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segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Batismo infantil: realmente precisamos dele?

 A graça de Deus não ignora a natureza, assim como a divindade de Deus não demonstra o mínimo desdém pela nossa humanidade ao se tornar um de nós. 

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Por Régis Martin

 

Se lhe pedissem para fazer um rápido resumo dos ensinamentos da Igreja sobre os sacramentos, quanto tempo levaria? Você conseguiria resumir tudo em uma única frase? Sim, acho que conseguiria. Bem fácil, na verdade. Na verdade, foi muito bem feito há cinco séculos no Concílio de Trento, cujo feliz resultado nos deu nove palavras perfeitamente simples: um sinal externo instituído por Cristo para dar graça. 

Desde então, no entanto, isso tem causado não pouca tristeza a montes de pessoas que, infelizmente, não compartilham nossa persuasão. Eles são corretamente chamados de protestantes porque, bem, é basicamente isso que eles fazem. Pelo menos desde a época de Lutero e Calvino, Cranmer e Knox, toda a sua perspectiva tem sido de puro protesto ininterrupto. Contra a ideia, mais especialmente, de que este mundo finito pode se tornar não apenas o cenário, mas o ponto de mediação entre nós e o Deus infinito. E, não raramente, em sotaques estridentes e intolerantes. 

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Transexuais e o Batismo

Bautismo 

 

O Dicastério para a Doutrina da Fé respondeu a uma consulta de Mons. José Negri sobre o batismo de transexuais e sobre a possibilidade de que eles possam ser padrinhos do batismo.

Citamos a tradução que foi publicada neste portal e comentamos. Todos os destacados em negrito são nossos.

Um transexual - que também foi submetido a tratamento hormonal e cirurgia de redesignação sexual - pode receber o batismo, nas mesmas condições que outros crentes, se não houver situações em que haja risco de gerar escândalo público ou desorientação entre os fiéis. No caso de crianças ou adolescentes com problemas transgêneros, se estiverem bem preparados e dispostos, podem receber o Batismo.

Então, contradiz o que vem a seguir. É claro que este não é o único requisito, mas que o propósito de viver de acordo com o Evangelho é exigido em adultos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Eu ou nós? Vaticano gera polêmica sobre batismo que não é tão polêmica


O Papa Francisco batiza um dos 32 bebês enquanto celebra a Missa na festa do Batismo do Senhor na Capela Sistina do Vaticano 12 de janeiro. (CNS / Vaticano Media)


Por Joshua J. McElwee
 
 

Roma - A decisão do Vaticano em agosto de esclarecer a fórmula que deveria ser usada no rito católico do batismo atraiu um interesse incomum depois que causou uma espécie de confusão teológica.

Um padre em Detroit citou a medida, que especificava que os ministros devem usar "Eu batizo" e não "Nós batizamos" no início da fórmula, como razão para fazer uma oferta três por um: rebatismo, re- confirmação e reordenação.

Fr. Matthew Hood tinha assistido recentemente a um antigo vídeo caseiro de seu batismo original em 1990, no qual o diácono que administrava o sacramento usava a linguagem "nós".

A Congregação para a Doutrina da Fé havia dito em uma instrução de 6 de agosto que tais batismos não deveriam ser considerados válidos. A Igreja Católica, observou, acredita que o ministro do batismo não está agindo apenas em nome de si mesmo ou da comunidade local, mas como "a presença-sinal de Cristo".

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Quem não é batizado não é filho de Deus?

Veja o que diz o Catecismo da Igreja Católica



Prof. Felipe Aquino
 
 
O Catecismo, em vários parágrafos afirma que o Batismo nos faz filhos de Deus por adoção em Jesus Cristo. Pelo Batismo Cristo nos traz de volta para Deus. São Paulo diz que pelo Batismo participamos da morte e ressurreição de Cristo (Rom 6,3-4), somo enxertados Nele, nos tornamos membros do seu Corpo, a Igreja (1 Cor 12,27), herdeiros do céu novamente, templo do Espírito Santo. Todos os seres criados por Deus são amados por de Deus, mas, o Batismo nos torna “filhos no Filho”, isto é, filhos adotivos do Pai, através de Jesus Cristo. É o que nos ensina o Catecismo da Igreja Católica:

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O Batismo: Fonte de Misericórdia

Por Dom Gil Antônio Moreira*

Ensina o evangelista Lucas que, ao iniciar sua vida pública, Jesus se fez batizar no Rio Jordão, por João, o Precursor. Ao descer Jesus às águas, algo sobrenatural se manifestou de forma inequívoca. O Espírito Santo desceu sobre ele em forma de pomba e ouviu-se a voz do Pai que proclamou: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem querer” (cf Lc 3, 22).

