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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

De “vá e não peques mais” a “vale tudo”

Cardeal Hollerich [captura de tela do YouTube]

 

Por Brad Miner

Antigamente, o vislumbre de uma pessoa indiferente Era considerado escandaloso, Mas agora, Deus sabe, Vale tudo.

– “Vale tudo”, de Cole Porter (1934) 

Uma única manchete no Vatican News me fez pensar: 

Papa diz que ataque de Israel ao Hamas no Catar constitui uma “situação muito grave”. 

Em si, é uma simples declaração de fato. E é inquietante se, como na minha opinião, evoca “guerras e rumores de guerras” (Mateus 24:6-7, Marcos 13:7 e Lucas 21:9). O mundo é um lugar perigoso e a diplomacia é essencial. 

Mas há razões existenciais para ser cético quanto ao sucesso de esforços diplomáticos, quanto mais de declarações de paz sobre Gaza, etc. Além disso, negociações — quanto mais boas intenções — não salvarão o mundo; Cristo o fará. Se todos vivêssemos na luz de Deus, teríamos paz na Terra. Mas como não...

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Derrubando Falsos Ídolos: A Verdade Imutável de Jesus

Depois de um século de heresias modernistas, surgiu uma nova onda de ataques cristológicos à pessoa de Cristo — desta vez não por parte de teólogos heréticos, mas por parte de uma multidão ideológica degenerada.

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Por Scott Ventureyra 

 

Num momento que capta o espírito da nossa era cultural, o comediante Stephen Colbert celebrou recentemente a escolha de Cynthia Erivo para o papel de Jesus em  Jesus Christ Superstar, de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice, no Hollywood Bowl. O apresentador de talk shows, que frequentemente apregoa a sua fé católica romana, considerou a formação "muito aguardada". Erivo, uma atriz britânica careca, negra e bissexual que usa pronomes "they/them" (eles/elas), vai tornar-se a primeira mulher a interpretar Jesus numa grande produção do musical. Colbert esforçou-se para conter a excitação. Mas o que, precisamente, está a ser celebrado?

O entusiasmo de Colbert não é um gesto isolado. Isto reflete o nosso mal-estar cultural, em que as agendas ideológicas prevalecem sobre a verdade e a tradição. Tal como nos tempos bíblicos, a idolatria continua a ser uma característica central da nossa época, talvez até mais generalizada e sofisticada. Hoje, não é a adoração de estátuas esculpidas, mas a elevação de ideologias progressistas que procuram substituir Deus. As verdades essenciais não são meramente ignoradas, mas ativamente reimaginadas sob a bandeira da diversidade, equidade e inclusão, juntamente com apelos à criatividade e ao progresso. Não se trata, como alguns afirmam, de um esforço para dar voz aos marginalizados. Qualquer observador astuto da nossa cultura pode ver que se trata de uma distorção teológica: uma reformulação de Deus à nossa própria imagem para se adequar aos gostos e agendas contemporâneos. Mesmo pensadores bem-intencionados que falam de fé ou verdade divina podem cair nesta armadilha quando Deus é reduzido a um princípio abstrato ou subjetivo.

sábado, 30 de novembro de 2024

Religião popular ou igreja paralela?

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Por através de O Padre Ildefonso de Assis

 

A religiosidade popular é, sem dúvida, um fenômeno que cresce significativamente e de uma maneira especial na Espanha e nas nações hispânicas. Fraternidades, irmandades, grupos de fiéis, associações de devotos... e acrescentam uma quantidade considerável dentro da Igreja Católica, cujas hierarquias não deixam de estimular e encorajar. É justo que, desde o início, todos os elementos positivos desta forma de piedade cristã sejam objetivamente valorizados e os seguintes se destaquem:

1. Diante da onda que cresce, em progressão geométrica, de secularismo agressivo que visa (e consegue) apagar e/ou minimizar qualquer expressão pública da fé cristã, a religiosidade popular atua como uma forte barragem de contenção que consegue fazer fisicamente as principais verdades da religião católica e seus eventos mais significativos presentes. Onde há religiosidade popular, a população sentirá que o Natal chega, a Semana Santa, o mês de Maria Santíssima... e outras grandes datas do calendário litúrgico. Há nações, como a Espanha, onde há uma clara diferença entre o norte e o sul, por exemplo, quando chega a semana e o Tríduo da Páscoa. A diferença é a existência ou ausência do fenômeno citado.

