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terça-feira, 30 de março de 2021

Por que Deus é comparado ao fogo?

Todos nós certamente já ouvimos alguma vaga menção ao fogo e à luz em matéria religiosa… Mas qual é, afinal, o simbolismo profundo do fogo? Por que razões o próprio Deus, em várias passagens da Escritura, é comparado a esse elemento da natureza?


 

Por Peter Kwasniewski 

Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

 

Como leigo no banco da igreja, vira e mexe me pergunto por que os clérigos não pregam mais vezes sobre o sentido simbólico dos ritos, gestos e objetos da Liturgia, para não falar dos textos (especialmente dos Próprios da Missa — para os lugares afortunados em que ainda se utilizam os Próprios). Ora, já que a Liturgia é o objeto mais óbvio e comum de percepção e meditação para todos os presentes, parece útil e adequado pregar de tal modo, que os fiéis alcancem pouco a pouco uma compreensão mais profunda do que estão vendo e fazendo. É verdade que isso pode tornar-se pesado e excessivamente didático; mas, pelo menos, permite abordar o conteúdo de uma dada celebração — não me refiro aqui às leituras, que são o centro de atenção, mas aos outros elementos da Liturgia que se desenvolvem em torno das leituras. Um sinal de que isso é oportuno pode ser visto na incrível quantidade de pregações patrísticas e medievais dedicadas a desvelar o sentido da Liturgia aos fiéis.

Uma boa oportunidade está se aproximando rapidamente: refiro-me à grande Vigília de Páscoa, quando se acende e ilumina com fogo novo o Círio Pascal. Todos nós, é provável, já ouvimos alguma menção em homilias ao fogo e à luz, mas tudo envolto em aparentes generalidades, o que tem a eficácia de clichês. Por que não seguir os passos de S. Tomás de Aquino e meditar o simbolismo profundo do fogo — em concreto, quais são as razões por que Deus mesmo é comparado ao fogo? Em seus comentários à Escritura, o Doutor Angélico comenta várias vezes por que Deus e sua ação são comparados ao fogo.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Purgatório: o fogo purificador

“Para que a genuinidade da vossa fé, mais preciosa que o ouro, que embora perecível, seja provada pelo fogo” (1Pedro 1,7)



 
Tradução: Carlos Martins Nabeto
 
 
Um outro ensino comumente incompreendido da Igreja diz respeito ao Purgatório. O Purgatório não é uma “segunda chance” para as almas condenadas se arrependerem. Ao invés disso, é um estado de limpeza e purificação para as almas destinadas ao céu [=salvas]. O Purgatório também não é um meio de se ganhar o caminho para o céu, mas um presente de Deus que nos prepara para vê-Lo face a face. Mesmo que não seja explicitamente referido pelo nome, a Bíblia faz alusão [ao Purgatório], especialmente em termos de fogo purificador.
A palavra “purgatório” está relacionada ao verbo “purificar”, que significa “limpeza, purificação”. De acordo com o Catecismo da Igreja Católica (CCC):
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