
Por Gabriel Mesquita
Desde a segunda metade do século passado, a posição visível da Igreja (ou melhor, dos homens que a compõem) sofreu uma mudança como nunca antes ocorrera na história eclesiástica. Anteriormente, era sempre destacado que o católico não podia (ou não deveria) comportar-se como os demais ou assumir a mentalidade mundana. Infelizmente, diante da grande crise que assaltou a Igreja, essa noção não é clara mesmo para católicos praticantes.
Antes de tudo, convém explicar qual é o sentido de mundo com o qual não nos devemos conformar. Evidente, o mundo que Nosso Senhor repreende não é o Universo criado por Deus, sobre o qual está escrito que é muito bom (Gn 1,31). O mundo reprovável é a sociedade humana constituída contra Deus, sua Lei e sua Palavra. Isso não significa que tudo que uma sociedade não-cristã produz seja repreensível. Por exemplo, muitos conceitos jurídicos e administrativos da civilização romana, na qual a Igreja surgiu, foram aproveitados posteriormente. Contudo, apesar de muitos aspectos apreciáveis no Império Romano, isso não levou os primeiros cristãos a se conformarem com o paganismo e corrupções romanas como nos revela o lindo testemunho cristão da Carta a Diogneto do século II:
