Por Miguel A. Pastorino P.
Em fevereiro de 2003, o Pontifício Conselho para o Diálogo
Interreligioso do Vaticano publicou um relatório, o primeiro sobre o
fenômeno da “New Age” (Nova Era), intitulado “Jesus Cristo Portador da
Água Viva…” e também faria publicar o segundo, continuação daquele, sob o
título “Reflexão Pastoral sobre a Nova Era”, resultante da Consulta
Internacional que ocorreu na Santa Sé, no mês de junho de 2004, da qual
participei juntamente com outros 21 especialistas de outros países e
membros da Cúria Romana.
Ainda que muito se tenha escrito nos anos de 1990 sobre a Nova Era e
ainda que o Vaticano tenha publicado a sua própria reflexão, devemos
considerar que a Nova Era assume na América Latina e no Uruguai [e
também no Brasil – NdoT] características, expressões e ênfases
particulares em relação à sua manifestação europeia e norte-americana, e
que é necessário conhecer.
A propagação, nas livrarias e supermercados, de deselegantes
prateleiras exibindo livros de auto-ajuda, esoterismo, segredos
espirituais, magia, reiki, gurus orientais, astrologia, terapias
curativas, “insight”, técnicas de adivinhação, anjos e um sem fim de
temas exóticos direta ou indiretamente ligados ao religioso é um fato
para qualquer um de nós. Este “boom” literário nada mais é que a ponta
de um iceberg cuja parte maior se oculta em águas mais profundas e
obscuras.