Se Maria não for mais apresentada como a grande colaboradora na obra da redenção, então o princípio católico de que nossas ações importam eternamente terá sido esvaziado.
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| Escultura 'Pietà' de Michelangelo, 1499, Basílica de São Pedro |
Em 4 de novembro de 2025, a Santa Sé divulgou discretamente uma nota doutrinal intitulada Mater populi fidelis, assinada pelo cardeal argentino Víctor Manuel Fernández, conhecido como “Tucho”, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e formalmente aprovada e assinada pelo próprio Papa Leão XIV.
A nota poderia ter passado despercebida como mais um esclarecimento técnico, não fosse uma declaração que causou grande repercussão no mundo católico: o documento declara que usar o título “Corredentora” para a Virgem Maria é “sempre inapropriado”. E prossegue afirmando que o título “Medianeira de Todas as Graças”, igualmente aplicado a Maria há mais de um século nos ensinamentos do Magistério, também é “sempre inapropriado”.
“Sempre”, insiste o texto. E esse advérbio, repetido e sublinhado, tornou-se o epicentro de uma tempestade.
Para muitos católicos criados na doutrina e devoção tradicionais, isso não é apenas uma pequena modificação no vocabulário. É a desvalorização deliberada da teologia tradicional da cooperação de Maria na salvação, ensinada como parte da própria fé. Até agora, pelo menos.
