Por: Mons. Alberto José González Chaves
Vários jovens padres me enviaram um artigo, expressando-me seu desagrado e perplexidade. Como o autor me era completamente desconhecido e eu nunca havia lido aquela revista, não me interessei muito em lê-lo. No entanto, por insistência de outros clérigos, especialmente do sudeste da Espanha, finalmente o fiz. Era um texto muito simples. Não me incomodou, nem achei desproporcional a preocupação daqueles que me enviaram o artigo: que um texto de natureza pessoal (não teológico, nem mesmo doutrinal) pudesse fomentar uma compreensão horizontalista da Santa Missa, como se seu centro residisse mais na assembleia do que em Deus.
As afirmações do artigo eram sempre introduzidas por alusões a experiências subjetivas: "Eu gosto", "Eu acredito", "quando vou", "Eu encontrei", "Eu sofro", "Eu aprecio". Isso me levou a interpretá-lo mais como um desabafo psicológico do que como ensinamento pastoral, do qual não oferecia qualquer indício. Não obstante, decidi escrever estas linhas, que não pretendem refutar opiniões (o grau mais baixo da verdade), e muito menos discutir gostos ou desgostos, mas reafirmar com serenidade teológica aquilo que a Igreja sempre acreditou sobre o Mistério Eucarístico: que a Missa é sacrifício, culto trinitário e presença real do Divino Mártir e Sacrificador do Calvário.

