra o coronavírus.


Grande Oriente da Itália

quinta-feira, 2 de abril de 2020

O Vaticano: que a colaboração com os budistas seja "uma fonte de bênção para todos os seres sencientes e para o planeta"

"Podemos nos dedicar mais livremente a promover uma cultura de compaixão e fraternidade para aliviar o sofrimento da humanidade e do meio ambiente".



Vesakh é o festival mais importante para os budistas, pois comemora os principais eventos da vida de Buda. Este evento é comemorado em diferentes datas nos diferentes países da cultura budista. Mas a maioria comemora este ano de 2020, no próximo dia 6 de maio. O Vaticano não quis perder esta oportunidade de transmitir uma mensagem àqueles que professam essa religião. Isso foi feito através do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, liderado pelo cardeal espanhol Miguel Ángel Ayuso, com uma mensagem intitulada: "Budistas e cristãos: vamos construir uma cultura de compaixão e fraternidade".

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

A soberba religiosa como impedimento para o diálogo inter-religioso

Religiões hegemônicas costumam considerar que sua perspectiva é superior a de outras crenças


Como é possível dialogar com alguém quando já se parte do pressuposto de que o outro me é inferior? (Ben White/ Unsplash)

Por Fabrício Veliq*

A soberba, conhecida como um dos 7 pecados capitais, tem por sinônimo a arrogância. Em outras palavras, a pessoa soberba é aquela que se considera melhor que as outras, superior a elas, que se vê em uma posição elevada em relação a qualquer outra que cruze o seu caminho.
Pessoas soberbas, geralmente, não são bem quistas, sendo mais suportadas do que desejadas nos diversos grupos das quais fazem parte. Da mesma forma, por se considerarem melhores e superiores às outras, na maioria das vezes, não estão dispostas a ouvir posições diferentes das suas. Acham que determinada opinião ou determinado conhecimento não cooperarão em nada para seu crescimento ou amadurecimento. Na verdade, soberbos acreditam piamente que já alcançaram o máximo de conhecimento que se possa ter em determinado assunto colocado.
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