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terça-feira, 28 de outubro de 2025

A Pedagogia do Espírito Santo

  

Por L. J. Callens, O.P.

 

AS GRANDES LEIS DA PEDAGOGIA DIVINA

Orientação fundamental da vida cristã
Um ideal que se impõe a toda alma leal
O Espírito Santo, educador das almas
Temas para reflexão

Primeira Lei

O ESPÍRITO SANTO PROCURA CRIAR NA ALMA A "FOME DE DEUS"
Criar um apetite das coisas divinas; por quê?
Instância dirigida ao coração para um dom total
Atração conhecida pelos efeitos
Os dois aspectos da atividade criadora do Espírito Santo na alma

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Abraçando a chamada

 Por Robert Royal

 

As pessoas muitas vezes me perguntam o que podem fazer – ou o que todos nós deveríamos estar fazendo – para lidar com os muitos desafios que enfrentamos, não apenas os óbvios, como guerras, injustiças, pobreza e assim por diante, mas questões fundamentais sobre o que é a vida humana e o que nossas vidas significam. Não há uma resposta simples, porque o mundo é complicado, assim como toda vida humana. E isso não é uma coisa ruim. É assim que Deus escolheu organizar as coisas para nós.

Há uma passagem famosa em O Senhor dos Anéis de Tolkien, onde Frodo lamenta que o Anel já veio a ele e que a comunhão foi chamada para destruí-lo:

“Gostaria que não precisasse ter acontecido no meu tempo”, disse Frodo.

“Eu também”, disse Gandalf, “e assim fazem todos os que vivem para ver esses momentos. Mas isso não é para eles decidirem. Tudo o que temos que decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado.”

segunda-feira, 9 de junho de 2025

O que aconteceu com o Espírito Santo?

Em um frenesi para se sentirem relevantes, os clérigos dos anos 60 fizeram violência à linguagem da Igreja e, com ela, nossa compreensão. Talvez seja hora de revisitar a prudência deles tendo “desistir o Fantasma”.

https://crisismagazine.com/wp-content/uploads/2025/06/rublevtrinity.jpg 

 

Por Robert B. 

 

A tradução é uma coisa complicada, especialmente se você está traduzindo uma palavra que tem um equivalente aparentemente direto em inglês. Por vezes, a tradução equivalente se encaixa, às vezes não. Muitas vezes, é um saco misto. Isso me leva à Terceira Pessoa da Trindade.

Eu não sei quando e por que a frase latina Sanctus Spiritus deixou de ser traduzida como “Espírito Santo” para “Espírito Santo”. Eu entendo a tradução do “espírito”. Você pode vê-lo na palavra spiritus, e é sensível aos ouvidos modernos, enquanto “fantasma” parece quase gótico. “Espírito” também abrange outro significado de espírito que é “respiração”, e tem aquela qualidade indescritível de vento, água, nuvem e fogo, que são simbólicos da Terceira Pessoa. Eu me pergunto, porém, se perdemos algo em abandonar a palavra “fantasma”.

domingo, 8 de junho de 2025

Pela obra do Espírito Santo. Pentecostes

 

 Filippo Lippi 1460 

 

 

–O Espírito Santo é tão importante na vida cristã?

-Avançar.

A Encarnação do Verbo divino no ventre bendito da Virgem Maria se dá por obra do Espírito Santo. É o que confessamos no Credo. E na Encarnação começa a plenitude da salvação, a renovação total da humanidade, numa segunda Criação. Por obra do Espírito Santo.

********

Pela obra do Espírito Santo, renascemos, desta vez como filhos de Deus, "nascidos da água e do Espírito" (Jo 3,5). A santificação da humanidade, realizada por Cristo, pela comunicação do Espírito Santo, não é meramente um novo caminho moral ao qual um homem, que é meramente humano, é convidado. É muito mais do que isso. A santificação instituída pela fé em Cristo consiste principalmente numa elevação ontológica:

Nós, cristãos, somos verdadeiramente “novos homens”, “novas criaturas” (Ef 2,15; 2 Co 5,17), “homens celestiais” (1 Co 15,45-46), “nascidos de Deus”, “nascidos do alto”, “nascidos do Espírito” (Jo 1,13; 3,3-8). É o nascimento que dá a natureza. E nós, que nascemos uma vez de outros homens e deles recebemos a natureza humana, nascemos então uma segunda vez em Cristo e na Igreja, pela água e pelo Espírito, do Pai divino e dele recebemos a participação na natureza divina (1 Pe 1,4).

sábado, 31 de maio de 2025

Breve novena ao Espírito Santo

  

 

 

 

Faltam apenas nove dias para o Pentecostes e é hora de começar uma novena para pedir o Espírito Santo. Como as coisas boas, se curtas e substanciais, são duplamente boas, trago hoje ao blog uma novena brevíssima e ao alcance de todos.

Existem muitas novenas maravilhosas por aí, então se você já estiver rezando uma delas, pode pular o resto deste post. Em vez disso, para os leitores que sempre se esquecem de rezar a novena ao Espírito Santo, para os que são esquecidos e começam no quarto dia, para os que começam e só a rezam dois dias em nove, para os que perdem a novena na metade, para os que se cansam quando uma novena é longa, para os preguiçosos, para os inconstantes, para os muito ocupados sem fazer nada e, em suma,  para os leitores desastrados como o autor é desastrado, trago uma novena brevíssima, de uma só linha:

sábado, 26 de abril de 2025

"O Espírito Santo governa a Igreja"

 

Celebrando Pentecostes: O Espírito Santo e o nascimento da Igreja - Diocese  de Nova Iguaçu
Imagem do administrador do blog

 

 Por

Muitos dizem isso, mas sem explicar como. Ou tentar explicar errado. Portanto, eles fazem mais bagunça do que pretendem esclarecer. Se for esse o caso: o que eu desconfio.

Mas vou tentar situar essa expressão; Porque dito dessa forma e sem colocar os pés no chão, é no mínimo enganoso. E, além disso, mina a Verdade Católica. E ele erra.

Vejamos: Deus -Pai, Filho e Espírito Santo-, governa tudo, de forma absoluta, porque tudo criou: desde o mais material, até o mais “imaterial”; entendendo por este último os Anjos, o Céu, a Igreja, os Sacramentos..., e, claro, o homem.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Os sete pecados contra o Espírito Santo: uma tragédia sinodal

Quem realmente quiser ouvir o que o Espírito diz à Igreja não confiará em inspirações espíritas nem em banalidades ideológicas “acordadas”, mas depositará toda a sua confiança, na vida e na morte, somente em Jesus, o Filho do Pai e o Ungido do Espírito Santo.

Os sete pecados contra o Espírito Santo: uma tragédia sinodal


Por

“Todo aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apocalipse 2:11). Esta passagem das Escrituras é frequentemente citada para justificar a chamada “Igreja Sinodal”, um conceito que, pelo menos parcialmente, se não completamente, contradiz a compreensão católica da Igreja. Facções com segundas intenções sequestraram o princípio tradicional da sinodalidade, que envolve a colaboração entre bispos (colegialidade) e entre todos os crentes e pastores da Igreja (baseado no sacerdócio comum de todos os baptizados na fé), para promover uma agenda progressista. Ao dar uma volta de 180 graus, procura-se que a doutrina, a liturgia e a moralidade da Igreja Católica sejam compatíveis com uma ideologia neognóstica e “desperta”.

Suas táticas são notavelmente semelhantes às dos antigos gnósticos, sobre os quais Irineu de Lyon, elevado a Doutor da Igreja pelo Papa Francisco, escreveu: “Por meio de suas plausibilidades habilmente construídas, [eles] enganam as mentes dos inexperientes e os levam cativos." "[…] Esses homens falsificam os oráculos de Deus e revelam-se maus intérpretes da boa palavra da revelação. Por meio de palavras ilusórias e plausíveis, eles astuciosamente atraem os simples a investigar [para uma compreensão mais contemporânea]” até que não consigam “distinguir a falsidade da verdade” (Contra as Heresias, Livro I, Prefácio). A revelação divina direta é instrumentalizada para tornar aceitável a auto-relativização da Igreja de Cristo (“todas as religiões são caminhos para Deus”). A comunicação direta entre o Espírito Santo e os participantes do Sínodo é invocada para justificar concessões doutrinárias arbitrárias ("casamento para todos"; leigos no auge do "poder" eclesiástico; a ordenação de diaconisas como troféu na luta pelos direitos da mulher) como resultado de uma percepção superior, capaz de superar qualquer objeção da doutrina católica estabelecida.

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Desconstruindo o Discernimento

A espiritualidade predominante de hoje — e o processo de discernimento que está em seu cerne — tem uma maneira estranha de canonizar as ideias e opiniões predominantes daqueles que participam dela.

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Por David Torkington

 

No final de 1981, pensei que tinha sido demitida pelo general das Irmãs Dominicanas, cujo Centro de Retiros em Chingford, em Londres, eu dirigi por doze anos. Mas, dois anos depois, descobri que tinha, de fato, sido demitida por Deus. Enquanto eu estava encorajando as irmãs com quem eu trabalhava a irem para Roma para estudar a Espiritualidade Dominicana tradicional no Angelicum, outro grupo tinha sido encorajado a buscar renovação em um centro de retiro jesuíta em Denver, Colorado. O curso de renovação em Denver ensinava como combinar o ensino da Psicologia Profunda moderna com a Espiritualidade Jesuíta tradicional para mudar a si mesmo, a comunidade para a qual você retornaria e outras comunidades religiosas em todo o mundo. 

Antes de retornar para renovar sua comunidade em Chingford, um grupo de Irmãs Dominicanas se reuniu para discernir a melhor forma de realizar a tarefa diante delas. No processo de discernimento, elas chegaram a discernir que eu era o maior obstáculo aos seus planos. Eu deveria, portanto, ser demitida. Esta decisão não era delas, mas de Deus, e a carta do General era apenas o instrumento de Sua vontade. Um renegado me disse mais tarde que elas sabiam que era a vontade de Deus por causa do sentimento de paz que todas receberam ao tomar sua decisão.

sexta-feira, 5 de julho de 2024

A Santificação pela Graça do Espírito Santo

 

 


A salvação objetiva realizada por Cristo e conferida ao homem pela graça do Espírito Santo, contando evidentemente que o homem seja, ou se torne, digno desta atribuição, é a santificação pelo Espírito Santo. Na verdade, a Igreja Ortodoxa ensina também que as três hipóstasis da Santíssima Trindade participam nesta santificação; mas atribui-se esta santificação de preferência ao Espírito Santo, porque Ele a completa. Que ela é necessária foi o próprio Cristo que o disse:

«Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito (Santo), não pode entrar no Reino de Deus.» (Jo.3, 5).

Também aqueles que crêem em Cristo, Seus fiéis, são portadores do Espírito:

«Quem crê em Mim, rios de água viva correrão do seu ventre. E isto disse Ele do Espírito que haviam de receber os que n'Ele cressem, porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado.» (Jo.7, 38-39).

É por esta razão que Cristo prometeu a descida ou a efusão do Espírito Santo sobre os Seus discípulos:

sábado, 23 de setembro de 2023

Da Missão das Testemunhas e do odium mundi

Editorial: Sereis minhas testemunhas - Voz de Lamego 

 

Por 

A oposição final é entre Deus e Satanás e, portanto, entre o bem e o mal (e, portanto, entre a santidade e o pecado).

E como Deus é a própria Verdade e Satanás é o pai da mentira (cf. Jo VIII 44), então existe, evidentemente, uma oposição teológica radical entre a Verdade e a mentira e, portanto, entre a santa fé católica e todas as heresias, tanto heresias antigas e modernas, seja o Nicolaísmo, o Monofisismo (em qualquer uma de suas variantes, o Arianismo, o Docetismo, etc.), o Protestantismo, o Islã, o modernismo e o neomodernismo, em qualquer de suas expressões, seja ela Grüniana (isto é, a de o beneditino Anselm Grün), a Demelliana (a do jesuíta Anthony De Mello) e outras.

Existe, portanto, uma oposição radical entre a Igreja e o mundo. A Igreja é o Pilar da Verdade e o mundo é um dos três inimigos da alma, junto com o diabo e a carne.