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Que elementos são usados no Batismo e o que significam?

SIC

Água, óleo, roupas brancas, círio: conheça o significado de cada um destes elementos e sua importância ao longo de toda a vida dos batizados.

 

É muito necessário explicar o sentido dos elementos materiais usados no rito do batismo. A linguagem verbal, as palavras, leituras e cânticos da celebração do batismo são excelentes, abundantes e fáceis de compreender, ainda que às vezes precisem de explicações.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Por que preciso batizar o meu filho quando criança?

[padrepauloricardo]





A morte, a miséria, a opressão e a inclinação que todos os homens têm para o mal estão fora da compreensão humana, a não ser que sejam lidos como consequências do pecado de Adão (original). Elas são transmitidas a todos os homens sem distinção. Por causa dessa "certeza da fé, a Igreja ministra o batismo para a remissão dos pecados mesmo às crianças que não cometeram pecado pessoal." (CIC 403). A fim de clarear ainda mais o tema, não deixando margem para qualquer dúvida, o Catecismo continua ensinando:

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Os efeitos do batismo

Redação (Quarta-feira, 08-01-2014, Gaudium Press) - Um gesto simples, uma matéria comum, e apenas algumas palavras fáceis de memorizar produzem, em união com a Igreja, os mais maravilhosos efeitos no plano sobrenatural. Abaixo transcrevemos considerações sobre os efeitos do Sacramento do Batismo.
José Afonso Sulzbach de Aguiar
Havia cerca de quatro séculos que nenhum profeta fazia ouvir sua voz em Israel quando, no 15º ano do reinado de Tibério César, aproximando-se os dias anunciados por Daniel em relação à vinda do Messias, um súbito alvoroço percorreu Jerusalém e toda a Judeia. Nas margens sagradas do Jordão - o legendário rio, palco de deslumbrantes milagres e grandiosas cenas - aparecera um varão penitente, um enviado de Deus no espírito de Elias. João Batista era seu nome.

Pregação de João e Batismo de Jesus

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Por que Jesus quis ser batizado?

Redação (Terça-feira, 07-01-2014, Gaudium Press) - Logo após o Santo Natal, a Igreja comemora a Epifania do Senhor e em seguida vem a o Batismo do Senhor: "Porque Jesus quis ser batizado?". Esta expressiva pergunta é respondida por Monsenhor João Clá Dias, EP. em um artigo que leva o mesmo nome e que hoje transcrevemos.
nosso-senhor-luminosos-batismo.jpg
O batismo conferido por São João não era da mesma natureza que o Batismo sacramental, instituído posteriormente por Nosso Senhor Jesus Cristo. Provinha verdadeiramente de Deus, mas não tinha o poder de conferir a graça santificante. O próprio Batista pôs em realce a diferença: Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. (Lc 3, 16).

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

“O Batismo é a porta da fé” – na audiência geral o Papa rezou pelas crianças vítimas de atentado na Síria e pelas vítimas do tufão nas Filipinas

[news]
13-11-2013
Rádio Vaticana


Fé, alegria, entusiasmo e esperança são alguns dos sentimentos que as multidões trazem à Praça de São Pedro nas audiências gerais de quarta-feira:
“no Credo, através do qual em cada domingo fazemos a nossa profissão de fé, nós afirmamos: ‘Professo um só batismo para o perdão dos pecados’. Trata-se da única referência explícita a um Sacramento no interior do Credo. Efetivamente o Batismo é a porta da fé e da vida cristã.”

terça-feira, 25 de junho de 2013

Condições para Padrinhos de Batismo

[cleofas]

batismo2 
Código de Direito Canônico
§ 872 Ao batizando, enquanto possível, seja dado um padrinho, a quem cabe acompanhar o batizando adulto na iniciação cristã e, junto com os pais, apresentar ao batismo o batizando criança. Cabe também a ele ajudar que o batizado leve uma vida de acordo com o batismo e cumpra com fidelidade as obrigações inerentes.
873 Admite-se apenas um padrinho ou uma só madrinha, ou também um padrinho e uma madrinha.
874 § 1. Para que alguém seja admitido para assumir o encargo de padrinho, é necessário que:

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A missão de Jesus inicia com seu Batismo e a nossa também

vocacionadosdedeus

 

Queridos irmãs e irmãs, estamos celebrando no domingo proximo, a liturgia do Batismo do Senhor, Isso marca o inicio da vida publica de Cristo. É um dia de festa para nós cristãos. Deus se revela a nós na trindade santa, isto é Pai, Filho e Espirito Santo. Nós também assumimos uma missão de evangelizador no nosso Batismo. Há um só Batismo.
No livro do profeta Isaias nos fala de um misterioso "Servo" escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz. (cf. Is 42,1-4.6-7) Isso nos mostra que Deus é da justiça e do amor, pois com eles vem a paz tão desejada por todos. Deus sempre estará do lado dos que querem ser fieis a Ele numa vida coerente. Nada se desfaz na misericórdia de Deus. Deus sempre caminhará com seu povo dando força e coragem na caminhada desse mundo rumo a eternidade com Ele.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Por que batizar crianças e bebês?

[bibliacatolica]

19 agosto 2012 

As Escrituras dizem que o batismo “lava os nossos pecados” (Atos 2:38, 1 Pedro 3:21, Heb. 10:22-23 e outros), assim as crianças e bebês católicos são batizados, para que possam ser lavados da mancha do pecado original. Depois do pecado de Adão e Eva no jardim do Éden, todas as pessoas nascem com o pecado original. Através do dom da graça no Batismo, Deus lava essa mancha do pecado original e nos torna parte de Sua família e oferece-nos a vida eterna.
 Eis que eu nasci na culpa, e minha mãe já me concebeu pecador. (Salmo 51,5)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Padre católico espanhol impede batizado ao descobrir que padrinho é gay

[uol]

23/12/2011

Um padre da paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em Huelma, no sul da Espanha, impediu a celebração de um batizado quando descobriu que o padrinho era gay. A família levará o caso aos tribunais.

O escolhido para padrinho de uma menina de seis meses é um homossexual que está casado no civil com outro homem, algo permitido pela lei espanhola.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Tomás responde: As crianças alcançam no batismo a graça e as virtudes?

[sumateologica]


Parece que as crianças não alcançam no batismo a graça e as virtudes

1. Com efeito, não há graça e virtudes sem fé e caridade. Ora, “a fé”, diz Agostinho, “reside na vontade de quem crê”. Semelhantemente a caridade reside na vontade de quem ama. As crianças não têm o uso de sua vontade e assim não têm nem fé nem caridade. Logo, as crianças não recebem no batismo a graça e as virtudes.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Tomás responde: Um leigo pode batizar?

sumateologica

 
Andrea del Verrocchio e Leonardo da Vinci, O Batismo de Cristo (1475)
♣
Parece que um leigo não pode batizar:

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Batizados com Cristo e em Cristo para uma vida nova