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Do Juízo Final de 1959 ao Estreito de 2024

A decisão do Papa João XXIII de ignorar a mensagem do terceiro segredo de Fátima e, em vez disso, convocar um concílio ecumênico teve consequências terríveis.

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Por David Torkington

 

Quando a maioria dos católicos ouve falar de revelações, eles ficam compreensivelmente céticos. Afinal, eles dizem, não temos já o ensinamento de Cristo, a palavra inspirada de Deus nas Escrituras e o ensinamento dogmático da Igreja? Que necessidade temos de revelações? Eles estão, é claro, certos. Mas o que acontece quando o ensinamento de Cristo que ainda pode estar vivo na mente morre no coração, como aconteceu com o amor de Deus quando o jansenismo era abundante na Igreja? O próprio Cristo apareceu a Santa Margarida Maria — não para nos dar um novo ensinamento, mas para nos incendiar mais uma vez com o ensinamento do Sagrado Coração que reafirmou o amor de Cristo derramado no primeiro Dia de Pentecostes. 

O mesmo aconteceu no século passado, quando corações que antes praticavam amar a Deus endureceram e se voltaram para o amor-próprio. Foi então que Nossa Senhora de Fátima apareceu para chamar as pessoas a praticarem amar a Deus novamente, arrependendo-se, rezando e fazendo sacrifícios. Este não era um ensinamento novo, pois era o ensinamento que seu Filho Amado havia ensinado; mas seus filhos o haviam esquecido — pelo menos esquecido de praticá-lo. 

sábado, 7 de setembro de 2024

A linhagem modernista do Sínodo de Francisco sobre a sinodalidade e suas implicações

“O Santo Povo de Deus foi posto em movimento para a missão graças à experiência sinodal... As sementes da Igreja sinodal já estão brotando!” (Cardeal Jean-Claude Hollerich, 14 de junho de 2024)

A linhagem modernista do Sínodo de Francisco sobre a sinodalidade e suas implicações


Por:  Robert Morrison

 

O Pe. Dominique Bourmaud foi para sua recompensa eterna em 4 de setembro de 2021, um mês antes de Francisco anunciar sua intenção de “criar uma igreja diferente” com o Sínodo sobre a Sinodalidade. Notavelmente, porém, o Pe. Bourmaud foi capaz de descrever a essência da Igreja Sinodal em seu livro de 2003, Cem Anos de Modernismo:

“A Igreja Tirreliana é tão elástica quanto seu dogma. 'A noção de um organismo eclesiástico completo produzido diretamente por um fiat divino no dia de Pentecostes' é pura fantasia. A Igreja não é uma instituição como o império eclesiástico do Vaticano; ela é a vida de um povo em progresso. A inspiração de Cristo primeiro colocou a Igreja em movimento; é suficiente que ela mantenha esse movimento até o fim dos tempos. A Igreja monárquica, romana, deve ser claramente distinguida da consciência coletiva do Povo de Deus, que é sempre saudável e robusta, e que verdadeiramente possui autoridade e infalibilidade.”

Conforme discutido abaixo, os arquitetos do Sinodal sobre a Sinodalidade poderiam produzir uma descrição precisa e sucinta de seu projeto diabólico simplesmente substituindo “Tyrrellian” por “Synodal” na descrição do Pe. Bourmaud da Igreja Tyrelian. Como o Pe. Bourmaud previu com precisão a Igreja Sinodal há mais de vinte anos? Para entender isso, devemos considerar brevemente o Pe. George Tyrrell.