A Igreja Católica é a Igreja de Deus e o mundo é governado pelo diabo, pois, como ensina Monsenhor Straubinger comentando Jo XVI 11, o diabo é o príncipe do espírito mundano. Na verdade, “o espírito mundano, apesar das virtudes que costuma proclamar, tem o próprio Satanás como governante”.

sábado, 5 de agosto de 2023

Vendo as boas sementes em meio ao joio

Com uma cacofonia de problemas nos cercando, é difícil ouvir a bela sinfonia que o Espírito Santo ainda rege na Igreja.

Richard Pain
Ex-bispo anglicano Richard Pain

 

Por Eric Sammons 

 

Nos últimos quatro anos, seis bispos anglicanos entraram na Igreja Católica. Isso revive uma tendência que foi particularmente forte durante o pontificado de Bento XVI, quando 13 bispos anglicanos entraram na Igreja de 2007-2012. O converso mais recente, Richard Pain, ex-bispo anglicano de Monmouth, foi recebido na Igreja há apenas algumas semanas.

Claro, esta é uma notícia maravilhosa, mas se você olhar nas mídias sociais, verá muitos comentários – de católicos – se perguntando por que esses homens se converteram. A implicação deles é clara: não vale a pena se converter ao catolicismo devido ao estado atual da Igreja.

Lembro-me bem da empolgação nos círculos católicos que se seguiram às ondas de convertidos na década de 1990 (incluindo minha própria empolgação quando eu era um desses convertidos). Parecia que todos os anos havia um novo convertido de alto perfil - normalmente um pastor protestante - nadando no Tibre. Hoje, porém, essas conversões provocam pouco entusiasmo — e talvez mais do que um pouco de desconfiança. Por que é que?

domingo, 8 de janeiro de 2023

OS SEIS PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO

“Em verdade vos digo: “Todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, mesmo as suas blasfêmias; mas todo o que tiver blasfemado contra o Espírito Santo jamais terá perdão, mas será culpado de um pecado eterno.” (Mc 3, 28-29)

 

 

 Por Equipe Templário de Maria

 

Os pecados mortais (que são pecados graves) nos afastam de Deus e nos levam ao inferno. Somente através de uma boa e sincera confissão, é que somos perdoados. Para se fazer uma boa confissão é preciso ter fé que o padre tem o poder de absolver-te (poder esse dado pelo próprio Jesus Cristo: Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos (Jo 20, 23). 

É preciso também estar arrependido de ter pecado e prometer nunca mais faze-lo novamente. Os pecados veniais (que são pecados leves, como, por exemplo, uma pequena mentira, que não prejudique ninguém, uma gulodice que não traga prejuízos sérios à saúde, etc…) também nos afasta de Deus, mas não merecemos o inferno por causa deles, por que são culpas leves.

Se morrermos com pecados veniais, iremos pagar nossas culpas no purgatório, e depois iremos ao céu. Sendo Deus puríssimo, inadmissível que se fique em Sua Divina presença com alguma mancha por menor que seja. 

Os pecados veniais são perdoados rezando-se um Ato de Contrição, ou com arrependimento praticando um outro ato de piedade. Mas no entanto, por causa do alto grau de malícia que existe em alguns tipos de pecados, recebem um outro tipo de qualificação. Como, por exemplo, “Pecados que Bradam aos Céus e clamam a Deus por vingança” (homicídio voluntário, por exemplo).

sábado, 7 de janeiro de 2023

4 maneiras de deixar o Espírito Santo agir na sua vida

O que impede alguém de ser santo é a dificuldade de acolher o Espírito Santo em sua vida

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Por Luisa Restrepo

 

O Espírito Santo anima a vida de todos. É Ele quem, de dentro de nós, clama ao Pai e ensina o homem a imitar o Filho. Aqui estão quatro maneiras para você recebê-lo em sua vida:

1 - Louvar e agradecer

O que nos impede de receber as graças mais abundantes de Deus é o fato de não reconhecermos as que Ele já concedeu e não as agradecermos. É certo que, quanto mais o homem agradecer a Deus de todo o coração por cada graça recebida, mais Deus lhe concederá outras maiores. Santa Teresinha do Menino Jesus disse:

“O que mais atrai as graças do bom Deus é a gratidão, porque se lhe agradecemos um benefício, ele se comove e se apressa a nos dar mais dez, e se lhe agradecemos novamente com a mesma efusão, que multiplicação incalculável de graças! Eu experimentei, experimente e você verá. Minha gratidão não tem limites por tudo que ele me dá e eu provo isso a ele de mil maneiras!”

domingo, 16 de outubro de 2022

Quais são os dons e frutos do Espírito Santo?

