É uso, nas cidades e nos arrabaldes, haver mercados e feiras, onde se vendem toda a espécie de objetos úteis.
A própria Igreja, e o céu também, têm, diariamente, um mercado. Que oferecem? A graça divina e a glória celeste. Mas são cousas preciosas; onde achar bastantes meios para comprá-las? Não tenhas nenhum receio pois podem-se adquirir gratuitamente. O profeta Isaías no-lo afirma: “Vós que não tendes dinheiro, vinde, aproximai-vos, comprai sem troca” (Is. 55, 1). Com efeito, o Senhor as dá sempre gratuitamente, porém, raras vezes, com tanta abundância como na santa Missa, o que provaremos neste capítulo.
Em primeiro lugar, porém, devemos compreender bem o que é a graça.
A graça é um dom, um socorro sobrenatural que Deus nos concede em virtude dos méritos de Jesus Cristo. Distinguem-se duas espécies de graça: a “santificante” e a “atual”.
A graça “santificante” é um estado de alma que nos torna justos aos olhos de Deus e nos dá o direito de herdar os bens eternos. Esta graça, elevando-nos acima da nossa própria natureza, nos torna participantes da natureza divina. Segundo o Concílio de Trento, não é somente “a remissão de nossos pecados com favor sensível da bondade de Deus”, porém “um estado divino, uma luz brilhante, que nos embeleza a alma”, a qual permanece neste feliz estado até que percamos a graça pelo pecado mortal.