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

O novo circo romano

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Por Tomás I. González Pondal

 

Talvez seja desnecessário que alguém se lembre do que acontecia nos circos da Roma pagã, mas, por precaução, acho que é bom lembrar. Houve um tempo em que certas pessoas desfrutavam de massacres sangrentos e horríveis que consideravam espetáculos formidáveis ​​e divertidos, espetáculos promovidos pela política do momento. Os circos romanos eram um terreno fértil para mártires. Então, nesses lugares vimos: algum imperador possuído por um demônio; alguns obedientes e muito próximos dele; alguns políticos covardes que eram complacentes com o governante, mas que no fundo o detestavam; os espectadores enfurecidos; os torturadores, as feras; e antes de todos eles: os cristãos que deram o seu sangue por amor a Deus e para não cair na idolatria.

Aqui está o paganismo do circo desejoso de diversão e prazeres, em última análise desejoso do mundo e da falsa religiosidade. Porque o mundo sempre teve e tem a sua falsa religiosidade. 

O grito que fez tremer até a própria arena foi: “Cristãos às feras!” E você viu as feras famintas saltando sobre os católicos inflamados de amor. Mártires gratos a quem os martirizou porque os enviaram prontamente a Cristo. Homens e mulheres mais velhos, meninos e meninas das mais tenras idades, cuja fé era mais firme que o aço e mais luminosa que a própria luz, desfilavam pelo circo romano. As presas afiadas dos felinos afundaram neles, e as garras ferozes destes últimos sulcaram a carne. Membros fragmentados espalhados por toda parte e sangue fresco regava as arenas do circo.

terça-feira, 16 de julho de 2024

Dom Schneider: O modernismo condenado por Pio X “se concretizou em todas as suas consequências devastadoras”

“Lutar contra a heresia é um ato verdadeiramente nobre e altruísta, uma expressão de um amor autêntico pelo próximo”, disse o Bispo Schneider à LifeSiteNews. 

Imagem em destaque
Bispo Schneider


Nesta nova entrevista (veja o texto completo abaixo), o prelado discute a atmosfera de heresia e relativismo em nossa Igreja hoje. “Reina um relativismo implacável”, diz ele, explicando ainda que “o modernismo filosófico e teológico”, tal como condenado pelo Papa Pio X no início do século XX “se concretizou em todas as suas consequências devastadoras na vida do Igreja dos nossos dias.” Dom Schneider prossegue dizendo: “Além disso, mesmo as autoridades eclesiásticas de alto escalão dos nossos dias estão promovendo este modernismo através de várias declarações e atos oficiais”. Como “excelente exemplo” deste modernismo, ele menciona o documento do Vaticano Fiducia supplicans, de 2023, “que autoriza a bênção de casais adúlteros e sodomitas que coabitam numa união pública e objetivamente pecaminosa”.

Questionado sobre o que está na raiz das heresias de hoje, Schneider responde: “A raiz da heresia do nosso tempo é o relativismo nas suas características hegelianas. Isso significa que [afirma] que não pode haver uma verdade que seja objetivamente sempre e em toda parte verdadeira em si mesma. A verdade é, em última análise, feita pelo homem e através do desenvolvimento histórico.”

sábado, 13 de julho de 2024

Variações do poder do Demônio. –Idade Moderna, v. XIX. Bem-aventurado Pio IX

 

Por 

Introdução

A grande perseguição que a Revolução Francesa (1789-1799) desencadeou contra a Igreja durou todo o século XIX e, na segunda metade do século, atacou especialmente a Santa Sé Romana. Deus providente e misericordioso suscitou para este tempo três Papas sábios e valentes, que com a sua graça souberam resistir à tempestade diabólica vinda da firme Rocha da Sé de Pedro. Os três pontificados guiaram fielmente a Santa Igreja na transição do século XIX para o século XX: Pio IX durante trinta e dois anos (1846-78), Leão XIII durante vinte e cinco (1878-1903) e Pio X durante onze. (1903-14). Entre os três, 68 anos, e seu longo e coerente trabalho influenciaram beneficamente seus sucessores.

