10 set 2013
Dom Estêvão Bettencourt (OSB)
Esta questão tem ocupado calorosamente leitores e comentadores do Apocalipse desde o séc. II da nossa era. Com efeito, S.
Ireneu (140-202) refere que já em seu tempo os códices do Apocalipse
exibiam duas variantes do dito número (666 e 616), sem que se soubesse
qual o seu significado exato (Adv. haer. 5,30, 2).
Contudo será preciso reconhecer que o enigma devia ter
sentido evidente para os leitores imediatos do Apocalipse, ou seja, para
os cristãos da Ásia Menor aos quais no fim do séc. I São João se
dirigia ; era justamente com o intuito de os orientar que o Apóstolo
escrevia o texto de Apc 13, 18 ; não lhes queria propor um
«quebra-cabeça», mas algo de que pudessem tirar proveito, porque sabia
que tinham os meios para o decifrar; infelizmente, porém, desde cedo se
apagou nos cristãos a reminiscência dos elementos necessários à
elucidação (perdeu-se a chave do enigma).
Vejamos o que hoje, coligindo alguns dados seguros, se pode dizer de mais provável sobre o assunto.