Tal como a Virgem Maria, também nós devemos iluminar as realidades da vida com a moderação que dela aprendemos
Por Vitor Roberto Pugliesi Marques
Diante das diversas circunstâncias da vida, perguntamo-nos, com
frequência, qual é o modo como Deus deseja que nos comportemos. Tal
questionamento é muito salutar, pois se damos uma resposta às coisas de
modo iluminado pela sabedoria do Senhor, temos a certeza de que não nos
confundimos nem erramos. Mas qual é essa medida? Diante de uma feliz
notícia, de um desafio proposto ou de uma pesarosa realidade, como se
comportar? Iluminados pelos ensinamentos da Virgem Maria, gostaríamos de
propor algumas reflexões.
Em seu primoroso livro “A Vida da
Virgem”, São Máximo, o Confessor, tece comentários sobre o mistério da
Anunciação do Anjo à Virgem Maria. Quando o Anjo diz: “Eis que
conceberás e darás à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus” (Lc
1,31), Maria interpela o Anjo dizendo: “Como se fará isso, pois não
conheço homem?” (Lc 1, 34) e obtém a resposta precisa de que o Espírito
Santo descerá sobre ela e, assim, ela será a Mãe do Filho de Deus (cf.
Lc 1,35). Somente após esse entendimento vai se dar a magistral abertura
da Virgem ao plano de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim
segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). Diz-nos São Máximo que a Virgem
perturbou-se como convinha, dotando uma posição “intermediária entre
Isaías em sua obediência cega e Zacarias e sua incredulidade
imensurável” (cf. A Vida da Virgem, São Máximo, o Confessor. Tradução Priscila Catão – Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020, p 32.). Expliquemos.