Nunca foi a mera prova da existência de Deus que inflamou Agostinho; foi, antes, a graça de permanecer firme em seguir o Senhor, na verdade, em se apaixonar pelo Senhor.
*Por Régis Martin
Um deísta, pode-se dizer com justiça, é alguém que ainda não encontrou tempo para se tornar ateu. Mas ele o fará, não se engane, e ao longo do caminho ele quase certamente cairá no agnosticismo. É a posição padrão mais fácil e óbvia para o intelectualmente indolente. Quer dizer, se ninguém realmente sabe o que Deus é, talvez nem devêssemos dizer que há um Deus.
Parece razoável? Não se você considerar a sabedoria cumulativa de inúmeros ancestrais, incluindo Agostinho, que não conseguiam sequer imaginar um mundo sem Deus. Somente a hipótese de Deus faz sentido, ele e inúmeros outros diriam sem hesitação, na ausência da qual não somos melhores do que o pobre Macbeth, para quem a vida se tornou “um conto contado por um idiota, cheio de som e fúria, sem significar nada”.
Em um pequeno livro elegante chamado The Problem of God, o padre John Courtney Murray, SJ, desnuda as pretensões dessas pessoas, expondo o que ele chama de uma espécie de “estupidez” tão singular que até a era moderna ninguém minimamente inteligente ousaria defendê-la. O agnosticismo não é apenas “uma recusa implícita de Deus”, insiste Murray,