Publicado no dia 10/01/2011 



A seção de formação desta semana foi redigida por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração, de Mogi das Cruzes/SP, doutor em liturgia pelo Pontificio Ateneo Santo Anselmo (Roma), baseada nas leituras da festa do Batismo do Senhor (Is 42, 1- 4.6-7; At 10, 34-38; Mt 3, 13-17).
Com o domingo do Batismo de Jesus, terminará o tempo litúrgico da “manifestação do Senhor”. Iniciado com o primeiro domingo do Advento, este tempo teve seu centro na celebração do Natal e da Epifania, e hoje enfoca o Batismo de Jesus por mãos de João Batista. Este caminho iluminado pela liturgia, nos fez acompanhar o Senhor na sua descida progressiva através da fraqueza humana, feita própria com a sua Encarnação. Desde os primeiros passos no Advento, o coração contemplativo da Igreja teve seu olhar orientado para a páscoa do Senhor, cume da manifestação paradoxal da glória de Cristo no trono da cruz e na luz da Ressurreição. É a Páscoa que ilumina o sentido profundo do mistério da Encarnação e o conduz a seu cumprimento.
O evangelista Mateus nos apresenta a procura de Jesus por João e seu pedido de ser batizado junto com as demais pessoas que se reconhecem pecadoras e querem converter-se a Deus. Essa cena nos é apresentada como uma escolha bem consciente de Jesus. Ele defende esta alternativa mesmo frente às resistências do próprio João, motivando-a como uma obediente submissão de ambos ao projeto do Pai (Mt 3, 13-15). A Palavra de Deus, que por amor assumiu a fragilidade e as contradições da condição humana, quis descer até o fundo dessa situação assumindo sobre si até o pecado, para reconciliar todos e tudo com Deus (cf. Cl 1,20), dando início em si mesmo ao retorno do mundo à ordem e à paz original na submissão perfeita a Deus. “Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que, por ele, nos tornemos justiça de Deus” (2Cr 5,21). “Nas águas é lavado / o celestial cordeiro; / O que não tem pecado / nos lava em si primeiro” (Hino das Vésperas – tempo do Natal a partir da Epifania).
O mergulhar de Jesus nas águas do rio Jordão desenvolve o processo da sua descida na carne (Natal) e antecipa a sua conclusão no “batismo” da sua Paixão e Morte (Páscoa) (cf. Mc 10, 39), com a descida aos infernos, onde o crucificado, que deu sua própria vida por amor, chama novamente Adão e Eva, as raízes simbólicas da existência humana, à vida nova dos resgatados como filhos e filhas de Deus. “Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água”. Com ele é o mundo inteiro que sai das obscuridades do pecado e inicia um novo caminho.
“No seu batismo Jesus é o lugar de contato entre a miséria humana e a misericórdia divina. Em seu coração se desfaz a massa triste do mal realizado pela humanidade e se renova a vida” (Bento XVI, Catequese de 7 de Janeiro, 2009).
Em Jesus, solidário como o Servo Sofredor do Senhor com os homens e as mulheres de todos os tempos em busca de salvação (1ª leitura de Is 42, 1-7), o Pai revela que na realidade “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (Mt 3,17). O profeta promete que no futuro, o espírito do Senhor será derramado sobre o Servo do Senhor para atuar sua missão libertadora em favor de Israel e das nações pagãs. Ele tomará cuidado com mansidão, perseverança e fortaleza de todas as situações de fragilidade, pois Deus faz justiça antes de tudo para os pobres (cf. 1ª leitura). Agora esse Espírito desce sobre Jesus na forma simbólica da pomba da paz, que somente o coração filial de Jesus vê descer do Pai e pousar sobre ele (Mt 3, 16). Em Jesus, o filho bem amado, se cumpre plenamente a profecia de Isaías, como o próprio Jesus afirmará no início da sua missão na sinagoga de Nazaré: “Hoje se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da escritura” (Lc 4, 21).
As expectativas de todos os necessitados, prisioneiros de qualquer falha e constrangimento, podem voltar a esperar e enxergar a luz de um novo futuro, pois para todos chegou “o ano da graça do Senhor”, que não tem tempo limitado, mas é oferecido para os homens e as mulheres de todo tempo (cf. Lc 4,18-19).
Eis acontecer no batismo de Jesus a surpreendente revelação do amor sacrificado e criador do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Neste evento a fé da Igreja contempla mais uma vez a santa Trindade enquanto fica atuando o misterioso plano divino de salvação, dentro da história humana, através do Verbo de Deus feito carne. Essa mesma fé nos convida a ficarmos mergulhados nesta mesma comunhão com a santa Trindade, na qual estamos inseridos por força do nosso batismo. Afinal, não fomos nós batizados “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”?  
A Igreja do Oriente interpreta muito bem este dinamismo da salvação através da humilhação-glorificação de Jesus no batismo e paixão, por meio da composição dos ícones do batismo de Jesus e da sua ressurreição, composição que exprime na linguagem simbólica da arte o profundo sentido teológico dos mistérios. Nos dois ícones a água do Jordão e a gruta dos infernos apresentam a mesma obscuridade, que Jesus, ao descer nela, penetra e vence com a energia luminosa e transformadora do Espírito Santo, pelo qual é permeado no batismo e ressuscitado da morte.
Os evangelhos dizem que após o batismo, Jesus, “pleno do Espírito Santo, voltou do Jordão; era conduzido pelo Espírito através do deserto durante quarenta dias e tentado pelo diabo” (Lc 4, 1-2). Jesus vive novamente o caminho de Israel no deserto, enfrenta as mesmas tentações, mas ele sai vencedor do diabo enganador, renovando a obediência ao Pai na força que vem da sua palavra e do Espírito. 