Para muitos é o grande desconhecido: o Espírito Santo, a terceira pessoa da Santíssima Trindade.

Espirito Santo  

 

O Catecismo da Igreja Católica explica que “a vida moral dos cristãos é sustentada pelos dons do Espírito Santo. São disposições permanentes que tornam o homem dócil a seguir os impulsos do Espírito Santo».

Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, inteligência, conselho, força, conhecimento, misericórdia e temor de Deus. Pertencem plenamente a Cristo, Filho de David (cf. Is 11, 1-2). Completam e aperfeiçoam as virtudes de quem as recebe. Tornam os fiéis dóceis a obedecer prontamente às inspirações divinas.

«Que o teu bom espírito me guie por terra plana» (Sl 143,10).

“Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus [...] E, se filhos, então herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo” (Rm 8, 14.17).

Oferecemos a você a explicação de cada um dos sete dons do Espírito Santo com definições dadas pelo Bispo José Ignacio Munilla em vários de seus sermões:

sábado, 11 de junho de 2022

“Senhor, por que pareceis dormir?”

  


Por Padre David Francisquini *

 

No último domingo, dia 5 de junho, 50 dias depois da Páscoa, a Santa Igreja celebrou a grande festa da descida do Espírito Santo sobre a Virgem Maria e os Apóstolos reunidos no Cenáculo. Trata-se de uma das datas mais importantes do calendário litúrgico, juntamente com a Páscoa e o Natal.

O termo “Pentecostes” vem do grego pentēkostḗ, que significa “quinquagésimo”, em referência aos 50 dias que se sucedem à Páscoa. No Antigo Testamento, o Pentecostes era celebrado apenas pelos judeus, no fim da última colheita do ano, como forma de agradecer a Deus pela comida. É também conhecida como celebração da Lei de Deus, em memória do dia em que Moisés recebeu as Tábuas com as Leis Sagradas.

Essa festividade aconteceu especificamente na primeira Páscoa depois de o povo de Israel sair da escravidão do Egito e receber os Dez Mandamentos enviados por Deus. Mas, no Antigo Testamento, o dia de Pentecostes é citado com outros nomes, tais como ‘Festa da Colheita ou Sega’ (Êxodo 23.16), ‘Festa das Semanas’ (Deuteronômio 34.22) e ‘Dia das Primícias dos Frutos’ (Números 28.26).

sexta-feira, 10 de junho de 2022

O Espírito Santo nas orações da liturgia romana

Por que não existem, no “ecossistema” do rito romano, orações dirigidas à terceira Pessoa da Santíssima Trindade? Como entender a construção comum a quase todas as orações litúrgicas, de se dirigir “ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo”?

 

Por Michael P. Foley
Tradução: Equipe Christo Nihil Præponere

 

No rito romano, a formulação típica das Coletas, Secretas, Pós-comunhões e Super Populum é “ao Pai, pelo Filho no Espírito Santo” [i]. Trata-se de um venerável arranjo de inspiração bíblica (cf. Ef 2,18). No século IV, São Basílio Magno já o considera bem estabelecido — embora ele também tenha usado “ao Pai, com o Filho junto com o Espírito Santo” [ii]. As orações em nossos manuais litúrgicos mais antigos (os chamados Sacramentários Gelasiano e Leonino) pressupõem essa fórmula, e de fato a sagrada liturgia e a vida cristã como um todo podem ser definidas como uma oblação ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. 

