A desconfiança com relação à urna eletrônica não deixa de ter um pouco desse aspecto: nos sentimos inseguros diante de um processo que não conhecemos
Por Francisco Borba Ribeiro Neto
Nas últimas semanas, assistimos a uma verdadeira batalha pelo voto impresso. A polarização partidária levou a uma certa histeria de ambas as partes. Nos Estados Unidos, onde o voto é em papel, os partidários de Trump alegam fraude nas eleições e pediram recontagens, mas isso não mudou o resultado do pleito. O voto impresso, por si só, não impede crimes eleitorais. Contudo, o fato de muitos se sentirem desconfortáveis com o sistema eletrônico, mesmo com reiteradas explicações sobre a lisura do processo, não pode ser descartado. É justo sempre buscar o aperfeiçoamento dos mecanismos de fiscalização, seja com o voto físico, seja com o eletrônico, seja com um sistema híbrido.
Contudo, meu tema hoje não é esse, mas sim uma decorrência desse debate. Muitos tem repetido que “não dá para provar que houve fraude com as urnas eletrônicas, mas também não dá para provar que não houve”. A frase – apesar de verdadeira – pode induzir a uma postura relativista, típica desses tempos de pós-verdade. Na posição justa, de atenção e cuidado, leva a uma vigilância constante. Na posição relativista, leva à conclusão que, se não é possível provar uma coisa ou outra, cada um pode acreditar no que quiser…