Hoje pode nos fazer muito bem recordar o “bom combate da fé” que cada um deles travou (2Tm 4,2.7). É útil saber o que estes três Sucessores de Pedro diagnosticaram dos males do seu tempo e como os combateram com a força da graça divina. E também é conveniente saber bem o que os Papas do nosso tempo diagnosticaram dos males do nosso tempo, bem como a sua acção contra eles. É isso que, se Deus quiser, tentarei fazer em três artigos dedicados aos três Romanos Pontífices mencionados.

domingo, 30 de junho de 2024

A LIBERDADE RELIGIOSA É CRISTÃ OU RAZOÁVEL?

“O reconhecimento, pelo Concílio Vaticano II, do direito à liberdade religiosa foi um acontecimento considerável, pois rompeu com o ensinamento tradicional, especialmente os escritos dos Padres da Igreja, e chocou o bom senso.”

 

 

Na véspera de seu encerramento, em 7 de dezembro de 1965, o Vaticano II reconhecia o direito à liberdade religiosa na declaração Dignitatis humanæ. A discussão foi difícil, pois a liberdade religiosa alterava o conceito católico das relações Igreja-Estado e da tolerância aos erros religiosos. O dogma de Cristo Rei, reafirmado na encíclica Quas Primas de Pio XII, em 1925, e a condenação da liberdade religiosa por Pio IX, na encíclica Quanta Cura, em 1854, eram revistos e corrigidos: doravante, a Igreja não reclamaria mais aos Estados católicos a proteção pública para si e a proibição dos outros cultos.

Consequentemente, após o concílio, a Santa Sé mandou alterar as concordatas, como, por exemplo, em 1967, aquela que unia a Espanha de Franco à Igreja, e que tinha sido adotada sob Pio XII, em 1953. “A profissão e a prática, tanto pública quanto privada, de qualquer religião serão garantidas pelo Estado” substitui “Ninguém será perturbado por suas crenças religiosas, nem pelo exercício privado de seu culto. Não se autorizará outras cerimônias, nem outras manifestações exteriores senão aquelas da religião católica.”

sábado, 29 de junho de 2024

O tradicionalismo do bom tempo acabou

Os rumores de que o TLM será praticamente eliminado causarão muita confusão entre os participantes. Como eles deveriam proceder?

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Por Salão Kennedy 

 

Na semana passada, visitei um amigo dos EUA que me contou uma história sobre algo que testemunhou na sua paróquia quando era criança. Numa paróquia do Litoral Nordeste, no final dos anos 80, ele lembrou que o padre havia, durante anos, usado pão de centeio integral e zinfandel branco para a Sagrada Comunhão. E, como o diabo queria, essa mesma paróquia também funcionava como sinagoga para o sábado judaico. Esta era uma paróquia diocesana que ainda funciona, embora pareça que as missas já podem ser válidas e a paróquia já não funciona como sinagoga. 

Depois de ele me ter contado a história, lembrei-me que o Arcebispo Lefebvre tinha escrito na Carta Aberta aos Católicos Confusos sobre a recepção de cartas de católicos nos EUA condenando abusos semelhantes, quer se tratasse de pão de centeio integral ou de bolos de aveia com mel, usados ​​em vez de matéria válida para a Eucaristia. Meu amigo e eu opinamos que, pelo que sabemos, Lefebvre recebeu cartas de paroquianos horrorizados daquela mesma comunidade paroquial.

Nasci em 1988, então não tenho lembrança da década de 1980; e a minha família não praticou muito a fé durante a minha juventude, por isso tenho poucas recordações de algo relacionado com o catolicismo – além das missas durante os meus anos em escolas católicas. No entanto, tenho a impressão de que, depois da abertura da caixa de Pandora, após o Concílio, as coisas estabilizaram à medida que o tempo passava. Muitas das coisas mencionadas no livro de Lefebvre parecem ter parado durante os anos 90 e 2000, e ficaríamos chocados se visse acontecer hoje algo como o que o meu amigo descreveu, mesmo nas paróquias liberais. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

O Cardeal Pell fala sobre o Céu e o Inferno

“Como tantos outros, eu acreditava que (quase) todas as pessoas seriam salvas. Mas fui obrigado a repensar minha posição. Retornei aos ensinamentos de Jesus no Novo Testamento e descobri que eles não apresentavam garantias suficientes para meu otimismo.”