A partir do segundo milênio, a tradição litúrgica latina passou a incluir várias orações dirigidas ao Filho em lugar do Pai. No século XX, puristas da liturgia consideraram abomináveis tais acréscimos (alguns ainda pensam assim). Por isso, o Missal de 1970 reduziu bastante o número delas [iii]. O prof. Peter Kwasniewski já defendeu as orações cristocêntricas no Missal de 1962, descrevendo-as como “uma espécie rara num ecossistema”. Gosto muito da metáfora que compara as diversas liturgias da Igreja a muitos ecossistemas. A Oitava de Pentecostes nos proporciona a oportunidade de refletir mais detidamente sobre as peculiaridades do ecossistema romano, pois ambas têm uma criatura exótica: orações que se referem ao Espírito Santo.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Os frutos do Espírito Santo



Por Prof. Felipe Aquino


São Paulo nos ensina sobre os frutos do Espírito Santo e os frutos da carne, na carta aos Gálatas:

“Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne, pois são contrários uns aos outros… Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!” (Gal 5,17-21).

Frutos do Espírito Santo 

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Como Nicodemos confunde entre “nascer do Alto” e “nascer de novo”

Três são os que dão testemunho de Jesus: o Espírito, a água e o sangue



Por Dom Henrique
 
 
Dom Henrique Soares da Costa, bispo de Palmares, PE, publicou em seu blog uma esclarecedora reflexão sobre o tempo pascal que estamos vivendo e a sua relação profunda com o Batismo e a Eucaristia:
Nos dias da Oitava da Páscoa ouvimos na Missa diária os evangelhos que narram as aparições do Ressuscitado aos seus discípulos. Na segunda semana, ouvimos o capítulo terceiro de São João. E por quê? Porque a tradição da Igreja vê aí, no diálogo de Jesus com Nicodemos, uma catequese sobre o Batismo. Batismo e Eucaristia, os sacramentos pascais, simbolizados na água e no sangue que brotaram do lado do Crucificado logo depois que Ele entregou o Espírito.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

A GRAÇA DO ESPÍRITO SANTO... Continuação


-Um calor extraordinário.


-Como, um calor? Não estamos na floresta, em plena neve? A neve está sob os nossos pés, estamos cobertos dela e ela continua caindo... De que calor se trata?


-Um calor semelhante ao de um banho de vapor.


-E o cheiro é como no banho?


-Oh, não! Nada sobre a terra se pode comparar a esse perfume. No tempo em que a minha mãe vivia, ainda gostava de dançar e quando eu ia a um baile, ela me aspergia perfumes que comprava nas melhores lojas de Kasan e pagava muito caro. O seu odor não é comparável a estes aromas.


O padre Serafim sorriu.


-Eu sei, meu amigo, tanto quanto vós, e é de propósito que vos interrogo. É bem verdade, nenhum perfume terreno pode ser comparado ao bom odor que respiramos neste momento, o bom odor do Espírito Santo. O que pode, sobre a terra, ser-lhe comparado? Dissestes, ainda há pouco, que fazia calor, como no banho. Mas olhai, a neve que nos cobre, a vós e a mim, não se derrete, assim como a que está aos nossos pés. O calor não está no ar, mas no nosso interior. É este calor que o Espírito Santo nos faz pedir na oração: "Que teu Espírito Santo nos aqueça". Este calor permitia aos eremitas, homens e mulheres, não temerem o frio do inverno, envolvidos, como estavam, como que num manto de peles, numa veste tecida pelo Espírito Santo.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

A GRAÇA DO ESPÍRITO SANTO... Continuação


Os anos foram se passando. Motovilov foi então atingido por uma doença na época incurável. Lembrou-se por causa disso de procurar conforto e auxílio junto a um certo sacerdote de que tinha ouvido falar, o qual vivia num local muito distante, nas proximidades de um mosteiro perdido em meio à floresta russa. Por causa de sua doença Motovilov já não podia andar e nem mesmo ficar de pé. Teve que ser carregado, em sua penosa viagem, por cinco empregados, mas ficou inteiramente curado depois de uma conversa com o monge Serafim.

No ano seguinte, um ano antes do falecimento do Padre Serafim, ambos mantiveram um diálogo de cujo registro transcrevemos algumas partes. Este diálogo nos fala do Espírito Santo que foi prometido por Cristo aos que cressem em seu nome, e com a sua leitura nos vamos ocupar por algum tempo.
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