Logo depois inicia a sua missão anunciando o reino de Deus e a exigência de entrar no seu caminho, manifestando-o já presente na potência da sua palavra e das suas obras de cura e de libertação, atuando num estilo de compaixão e misericórdia. A Igreja, corpo vivo de Cristo, vive desta experiência cotidiana da potência humilde e transformadora do Espírito e da misericórdia do Pai manifestada na mansidão acolhedora de Jesus. Aqui a Igreja reconhece a fonte da sua vida, a sua razão de existir, e o lugar de onde tem de modelar o estilo do seu ministério para anunciar a boa nova aos homens e às mulheres do nosso tempo.
Ela vive no “hoje” de Deus para que todas as pessoas possam gozar da vida plena de Deus a partir das próprias condições, curadas e sanadas pela sua misericórdia. O batismo de Jesus é fonte de graça para todos, mas também critério para examinar a si mesmos sobre a autenticidade do próprio caminho e do próprio serviço ao evangelho.
A liturgia das Horas do tempo da Epifania procura unir e contemplar juntos o evento da Epifania, o batismo de Jesus e a transformação da água em vinho nas núpcias de Caná (Jo 2, 1 -12), como partes de um único processo de revelação da glória de Cristo na humildade da carne. Os textos evangélicos que narram os episódios correspondentes são proclamados nos três domingos sucessivos. Nesta maneira a liturgia destaca também a unidade existencial entre os mistérios celebrados e a nossa experiência cotidiana no caminho da fé.
A antífona do Cântico do Benedictus, nas Laudes do dia da Epifania, canta: “Hoje a Igreja se uniu a seu celeste esposo, porque Cristo lavou no Jordão o pecado [batismo de Jesus]; para as núpcias reais correm magos com presentes [epifania – magos]; e os convivas se alegram com a água feita vinho [núpcias de Caná]. Aleluia”.
Esta magnífica antífona apresenta, numa visão sintética e mística, o mistério da Encarnação e da revelação do Verbo de Deus na expansão das suas potencialidades. É o cumprimento das promessas a Israel (núpcias de Caná – Jo 2, 1-11) e a manifestação universal a todos os povos, culturas e religiões (epifania/magos – Mt  2, 1-12), através da solidariedade de Jesus com o pecado do mundo inteiro (batismo – Mt 3, 13-17) .
Epifania, Batismo e transformação da água em vinho em Caná constituem três painéis de um único trítico, de um único mistério que tem dimensões cósmicas: a celebração das núpcias de Deus com Israel e com toda a humanidade na Encarnação do Verbo e na sua manifestação humilde e potente.
No batismo da cruz, afirma São Paulo, Jesus “prepara e enfeita” a noiva para o casamento que ele está para realizar com a Igreja, e através da Igreja, com toda a humanidade. Ele a purifica de toda mancha, pelo banho do batismo que os cristãos vão receber no seu nome (cf. Ef 5, 25-27).      
A purificação ascética e interior e a vida moral que os cristãos são chamados a conduzir, em força do próprio batismo em Cristo, têm a beleza e o sabor da preparação das vestes nupciais da esposa. É um processo interior que exige cuidado de si mesmo, sensibilidade, tempo, acompanhamento por parte de quem tem experiência e conhece a arte de guiar a si mesmo e o caminho dos outros. A arte da vida no Espírito. Crescer na vida espiritual até chegar a seguir, com a apropriada veste nupcial, o Cordeiro que vai festejar suas bodas com a Igreja, exige mais que o batismo pontual: pretende que se aprenda a viver sempre mergulhados nas águas batismais do amor (cf. Ap 7, 9–17). Esta visão da vida cristã proporcionada pela escritura e pela Igreja na liturgia natalina nos dá uma diferença de perspectiva e de pedagogia espiritual. Aqui nasce uma autêntica consciência moral capaz de orientar os cristãos nas escolhas de cada dia, a partir da experiência da transformação interior sustentada pelo Espírito de Jesus, e da relação esponsal com o Senhor, própria dos filhos e filhas de Deus renascidos com Cristo e em Cristo!
O texto da antífona das Laudes da Epifania nos envia ao mesmo tempo às profecias do Antigo Testamento e ao seu cumprimento definitivo no éscaton do Apocalipse.
Os profetas descreveram a relação do Senhor para com Israel em termos de relação nupcial estipulada por iniciativa gratuita do mesmo Senhor. Ele chega a renovar a sua esposa – depois das repetidas traições que esta cometeu – reconstituindo até sua virgindade e oferecendo-lhe como dote atitudes interiores autênticas (cf. Os 2, 16; 21-22).
São João chama de “primeiro sinal” o gesto da transformação da água em vinho, cumprido por Jesus nas núpcias de parentes ou amigos em Caná, e acrescenta que “neste gesto Jesus manifestou a sua glória e os seus discípulos creram nele” (Jo 2,11).
Jesus é o “esposo” que cumpre finalmente aquela “aliança nova e eterna”, aquele “casamento inabalável” entre Deus e o novo Israel/humanidade preanunciado pelos profetas e inscrito no coração pelo Espírito de Deus (Jr 31, 31-34; Ez 36,26-27). A transformação da água em vinho, e vinho de ótima qualidade, diz simbolicamente a passagem definitiva da antiga à nova e perfeita aliança!
O batismo de Jesus – enquanto expressão da sua submissão ao Pai no amor e da sua solidariedade com o pecado dos homens – assim como o nosso encontro na fé e no batismo com Cristo, são eventos dinâmicos, um processo aberto. Jesus foi impelido pelo seu batismo até a cruz. O nosso batismo está sendo atuado com o progresso da nossa transformação nele e do nosso empenho a transformar a realidade em que vivemos. 
Nos momentos mais significativos da vida da comunidade, como a grande Vigília pascal, ou periodicamente nos domingos, renovamos as promessas do nosso batismo, como confirmação e desenvolvimento da nossa participação no dinamismo renovador do batismo e da páscoa de Cristo, no “hoje” sempre novo de Deus.
Que o Senhor nos conceda chegar a cantar de verdade, em primeira pessoa, e em comunhão com a Igreja e a humanidade inteira: “Hoje a Igreja se uniu a seu celeste esposo, porque Cristo lavou no Jordão o pecado; para as núpcias reais correm magos com presentes; e os convivas se alegram com a água feita vinho. Aleluia”.
Dom Emanuele Bargellini
Monge Beneditino Camaldolense
Prior do Mosteiro da Transfiguração, Mogi das Cruzes/SP
Fonte: ZENIT

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Caminho Neocatecumenal não será suspenso no Japão.

Papa se reuniu com bispos japoneses no dia 13 de dezembro
MADRI, sexta-feira, 7 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – O Caminho Neocatecumenal não será suspenso no Japão dentro de cinco anos, como havia anunciado a Conferência Episcopal do país, mas buscará uma solução negociada para possíveis mal-entendidos.
Esta é a principal conclusão da reunião realizada em 13 de dezembro passado, entre o Papa Bento XVI, uma representação de vários bispos japoneses, incluindo o presidente da Conferência Episcopal, Dom Leo Ikenaga, e alguns líderes de dicastérios da Cúria Romana, como o secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone.
Esta decisão foi recentemente enviada por escrito, pela Secretaria de Estado, aos iniciadores do Caminho Neocatecumenal, Kiko Argüello, Carmen Hernández e Mario Pezzi, segundo informou hoje a ZENIT Álvaro de Juana, delegado de comunicação desta realidade eclesial na Espanha.
O encontro entre o Papa e os representantes do episcopado japonês foi realizado para discutir alguns aspectos sobre o Caminho Neocatecumenal no país.
A causa disso foi a decisão, declarada publicamente no início do Advento por bispos japoneses, de que esta realidade eclesial suspenderia suas atividades no país no prazo de cinco anos.
Conforme explicou a De Juana, “a Santa Sé tomou uma série de decisões. A primeira delas indica que a suspensão do Caminho Neocatecumenal no Japão em cinco anos, como alegado pela Conferência Episcopal do país, não é admissível”.
Por outro lado, disse, “o diálogo entre os bispos do Japão e o Caminho Neocatecumenal deverá ser retomado logo que possível, com a ajuda de um delegado competente, que tenha amor pelo Caminho e respeito pelos problemas dos bispos”.
“Por fim, devem dar, se for necessário, instruções específicas para o Caminho, para cada uma das suas próprias dioceses, evitando pronunciamentos da Conferência Episcopal”, explicou De Juana.
“A Santa Sé lembra ainda que a Secretaria de Estado será a responsável pelas instruções necessárias e abordará, em contato Congregação para a Evangelização dos Povos, as questões relativas à presença do Caminho nesse país”, disse o porta-voz do movimento.
Esta decisão marca um importante ponto de referência para a questão suscitada pela recusa dos bispos japoneses ao Caminho Neocatecumenal, uma realidade eclesial pós-conciliar surgida na Espanha por meio do pintor Kiko Argüello, e que hoje está presente em mais de 5 mil paróquias dos cinco continentes.

http://fratresinunum.com/2011/01/10/caminho-neocatecumenal-nao-sera-suspenso-no-japao/
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