Cardeal George Pell

 

Por Cardeal George Pell 
Tradução: Equipe Christo Nihil Præponere
 

O texto a seguir é de autoria do Cardeal George Pell, que faleceu no último dia 10 de janeiro. Publicado em dezembro de 2020, fala de sua própria mudança de visão, ao longo do tempo, em relação àquela parte da doutrina cristã que costumamos chamar de Novíssimos, isto é, as últimas coisas, as realidades finais que nos esperam tanto após a morte quanto no fim dos tempos. 

Traduzimos esta meditação e a publicamos aqui como um tributo ao prelado falecido, fazendo votos de que alcance a consciência de todos que nos lêem — especialmente os responsáveis pelo cuidado das almas. Fica também o convite a todos de rezar pela alma deste servo do Senhor, para que Deus o acolha em sua misericórdia e o receba nas moradas eternas.

quinta-feira, 10 de março de 2022

"Unidade na diversidade"

  


Por Dom Lourenço Fleichman OSB

 

Um leitor nos envia interessante e-mail contendo citações tiradas do Movimento Neocatecumenal.1

"Não digam nada às pessoas de todas estas coisas: simplesmente revalorizem o valor comunitário do pecado, sua índole social, o poder da Igreja, etc." (Kiko, Apostilas cit., 9º Dia, p. 137). 

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"O Cristianismo não é, de jeito nenhum, uma doutrina que se pode aprender com catecismos e teologias. O Cristianismo é uma Boa Notícia, um acontecimento histórico, o que o distingue de todas as filosofias e religiões" (Kiko, Apostila cit. p. 98).

Lembro-me, por exemplo, de um moço de Florença que, diante de todo o mundo, disse: 'Eu sou homossexual e bendigo a Deus com todo o meu coração porque sou assim. Ia ao psiquiatra, nunca a psicologia me salvou. Hoje, posso testemunhar, diante de todos vocês, que eu sou salvo pelo poder de Jesus Cristo"

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

O Modernismo, não o Ultramontanismo, é a “síntese de todas as heresias”!

Quadro representando a chegada do Papa Pio IX para a abertura do Concílio Vaticano I (transcorrido de 8 de dezembro de 1869 a 18 de dezembro de 1870).

 

José Antonio Ureta

 

Está se tornando moda nos círculos tradicionais americanos culpar o “ultramontanismo” pelos males que afetam o catolicismo hoje. Supõe-se que o Papa Francisco possa impor uma agenda revolucionária à Igreja devido às ações dos ultramontanos durante o Concílio Vaticano I. Os detratores deste último admitem que eles conseguiram que o ensino tradicional da Igreja sobre a infalibilidade e a jurisdição universal do Romano Pontífice fosse proclamado como dogma, mas alegam que os ultramontanos corromperam a obediência dos fiéis ao Papa por uma exagerada consideração para com ele, envolvendo sua pessoa em uma aura de venerabilidade.

Este desenvolvimento teria favorecido a centralização e o consequente abuso de poder na Igreja. Para evitar a “papolatria” supostamente alimentada pelos ultramontanos, alguns autores sugerem repensar o Papado nos termos do primeiro milênio, antes de São Gregório VII, no que diz respeito à nomeação de bispos e ao exercício do poder magistral do Papa.[1]

A mais recente formulação dessa acusação apareceu em um artigo de Stuart Chessman intitulado “Ultramontanism: His Life and Death”. Segundo o autor, um certo “espírito do Vaticano I” levou as pessoas a interpretar as definições dogmáticas daquele Concílio muito além dos limites impostos pelo texto. Isso teria inaugurado um “regime ultramontano” no qual “toda a autoridade em matéria de fé, organização e liturgia foi centralizada no Vaticano” e “a obediência à autoridade eclesiástica foi elevada a uma posição central na fé católica” com uma correspondente diminuição da autoridade episcopal. Um bispo da corrente minoritária anti-infalibilista comentou ironicamente: “Entrei [no Vaticano I] como bispo e saí como sacristão”.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Infiltração do Modernismo na Igreja


Dom Marcel Lefebvre | Permanência
Dom Marcel Lefebvre

 

 

Na conferência que leremos agora, Mgr. Marcel Lefebvre nos dá alguns detalhes do árduo combate que ocupou os últimos anos de sua vida para conseguir manter a Tradição,  no que toca seu relacionamento com Roma. É claro que muitos anos já se passaram desde que ele deu esta conferência que data de meados da década de 80. Houve o encontro de Assis e diversos atos do Papa João Paul II que empurraram o Vaticano cada vez mais adentro no ecumenismo e no progressismo. A crise se agravou. Mas os princípios católicos que o lúcido bispo apresenta permanecem os mesmos.

Publicada na Revista Fideliter, da Fraternidade São Pio X. Foi conservado o estilo falado.

Breve História

Fico contente em constatar que no mundo inteiro, no mundo católico, em todo lugar, pessoas corajosas se reúnem em torno de padres fiéis à fé católica e à Igreja Católica, para manter a tradição que é a fortaleza de nossa fé.

Se existe um movimento tão geral é porque a situação da Igreja é verdadeiramente grave. Pois, para que padres, fiéis católicos, aceitem ser tratados de rebeldes, de dissidentes, de desobedientes, mesmo se tratando de bons padres, alguns dos quais já serviram em paróquias durante trinta anos com grande satisfação de seus paroquianos, é para manter a fé católica. Eles o fazem conscientemente no espírito dos mártires.

Ser perseguido por seus irmãos ou pelos inimigos da Igreja, qualquer que seja a mão que bata, por vista que seja contra a manutenção da fé, é sofrer um martírio. Esses padres, esses fiéis, são testemunhas da fé católica. Eles preferem ser considerados como rebeldes e dissidentes a perder a fé.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

A Nova Teologia do Concílio Vaticano II


Luiz Sérgio Solimeo
 
 

Muitas pessoas se perguntam se a atual crise na Igreja começou com o Concílio Vaticano II. Outros acreditam que a crise é anterior ao Concílio e, portanto, este último não pode ser acusado de causá-la.

A realidade é mais complexa. Se a Igreja não estivesse em crise, o Concílio Vaticano II, com todas as suas inovações em termos de doutrina, pastoral, liturgia e disciplina, teria sido impossível. Por outro lado, embora o Concílio não esteja na origem da crise atual, ele a tornou mais profunda e universal. Efetuou também uma mudança quase completa de mentalidade entre os católicos, levando-os, por um lado, a abandonar o espírito de sacrifício, a piedade e o senso de sacralidade e, por outro, a se aproximarem do mundo, suas pompas e obras.

“Aliança Europeia” ou “Grupo do Reno”

Após o Concílio Vaticano II, foram publicados estudos documentados mostrando que, desde seu início, uma minoria bem organizada de bispos e teólogos progressistas, com métodos e objetivos bem definidos, conseguiu assumir o controle de suas operações e resultados.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

A nova Igreja de Karl Rahner

Resenha da obra de Stefano Fontana sobre o pai de todo progressismo dito católico e o teólogo que ensinou a se render ao mundo, Karl Rahner.



O Cardeal Giuseppe Siri resumiu o núcleo do erro teológico de Karl Rahner na “concepção do sobrenatural não gratuito”. Escreve-no em Getsêmani, em 1988, para os membros da Fraternidade da Virgem Maria. Em outras palavras, para Rahner o sobrenatural é ligado “necessariamente” a natureza humana: mas, neste caso, a graça não seria mais gratuita; não seria mais um dom; não poderia mais ser aceita ou recusada livremente pelo homem. Em suma, uma espécie de sobrenatural imposto por Deus ao homem. Uma gratuidade obrigatória. Se fosse verdadeiro o quanto sustenta Rahner – afirma Siri –, chegar-se-ia “à inutilidade do ato de fé”, porque “na minha essência Deus se faz presente”. Não devo aceitá-lo ou recusá-lo: Deus já faz parte de mim, queira eu ou não. O teólogo alemão não teve consciência, evidentemente, que com tal assunto “todos os princípios, todos os critérios e todos os fundamentos da fé” foram “colocados em questão e se fragmentaram”.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

A “revolução” sexual: o que perdemos?

Ninguém mais sabe para que serve o sexo. O homem se acostumou de tal modo a praticar o ato por puro prazer que, talvez, as crianças tenham mesmo de começar a vir carregadas por cegonhas.



Equipe Christo Nihil Praeponere


O termo “revolução sexual”, usado para denominar as mudanças sociais e culturais acontecidas na década de 1960, que acompanharam principalmente a invenção da pílula anticoncepcional, é uma expressão enganosa, para dizer o mínimo.
Primeiro porque, para os nossos contemporâneos, a palavra revolução é quase sempre algo positivo. Evoca a descoberta de alguma coisa a respeito do que “está sendo revolucionado” e à qual ainda não se havia dado a merecida atenção. Supõe ainda que se está extraindo, a partir dele mesmo, o melhor de um dado objeto. É como se os hippies dos anos 60 tivessem aportado numa praia de nudismo e descoberto um mundo a que o homem, até então, não tivera acesso. O novo mundo era a América, agora é o sexo.

Nós, fundamentalistas?

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Onde o casamento moderno está dando errado

Egoísmo, raiva, comportamento controlador, distância emocional. Como os casais podem superar essas armadilhas?



Por Francis Phillips

Tendo blogado sobre hábitos para um casamento saudável, por Richard P. Fitzgibbons MD (Ignatius Press), entrei em contato com o autor para que ele pudesse desenvolver seus pensamentos ainda mais. No começo, eu queria saber se, durante seus 40 anos de carreira ajudando casais, ele notou uma mudança nos tipos de problemas que surgem. Ele me diz que os principais problemas psicológicos que interferem no amor maduro no casamento e na vida familiar continuam sendo egoísmo, raiva excessiva, compulsão de controle e comportamento emocionalmente distante - acrescentando que “sem perdão, os cônjuges permanecerão prisioneiros psicológicos de mágoas e raiva do passado que eles inconscientemente desviam o caminho para o casamento e a família.”

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Santiago Martín: "Eles não vão parar até ter uma 'papisa' lésbica instalada em Roma"

“O que precisamos fazer é aceitar nossa pobreza. Somos poucos e seremos menos.” O fundador dos franciscanos de Maria disse isso em um vídeo em que comenta as notícias eclesiais, no canal de televisão Magnificat.





O fundador dos franciscanos de Maria esclarece que este "não é um problema agora", embora certamente tenha acelerado. "Há anos há uma abordagem", diz Martin, "o que hoje é chamado de nova Igreja", que seria chamada "em oposição ao que eles chamam de Igreja tradicional ou Igreja Conservadora".

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Em 2019, a alternativa entre comuno-tribalismo e Cristandade

A anarquia tribalista é o que pretendem o Sínodo Pan-Amazônico e os agitadores que incendeiam nosso continente. O rumo da Cristandade restaurada é o que devemos desejar e favorecer, como os incontáveis franceses que lutam pela autêntica restauração da catedral de Notre-Dame.


A igreja da Assunção, em Santiago do Chile, foi saqueada no dia 8 de novembro de 2019 por mascarados, que usaram as imagens e móveis para montar uma barricada contra a polícia. Na foto, um dos sacrílegos desordeiros quebra a cabeça de uma imagem de Nossa Senhora das Graças. Logo d’Ela, a Mãe de todas as graças, Mãe por excelência…
 
Por Luis Dufaur
 
 
O ano de 2018 encerrou-se com esperançosos retrocessos do bolivarianismo na América Latina, e com algumas derrotas eleitorais expressivas das esquerdas na Europa e na América do Norte. Mas no transcurso de 2019 o fiel da balança se inverteu, com uma peculiaridade: é inegável que ao longo do ano se estiolaram as simpatias culturais e religiosas profundas pelos motores da desordem moral e social; e na esfera política a saturação pública com o caos das últimas décadas propiciou o ressurgimento dos anseios por homens-símbolo que pudessem conduzir a bom porto.
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